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quinta-feira, agosto 20, 2026

A DANÇA DOS SEGREDOS DESFEITOS

A DANÇA DOS SEGREDOS DESFEITOS

 

Cumplicidade é quando a alma decide descalçar os sapatos e caminhar nua diante do outro. É o refúgio onde o medo deixa de ser um esconderijo e se transforma em ponte: revela-se a fragilidade, entrega-se o cristal, e é justamente nessa delicadeza que morre a distância.

Amar, nesse tom azul e natural, é ser desprovido de couraças. É o território sagrado onde não há o que esconder — nem o jeito, nem a cor, nem os tropeços do homem comum que tece versos. É a mania bonita de rabiscar o nome do outro nas margens do universo: nas nuvens passageiras, nas folhas dos livros, no vento que sopra e nos grãos de areia onde a imaginação ousa esculpir um sonho.

E quando a cumplicidade atinge sua forma mais pura, ela se torna fauna e flora. É o beija-flor que traz o sol para dentro dos olhos, a abelha que inventa a doçura, a cigarra que empresta a voz para celebrar o bem mais precioso.

No fim, a cumplicidade é a arte de virar avesso e reflexo. É ser corpo, alma e poesia costurados pelo mesmo olhar, onde os dedos já não sabem onde terminam em si e onde começam no outro. É a certeza mansa de que, desnudados de qualquer segredo, vocês já são um só.

 

    SEGREDOS

 

Se te escondo quem sou

Revelo-te os meus medos

Mas se me abro e me dou

Não existem mais segredos.

Pois sou:

Tão sensível como uma flor
Indescritível como o amor
Frágil como o cristal
Límpido e natural...

Então:

Não há o que de mim esconder
O meu jeito, a minha forma, a minha cor
O meu dom é o amor
O meu tom é todo azul
Gosto de fazer poesia
Como homem, sou comum.

Se, tenho mania confesso:
A de rabiscar o teu nome
Nas coisas que compõem o meu universo
Árvores, flores, pássaros, insetos
Livros cheios de gosto
Nas nuvens
Quando desenho o teu rosto.

E nas areias do mar
Onde imagino montar o teu busto
No vento que caminha a soprar
Quando então me assusto
Pois sei que esse levará
Os meus sonhos e devaneios
E fará os meus sentimentos
Como grãos partidos ao meio.

E se te comparo a alguma coisa
A um beija-flor sublimemente
Porque o beija-flor é tão terno
Deixa-me ensolarado
Faz-me sonhar acordado
E até mesmo dormindo
E acordar embriagado
Desses teus lábios me sorrindo.

Assim invento também as abelhas
Detalho as borboletas e as flores
Empresto-me a cigarra
Para cantarolar teus primores.

Por que...

Agora somos um só

Corpo, alma, poesia, olhar e dedos

Somos espelhos um do outro

Onde já não existem segredos.



Há uma beleza rara no instante em que o amor deixa de ser busca e passa a ser morada traduzindo a cumplicidade não como um acordo, mas como um transbordamento. É quando os reflexos se fundem e os espelhos se dissolvem, revelando que já não há divisões entre o que sentimos e o que somos. É a poesia ganhando carne, pulso e respiração;pois,quando os segredos dão lugar à nudez da alma, o amor deixa de ser apenas vivido: ele passa a ser respirado a dois.


 

domingo, agosto 09, 2026

BONECA DE PANO! MEMÓRIAS DE UM TEMPO CHEIO DE INSPIRAÇÃO.

BONECA DE PANO! MEMÓRIAS DE UM TEMPO CHEIO DE INSPIRAÇÃO.

Uma das coisas mais bonitas que pode acontecer no decorrer de nossa existência é o aprender a amar e descobrir o quanto somos amados por alguém. E nessa busca meio alucinada de reencontrar pessoas que um dia fizeram parte de nossas vidas achei aqui no Facebook alguém que um dia se fizera tão especial em minha vida e tornou-se a minha fonte de inspiração, mas depois virou só saudades.

