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terça-feira, novembro 06, 2012

Algazarra para Elizabeth.

Um dia quem sabe ainda conto um pouco da história de Elizabeth,uma de minhas irmãs em que muito me inspirei para compor alguns versos e com eles formar algumas poesias.Mas aqui quero relatar apenas um pouco da história que esse poema traduz.Éramos oito filhos quando minha mãe ainda jovem nos deixou.Com isso fomos separados indo cada um para um lugar diferente e Elizabeth foi parar nas mãos de uma senhora  muito velha que vivia em Barra do Piraí no interior do RJ.Um dia então eu e uma outra irmã reunimos os outros dois menores,e fomos visitá-la.Encontramos Elizabeth vivendo numa casinha de estuque,sem uma boa alimentação porém muito querida de todos.Não tínhamos muito o que fazer a não ser passear um pouco pela cidade.O dia passou depressa e a noitinha quando já estávamos na estação esperando o trem para nos levar embora,vi Elizabeth surgir.Ela vinha correndo me trazer um pente de cerdas largas que eu havia esquecido.Embarcamos e enquanto o trem se afastava senti um aperto no peito e um gosto de lágrimas na alma pois,sabia que no gesto de trazer o pente estava simplesmente a vontade de voltar conosco.Ah!São tantas histórias...Mas essa,por enquanto encerro aqui dizendo que Elizabeth venceu.Hoje vive na Suíça,tem dois filhos enquanto eu perdi o pente de cerdas largas que durante tanto tempo guardei de lembrança.Mas para quê pente se hoje já não tenho mais cabelos? E aquele trem?Ah!Ele não existe mais.


 Algazarra para Elizabeth

Ah! Aquele trem!
Que me levou sem desdém
Para aquele final de mundo
Só para ver Elizabeth.
No peito um algoz profundo
Que comigo pintava o sete
Mas tudo valia a pena
A certeza era plena
Eu ia ver Elizabeth.
E o velho e surrado trem
Corria com vaidade
E no incansável vai e vem
Diminuía a saudade
Vencia os trilhos e as campinas
Fazia ventar muito mais
Não lhe importava a neblina
O cheiro dos matagais
Corria com ousadia
De quem um sonho reflete
Queria dar-me a alegria
De encontrar Elizabeth.
E eu ia embalado
Vivendo mil emoções
Sonhava aflito acordado
Contando as vis estações
E como criança inocente
Que a mesma coisa repete
Balbuciava insistente
Eu vou ver Elizabeth! Eu vou ver Elizabeth!
E de repente o apito
Que me fez soltar um grito
Rompendo o azul celeste
Estávamos no infinito
E lá estava Elizabeth.

Os olhos arregalados
Pela lágrima atrevida
O coração solitário
Feito presidiário
Do destino e da vida
E aquela não parecia
Minha meiga Elizabeth
Que um dia fora vendida
Ao preço de uma omelete
Era um vulto de tristeza
Sem mais brilho e beleza
Não mais sabia sorrir
Mas eu estava ali
Corajoso e com garra
E no mais ditoso convite
A enfeitei de requinte
Para vivermos uma algazarra
E fizemos piquenique
Entre as murtas do caminho
Brincamos de corre pique
Cantamos em burburinho
Tiramos folhas das plantas
Atiramos como confete
Nos vestimos de palhaços
Eu e Elizabeth!Eu e Elizabeth!Eu e Elizabeth!
E não importava o cansaço
Queríamos ir adiante
Zombar das agruras da vida
Tomar muito refrigerante
Fazer bolas de chiclete
E até apostar corrida
Com as mulas e a charrete
Naquela estrada comprida
Que resumia a vida
Entre eu e Elizabeth!
E foi uma tarde feliz
Que deixou-me apaixonado
Ao lado da flor-de-lis
Tornei-me realizado
Mas tudo durou tão pouco
Pois a noite trouxe o sufoco
E consigo aquele trem
Que recebi com desdém
Quando se aproximou
Obrigando-me a entrar
Pois logo me angustiou
Com o estridente apitar
E com a rotina que sempre repete
Deu partida e lá deixou
Minha irmã Elizabeth!


Tony Caroll.

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