quinta-feira, junho 06, 2013

As Mil e Tantas Dulcelinas!!!

Eu nunca mais havia escrito algo sobre Dulcelina,afinal o tempo havia passado tão depressa e cada um de nós tomado um rumo diferente.Eu continuava escrevendo e envolvido com o teatro enquanto Dulcelina já a algum tempo estava casada   com André (Protagonista da peça O rato que roeu a roupa do rei risonho) e ambos dedicavam-se ao lar,a filha,a igreja e a construção de uma bela casa.Mas o passar do tempo e os projetos de vida de cada um de nós nunca foram obstáculos para a amizade que nos unia e fazia com que estivéssemos sempre juntos.
Dulcelina vai a luta
Observando Dulcelina

Um dia enquanto conversava com André percebi que Dulcelina estava tão calada e tão compenetrada em seus afazeres domésticos,isso mergulhada em uma dedicação tamanha;e como era de costume de vez em quando entrava na conversa apenas para dar a suas opiniões sempre tão valiosas.O que sempre me inquietara em relação a Dulcelina era que apesar do seu jeito tão adorável de ser e de viver ela nunca manifestava grandes sonhos,preferia se dedicar aos sonhos de todos nós e com maestria nos impregnar de animo para cultivá-los enquanto eu na minha incansável busca para entendê-la deixava que algumas interrogações se agigantassem dentro de mim.
                    
O maior sonho de Dulcelina

Por que tendo um esposo tão apaixonado pelo teatro Dulcelina nunca se deixava envolver?Qual seria o maior sonho de alguém que se dedicava tanto a tudo mas nunca respondia ao meus apelos de vê-la sobre o palco interpretando grandes papéis?E foi aí que  me enchi de coragem para lhe perguntar isso e ela então me surpreendeu com uma resposta muito elegante.O seu maior sonho era um dia se tornar uma dondoca.Posso ter achado muita graça disso naquele momento,mas levei aquela resposta muito a sério afinal Dulcelina sempre fora como uma flor meio enigmática que inspira,inspira,inspira e logo desabrocha em algo que certamente explode em muita beleza.
                  
Dulcelina e as sete mulheres

E pensando nisso e tão intrigado mas uma vez resolvi escrever novamente sobre ela; isso sem dizer nada a ninguém.O meu desejo de ver Dulcelina sobre o palco interpretando resultou numa doméstica apaixonada pela arte de interpretar que então cria a partir dela mesma tantas faces para dizer não a todas as coisas em nome de seu maior sonho(Ser uma grande atriz)isso era uma contradição dentro de mim mas também uma forma de dar asas a minha imaginação em nome do meu desejo.E foi assim que me apareceram sete mulheres tão diferentes uma da outra e o pior de tudo era que todas elas eram Dulcelina. 

Profissão: Do lar

Dulcelina mulher,mãe,amiga,companheira,esposa…e todas exalando  dedicação como a maior qualidade.E isso não me deixou abrir mão de nenhuma delas que traduzidas em  diversas personagens trouxe a tona uma mulher do lar,tão esforçada e tão sábia em administrar o tempo para viver com  galhardia  os seus mais variados papéis Governanta,professora,enfermeira,médica,psicóloga,cozinheira,faxineira,arrumadeira,jardineira,,babá,secretária executiva,escritora e tudo aquilo que dignifica a figura da mulher do lar que então,durante toda uma vida mesmo sem perceber assume e interpreta os mais variados papéis sem nunca receber homenagens por isso.Acho que Dulcelina foi um pouco de todas as grandes mulheres que conheci ao longo de minha vida.Mulheres que no seu dia a dia se transformam em tantas personagens para enfeitar o universo de todos nós com tantas coisas bonitas.

 Homenagem a Dulcelina

Alguns dias depois passei o texto já revisado as mãos de André e só respirei aliviado quando ele me telefonou dando boas gargalhadas.Me atrevi a perguntar se Dulcelina não  ficara chateada com as conotações que eu havia lhe atribuído através daquelas personagens tão escalafobéticas  e ele me respondeu que ao contrário.Dulcelina sentia-se homenageada.


Em referência a peça teatral Ai Ai Ai Dulcelina !

Tony Caroll

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe seu comentário.Ele será muito importante para nós.