LONGE DOS OLHOS, DENTRO DO CORAÇÃO: “COMO VAI VOCÊ?”
Hoje acordei com uma vontade imensa de dizer isto:
Eu sou alguém que, talvez para muitos, não possua nenhuma relevância. Mas, na minha maneira simples de viver, gosto de me preocupar com as pessoas e sempre perguntar a elas: “Como vai você? Está tudo bem?”.
Eu sou aquele tipo de gente que se importa sempre com o bem-estar dos outros, principalmente daqueles que fazem parte do meu universo. Tenho o costume de orar por pessoas, animais e até por coisas sobre as quais eu poderia simplesmente dizer: “Não tenho nada a ver com isso”.
Oro até por pessoas desconhecidas, animais que vejo abandonados pelas ruas e árvores em sua sequidão, além de ter registrado em meu coração as datas de aniversário dos amigos e familiares. Sei que não vou mudar o mundo, mas eu sou assim...
Sou um ser humano e dou valor a pequenas coisas, como perguntar “como vai você?” de maneira disfarçada em uma mensagem de bom-dia, boa-tarde ou boa-noite no WhatsApp; ou, ainda, por meio de uma atualização em forma de algum pensamento que as faça refletir sobre a vida.
Hoje, quem meditou sobre algo fui eu mesmo. Perguntei a alguém que está longe “como vai você?” e justifiquei a minha pergunta com o argumento:
“A gente nunca sabe nada sobre você — aliás, ninguém sabe.”
No que ela me respondeu:
“Isso é porque a gente mora muito longe.”
Essa resposta não convincente me fez refletir: “Longe dos olhos, mas dentro do coração”. E, depois, para mim mesmo, apenas concluí: “Quando se ama alguém, a distância não serve de justificativa”. Pensei calado: E pensar que daqui a pouco um de nós irá para muito mais longe e será transformado apenas em saudade e recordações...
Isso me fez refletir pela milésima vez sobre um poema que levo para a vida inteira:
COISAS QUE VOCÊ NÃO FEZ
Lembra-se do dia em que peguei emprestado o seu carro novo em folha e o amassei? Pensei que você me mataria. Mas você não matou.
E lembra-se da vez em que o arrastei para a praia e você disse que ia chover, e choveu? Pensei que você ia dizer: “Eu não disse?”. Mas você não disse.
Lembra-se da vez em que flertei com outros caras só para lhe fazer ciúmes, e consegui? Pensei que você me largaria, mas você não largou.
Lembra-se da vez em que derramei torta de morango em cima do tapete do seu carro? Pensei que fosse me bater, mas não bateu.
E lembra-se da vez em que me esqueci de lhe avisar que a festa era a rigor, e você apareceu de jeans? Pensei que fosse me largar, mas não largou.
Sim, houve uma porção de coisas que você não fez. Mas você me aguentou, me amou e me protegeu.
Havia muitas coisas que eu queria lhe retribuir quando você voltasse da Guerra do Vietnã.
Mas você não voltou.
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.













