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domingo, janeiro 13, 2013

E entre os sonhos do menino estavam os vaga-lumes


 E entre os sonhos do  menino estavam simplesmente os vaga-lumes a povoar a mente e encher o coração de fantasias.Coisa que hoje em dia as crianças não tem mais pois lhe furtam a inocência com tantas invenções como eletrônicos,jogos violentos e tudo o que geram raízes e criam homens prematuros que nunca tiveram o doce sabor de compreender o que é a infância.O sexo está na janela quando o controle remoto nos faz assistir crianças sendo obrigadas a se comportarem como adultos dentro de um cenário capitalista onde parece que muitos pais querem vender os filhos para um sistema que  possa lhe render fundos ou em nome de uma frustração se realizarem através dos inocentes que já não tem mais o direito de viver sua infância entre fábulas.Oferecem aos pequeninos tantas opções para se sentirem adultos,presenteiam-lhes com tantas coisas vãs como se quisessem comprá-los e depois choram copiosamente quando os veem se tornarem adultos com saudades da infância.


  Na estrada do amanhece


Tubi não acreditava que no mundo tivesse um lugar melhor do que o Amanhece. Lá ele nasceu, e se dava por feliz. O Amanhece era bom sem comparação apesar de certos aborrecimentos que bem podia não ter. Um: ninguém acreditava muito nas coisas fora do comum que Tubi estava sempre descobrindo, ou vendo; diziam que não podia ser, era absurdo, ele tinha sonhado, onde já se viu; tanto que ele não estava mais contando nada, a não ser à mãe, assim mesmo só conforme a disposição dela. O que fez tomar essa precaução foi o caso dos vaga-lumes. Ele tinha andado correndo atrás de vaga-lumes no vassoural em frente a casa,lanhou as pernas muito mas conseguiu pegar um prender numa caixa de fósforos.Na cama de noite ele olhava a caixa e via quando o vaga-lume estava de luz ligada.Quando viu que ia dormir ele pôs a caixa no chão para não rolar por cima dela e esbandalhar o vaga-lume,mas perto da mão para poder apanhar mais,agora era fácil,bastava fechar a mão a esmo para pegar uma porção de cada vez,num instantinho ele encheu uma gamela meiãnzinha.Ele ia levar a gamela para dentro de casa com a ideia de arranjar bastante linha e pendurar todos eles nos caibros da varanda,depois acordar a mãe para ela ver a casa iluminada com aquelas lanterninhas,invenção dele;mas caiu na asneira de deixar a gamela do lado de fora enquanto procurava a linha,e quando voltou um bezerro tinha comido todos os vaga-lumes e ainda lambia os beiços,com certeza esperando mais.Tubi procurou uma vara,um ferrão,qualquer coisa para castigar o bezerro,rodou,não achou,e quando olhou de novo quase não acreditou.Com a barriga inchada de vaga-lumes,o bezerro parecia um balão cheio de luzinhas que acendiam e apagavam desencontrado,até se via o sombreado dos ossos das costelas no couro esticado.Tubi tocou a barriga do bezerro para ver se estava quente ou fria,o bezerro não gostou e saiu de perto,levando aquele azulado pelo chão,como se fosse uma sombra clara,saltou o rego,prateando a água na passagem,e sumiu numa moita de cana;mas mesmo escondido o clarão bojudo estava lá nas moitas,denunciando.De manhã Tubi correu ao curral na frente de todo mundo para ver se tinha acontecido alguma coisa ao bezerro,se ele tinha morrido,ou vomitado,ou adoecido.Que nada,o ladrisco já estava encostado na porteira,lambendo a mãe pelo vão de duas tábuas e berrando,doido para chegar a hora de mamar,parecia que não tinha feito travessura nenhuma durante a noite.Mas Tubi ficou preocupado,vigiou muito o bezerro,olhou se ele mamava direito,e quando viu ele se deitar perto da mãe no esterco do curral com os olhos meio fechados,cansados das cabeçadas que dava no úbere para puxar o resto do leite deixado pelo vaqueiro,Tubi achou que podia ser já o sinal do adoecimento,e correu para dizer ao pai na mesa do café que convinha dar um purgante ou qualquer remédio àquele bezerro branquinho filho da Mandinga.—Purgante pro bezerro? Por que agora?—Ele… vai ficar doente. Acho que já ficou. — O pai olhou para ele desconfiado, investigando. —O que foi que o senhor já andou fazendo com o bezerro?—Nada  não, pai. Foi ele mesmo. Comeu uma gamela cheinha de vaga-lume. Os pais se entreolharam e compreenderam que o bezerro não estava em perigo. —Vai fazer mal. Ele já está deitado, de olhos fechados disse Tubi. —Onde foi que ele achou tanto vaga-lume?-Perguntou a mãe. —Tubi baixou os olhos, confessou: — Eu peguei ontem de noite. —Você pegou e deu para ele? – Perguntou a mãe. Tubi explicou o acontecido, deixando claro que não tivera culpa; falou do brilho na barriga do bezerro, do clarão na moita de cana dos ossos das costelas aparecendo com o pisca-pisca dos vaga-lumes – de repente parou: não adiantava continuar, ninguém estava acreditando. Nunca mais ele contaria nada a ninguém. Mas de noite, na hora de lavar os pés para dormir, a mãe puxou o assunto e ele reconsiderou. Estavam sozinhos na cozinha, ela mornando o leite para ele tomar com beiju. —Como foi mesmo a história dos vaga-lumes?—ela perguntou.

José J.Veiga.
Por Tony Caroll.

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