A DANÇA DOS SEGREDOS DESFEITOS

A DANÇA DOS SEGREDOS DESFEITOS
Cumplicidade é quando a alma decide descalçar os sapatos e caminhar nua diante do outro. É o refúgio onde o medo deixa de ser um esconderijo e se transforma em ponte: revela-se a fragilidade, entrega-se o cristal, e é justamente nessa delicadeza que morre a distância.
Amar, nesse tom azul e natural, é ser desprovido de couraças. É o território sagrado onde não há o que esconder — nem o jeito, nem a cor, nem os tropeços do homem comum que tece versos. É a mania bonita de rabiscar o nome do outro nas margens do universo: nas nuvens passageiras, nas folhas dos livros, no vento que sopra e nos grãos de areia onde a imaginação ousa esculpir um sonho.
E quando a cumplicidade atinge sua forma mais pura, ela se torna fauna e flora. É o beija-flor que traz o sol para dentro dos olhos, a abelha que inventa a doçura, a cigarra que empresta a voz para celebrar o bem mais precioso.
No fim, a cumplicidade é a arte de virar avesso e reflexo. É ser corpo, alma e poesia costurados pelo mesmo olhar, onde os dedos já não sabem onde terminam em si e onde começam no outro. É a certeza mansa de que, desnudados de qualquer segredo, vocês já são um só.
SEGREDOS
Se te escondo quem sou
Revelo-te os meus medos
Mas se me abro e me dou
Não existem mais segredos.
Agora somos um só
Corpo, alma, poesia, olhar e dedos
Somos espelhos um do outro
Onde já não existem segredos.
Há uma beleza rara no instante em que o amor deixa de ser busca e passa a ser morada traduzindo a cumplicidade não como um acordo, mas como um transbordamento. É quando os reflexos se fundem e os espelhos se dissolvem, revelando que já não há divisões entre o que sentimos e o que somos. É a poesia ganhando carne, pulso e respiração;pois,quando os segredos dão lugar à nudez da alma, o amor deixa de ser apenas vivido: ele passa a ser respirado a dois.







.png)
.png)
.png)



