quinta-feira, setembro 20, 2012

Um canto para Luzia.

 Simplesmente uma história real contada em poesia. Algo que retrata uma linda amizade entre o autor e uma senhora da terceira idade que um dia bateu à sua porta e, então se fez personagem de seus folhetins. Luzia era alguém que não tinha onde morar, que durante tanto tempo vivera pela casa dos outros, sendo escravizada em troca de um prato de comida. Não sabia o que era ter um salário, pois vivera tanto tempo de migalhas; e quando  chegou indo morar lá nos fundos do quintal numa casinha que até então não tivera dono e, tendo conquistado um benefício mensal do governo, se apaixonou pela vida e talvez como forma de gratidão, passou a dedicar-se a natureza  e também aos animais; gastando parte deste beneficio  com eles. Um dia Luzia foi embora, mas deixou a essência para a composição  deste poema  que recebeu menção honrosa do concurso intervalo em 2003 e faz parte do livro “amor minha última palavra”.



Um canto para Luzia


Um dia Luzia me pediu um canto
Um aconchego para esconder o medo
E sufocar o pranto...
Veio com os olhos inebriados,
Coração angustiado
E o medo de ser feliz...
Logo tão de repente pensei,
Luzia faz parte da gente,
Não era minha parente,
Mas mesmo assim abriguei.
E luzia ganhou casa, comida e roupa lavada;
Terra fértil para plantar e alguém para conversar...
E foi então se acostumando ao meu lado viver bem
Longe da grande cidade, do tumulto do vai e vem;
Perto da natureza e de quem lhe tinha amor...
Passou aqui alguns natais, poucos carnavais,
Participou da minha dor...
E comigo dialogava nas noites tristes de solidão.
E quando eu não tinha palavras
Ouvia meu coração
Buscava compreender-me nas horas de agonia
Às vezes virava uma fera,
Libertando-me do que me prendia.
Enfrentava a chuva e o vento
E soprava longe a garoa
E eu em meu pensamento
Refletia e repetia -  como Luzia era boa...
Mas um dia a tempestade
Que é insana e apavora, caiu no nosso telhado,
E Luzia foi embora.

Tony Caroll.

1 comentários:

  1. Olá Tony, gostei muito da história que lhe inspirou esse poema, não sei se conheço dona Luzia, mas me pareceu bem familiar.

    Abraço e sucesso com seu blog.

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