A ideia de que a pessoa com quem convivemos um dia desaparecera com o passar do tempo e que antes não havia facilidades de reencontrá-la é algo que nos deixa tão triste porque antes do avanço da tecnologia muitos de nós nos perdemos nas expectativas de um dia por um acaso qualquer do destino pudéssemos descobrir o seu endereço e reaver uma boa amizade.

Era quase década de noventa quando convivi com Rúbia de Aquino Brasil; aquela chefe de trabalho que todos gostariam de ter tido um dia. 

Eu era um Office boy dentro de uma grande empresa chamada Cyrus Impressos Continuos no Rio de janeiro a qual fabricava formulários personalizados para outras grandes empresas, na realidade à época eu era só um menino meio bobo que gostava de fazer poesia e só estava ali pelo salário que recebia tendo em vista outras ambições para uma vida. 

Eu era o office boy da secretaria de vendas que costumava sentar ao lado dela que era tão jovem o quanto eu, mas irradiava brilho como uma grande estrela no exercício de sua função.

Rúbia era uma dessas pessoas que no seu modo meio travesso de ser, sempre roubava a cena atraindo a atenção de todos só para si. E eu sempre tão calado apenas a admirava às vezes tentando sufocar o riso diante de suas peripécias.

Ela não era uma dessas chefes de seção muito fechadas,sérias e insuportáveis mas sim, uma criatura doces,alegres e tão espontâneas; dessas que todo mundo gosta de ter ao seu lado. 

A sua alegria esfuziante às vezes incomodava, mas eu sempre procurava compreender que aquele era o seu jeito tão dócil de ser e que às vezes deixava escapar algo que me fazia entender que ali dentro daquele coração residia um grande ser humano. 

Alguém que com o seu jeito meio diferente de amar parecia me perseguir e ter prazer em me deixar inquieto e aborrecido. Coisa que só vim entender mais tarde com a chegada de um pouco mais de maturidade.

O mais interessante em tudo isso é que em meio as nossas rusgas sempre existiam aquelas voltas e eu continuava admirando-a tanto a ponto de um dia compor uma poesia inspirada nela "Boneca de pano" a qual fiz questão de escrever na dedicatória de um livro quando junto com colegas de trabalho lhe presenteamos com um livro"Quando eu voltar a ser criança" pela passagem do seu aniversário.

Acho que esse poema que escrevi e só publiquei anos depois era a cara dela pois definia aquela menina tão travessa com jeito de moleca que transitava o tempo todo com aquele entusiasmo de sempre pelos corredores da Cyrus Impressos Contínuo.

Boneca de pano

 

Menina bonita
Levada da breca
Ninguém acredita
Parece boneca.

Boneca de pano
Em feitio de trapo
Coração humano
Às vezes farrapo.

Boneca menina
Sete anos de idade
Levada, traquina
Cor de felicidade.


Ontem criança
Flor bem-me-quer
Amanhã a lembrança
De uma rosa mulher!

                                                                                                                                         Foto Ilustrativa

As boas recordações e os bons conselhos.

Algo bem interessante  é que na nossa história de vida algumas pessoas criam raízes lá no fundo do coração da gente e jamais ficam esquecidas. 

Rúbia apesar de muito descontraída e espontânea às vezes se mostrava tão enérgica a ponto de me deixar atônito e com aquela vontade súbita de sumir e nunca mais retornar á aquele lugar  pois, se era tão traquina, quando o assunto era trabalho sabia cobrar com muita seriedade. 

E foi assim que durante tantas vezes ao longo dos anos   consegui vencer muitos obstáculos porque naqueles momentos em que tudo parecia perdido e eu me achava sem forças para continuar a voz de Rúbia parecia ecoar dentro de mim daquele mesmo jeito de antes me dizendo "Para ter iniciativa.”.

Um dia desses tive a felicidade de ter um reencontro maravilhoso com ela através do facebook e ver  que a minha inspiração ao longo do tempo  se tornou uma linda mulher em sua trajetória de vida e então tive a "iniciativa" de escrever esse artigo sobre ela porque, nunca sabemos se teremos todo tempo do mundo para dizer a  alguém o quanto o  admiramos e o quanto esse alguém   foi ,é ou será sempre tão importante para nós.

 Rúbia de Aquino Brasil por tudo isso a minha gratidão! 




 




 


 

 






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