Arte, Cultura e Comunicação

sexta-feira, outubro 05, 2012

"O SOL ATREVIDO E O GOSTO DA DOR:A VISITA DO AMANHÃ"

O sol atrevido e o gosto da dor: A visita do amanhã

Amar alguém não é a garantia de um final feliz ou de uma paz permanente; é um ato de pura valentia. É vestir-se de esperança, colocar o sorriso no rosto e abrir a porta para o futuro — o tal "sol atrevido"do poema a seguir — mesmo sabendo que a estação pode mudar e que o outono pode trazer de volta a ausência e o "gosto de dor".

O eu-lírico escolhe viver o presente com intensidade, aceitando o risco do choro contido e da despedida, porque a alternativa — recusar o afeto por medo de sofrer — seria uma forma de morte em vida. É a vulnerabilidade transformada em arte: a certeza de que vale a pena se entregar, ainda que o amanhã traga cicatrizes.

Ao amor que um dia imaginei existir...Dele apenas carrego as boas recordações que ainda me trazem a evidência de cada  partícula do sonho que vivi com alguém que me deu coragem para me despir de mim mesmo.Alguém que talvez tenha me vestido de palhaço mas que eternizou cada instante entre nós dois como se fosse o último.



O amanhã

Você vai chegarComo o sol atrevido
Me encher de energia
Exterminar minha tristeza
E me fazer tua alegria...
Vai me vestir de palhaço
Maquiar o meu rosto
E rir à vontade
Para espantar teu desgosto.
Você vai surgir no outono
Entrelaçado de cores
Me revelar o teu nome
E também os teus amores...
E quando você chegar
Vou estar desprevenido
Tentando meus versos rimar
Em contas de um choro contido.
Então você vai entrar
Sorrindo qual uma flor
Talvez depois me deixar
Sentindo um gosto de dor...
Me encher de energia
Exterminar minha tristeza
E me fazer tua alegria...
Vai me vestir de palhaço
Maquiar o meu rosto
E rir à vontade
Para espantar teu desgosto.
Você vai surgir no outono
Entrelaçado de cores
Me revelar o teu nome
E também os teus amores...
E quando você chegar
Vou estar desprevenido
Tentando meus versos rimar
Em contas de um choro contido.
Então você vai entrar
Sorrindo qual uma flor
Talvez depois me deixar
Sentindo um gosto de dor...


Tony Caroll.

A esperança não é como um conto de fadas indestrutível, mas como um risco necessário. A visita do amanhã (ou do amor) pode ser efêmera, deixando para trás o rastro agridoce da saudade.

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