sexta-feira, outubro 19, 2012

Flores são presentes para homens?


 Mas também não desprezo os homens que carregam dentro de si, um sublime beija-flor e jamais se envergonham disso. Porque os outros que ficam a mercê do machismo, são apenas “homens” mergulhados na penumbra, sob os corpos nus e desfigurados de suas mulheres tão desconhecidas; homens mestres dos prazeres que se acabam após um estremecimento de corpos, gritos de prazer e, abandonam as suas vítimas como algo reciclável nos escombros, enlameadas apenas com gotas espumosas que esmaecem entre os minutos deixando apenas um cheiro de frustração.



 Verônica e a flor do seu sexo

Se um homem tem lá os seus muitos segredos que chegam a ameaçar sua integridade... Imagine um beija-flor... Ele também tem os seus, e os guarda consigo, apenas por não ter alguém com quem compartilharem as suas tantas histórias, simplórias, mas tão glamourosas vividas no meio das flores, que perfumam e enternecem o universo de nós, seres humanos. Aliás, é preciso ter a alma impregnada de ternura para compreender um beija-flor; porque enquanto alguns homens se exasperam a procura de algo que possa calar os anseios de seus corpos, o terno beija-flor embriaga-se de perfume e beleza e busca alguma coisa além da cópula, do prazer e do egoísmo, ao adentrar no meio das flores para viver os seus muitos eflúvios. Acho desperdício alguns homens protagonizarem tantas histórias e não poderem se orgulhar de nenhuma delas, pois entre um homem e um beija-flor; prefiro um beija-flor, que passeia sem esboçar nenhum tipo de preconceito, tanto nos jardins das mansões monumentais, como nos brejos e lagares dos humildes quintais onde existe cheiro de amor, ignorando deficiências. Mas também não desprezo os homens que carregam dentro de si, um sublime beija-flor e jamais se envergonham disso. Porque os outros que ficam a mercê do machismo, são apenas “homens” mergulhados na penumbra, sob os corpos nus e desfigurados de suas mulheres tão desconhecidas; homens mestres dos prazeres que se acabam após um estremecimento de corpos, gritos de prazer e, abandonam as suas vítimas como algo reciclável nos escombros, enlameadas apenas com gotas espumosas que esmaecem entre os minutos deixando apenas um cheiro de frustração. É preciso acender a luz!Para iluminar a alma e despertar os homens que ainda estão no escuro dando-lhes a oportunidade de fazerem emergir de dentro de si, o sublime beija-flor que se irradia diante dos olhos daquelas que buscam algo além da cópula; por que: “Só a alma pura conhece a fisionomia do amor!”.

O segredo daquele estupendo beija-flor, tão intenso em meu quintal, era simplesmente “Verônica” uma flor tão esquisita, aspecto diferente, formato saliente, aroma desconhecido, corpo franzino a esboçar fragilidade atolada no lagar; e tudo a diferenciava das demais, e parecia torná-la tão insignificante, apesar do jeito cândido que enfeitava o seu rosto como se fosse um véu a esconder tamanha beleza que a fazia sutilmente viçosa por trás do anonimato que a impedia de publicar-se. Mas vi aquele intenso beija-flor, naquela noite aproximar-se dela para viver mais um de seus muitos devaneios, talvez o último. Pois, aos poucos foi se despindo até tornar-se completamente nu e tão insignificante quanto ela. Afinal, para se conquistar o que é belo em extravagância, é preciso se aproximar, despir-se e tornar-se igual àquilo que nos parece insignificante porque, muitas das vezes, é a vaidade da beleza que ofusca o enleio da conquista. Quem sabe se um homem vier a despir-se totalmente de tudo aquilo que o torna tão vaidoso e insensível, não encontrará dentro de si mesmo a pureza, a meiguice, a ternura, o ser ingênuo e a sublimidade de um sutil beija-flor?Como aquele que recebera permissão para chegar-se à tenra Verônica; e: “Tocá-la com sutileza e calma beijá-la na face enchê-la de graça e beleza e sem disfarce alcançar-lhe o corpo e também a alma”. E descobrir que Verônica, apesar de tudo, não era simplesmente uma única flor; mas... Duas, porque apesar das coisas que a desfigurava, ainda havia a corola que lembrava uma borboleta, aumentando-lhe o aspecto, e ali estava o seu maior enigma: Verônica era uma flor, dentro de outra flor. Cópia de uma mulher, que abriga outra mulher dentro de si: “a alma”. Assim, Verônica era constituída de dupla e rara beleza que a transformava em um nobre mistério e a designava como duas gêmeas. Uma era o corpo, a outra a alma Uma era a rosa, a outra mulher e ambas, um só mistério a ser desvendado. E a aproximação daquele sutil beija flor, explicou-me os meus tantos porquês, sobretudo ter escolhido o meu humilde quintal para viver suas experiências. Lá no lagar estava Verônica, a flor que nunca se entristecia, não despencava e, mesmo com o impetuoso bailar dois ventos que arrasava e arrastava os imensos jardins, ela não pendia, nem para um lado ou para o outro, e muito menos deixava uma pétala sequer abraçar o vento e ir embora com ele, pois dançava harmoniosa, tornando tudo a sua volta, em uma doce brisa que chegava a me embriagar... Verônica nunca chorava acho eu, pois jamais experimentara o fel que machuca as mulheres, ou os desatinos que encerram a vida das outras rosas. Era feita de beleza, cercada de enigmas, cultivada pela presença daquele beija-flor que a amava intensamente e a eternizava para sempre. “Eu era um homem que de amor nada sabia e ele, um lindo beija-flor que conhecia Verônica e a vivificava todos os dias; porque, só ele possuía a seiva que alimenta as flores e entorpece as mulheres: O amor”. Existem homens que se envaidecem pela bigamia, mas se autoflagelam porque tendo duas ou mais mulheres, não conhecem a nenhuma delas. Por que: É preciso ter sutileza, coragem, sede de amor, para conhecer o núcleo de uma mulher, quanto mais de uma rosa. E qual é o homem que estará disposto a imitar um beija flor em tudo aquilo que se refere aos sentimentos puros de uma mulher?E então experimentar o gosto do verdadeiro amor dentro de si mesmo, algo que pudesse torná-lo imensuravelmente completo. Não preciso dizer que pelas leis de alguns povos aquele beija-flor deveria ser considerado bígamo, pois cobiçava as duas rosas, mas, a única coisa que poderia eximi-lo de culpa era o amor que irradiava com tamanha sinceridade por suas duas Verônicas, e isso era um de seus grandes segredos que não o fazia vitima de quaisquer punições porque, apesar de tudo, era sábio fiel as suas duas, que na verdade era uma só para ele. Nomeei aquele beija- flor de Leonardo, pois esse foi o nome que ouvi numa tarde de outono quando a chuva fina começou a cair tão feliz e ousadamente banhou o corpo nu do sublime beija- flor que sem nenhum pudor, pousou sobre a corola de Verônica encolheu-se e, adentrou o seu corpo eternizando um instante; onde ouvi tão somente gemidos que exalavam a felicidade de uma flor que em forma de mulher, naquela noite estava ali, ao meu lado com as mãos manchadas de sangue que escrevia nos lençóis brancos a primeira página de uma linda história de amor entre uma mulher e um homem que com tamanha galhardia espelhando-se na sublime história daquele beija-flor, ignorou o fato de que sua alma gêmea fosse hermafrodita.


Tony Caroll.

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