Arte, Cultura e Comunicação

sábado, agosto 17, 2013

Um ônibus criativo cheio de aplausos e risos...

 Do improviso a cumplicidade

A pauta de uma cia de teatro deve estar sempre bem recheada de bons assuntos para serem discutidos e se algum assunto não soa  muito bem aos ouvidos de alguns componentes isso nunca deve ser motivo de frustração ou desistência pois,é certo que o ator inteligente sabe sempre criar novos rituais e transformar uma coisa na outra.

Se a ideia da cumplicidade entre ator e espectador pode parecer meio absurda por que não buscar isso entre personagens depois entre os atores e por fim entre ator e espectador?



Isso funciona quando o ator interessado em aprender e disposto a vencer novos desafios abraça o improviso criando para ele personagens despidos de certos preconceitos e se entrega a ilusão da troca de ideias entre os outros personagens ou quando ele vai além disso buscar essa cumplicidade sendo ele mesmo entre as pessoas do seu convívio.

Estar na pele de alguns personagens improvisados sempre será um passo para depois criar essa cumplicidade dentro do próprio elenco e depois vestir  o personagem que lhe está designado e por fim criar essa sintonia com o seu público.

Um ônibus feito plateia

Certa vez eu estava dentro de um ônibus quando entrou um ator desconhecido,inventou a sua plateia,contracenou com ela e cativou a todos.Ali era ele o único ator que na sua forma bem descontraída de atuar improvisou o seu texto para anunciar uma campanha em favor de certa entidade da qual fazia parte.

O mais interessante de tudo foi  a cumplicidade que ele conseguiu criar entre os passageiros.Até aquele momento todos eram apenas pessoas desconhecidas e caladas no seu trajeto,mas o bom ator começou a dar nomes as pessoas relacionando a fisionomia de cada um com alguma personalidade bem conhecida.Um fora apelidado de Fernando Henrique Cardoso ,o outro Geraldo Alkimim,o outro Sergio Cabral,Cesar Maia,Fernanda Montenegro,Regina Duarte,Ziraldo,Marcelo Rossi  e assim sucessivamente.

O jeito tão sério mas tão hilário de apresentar os seus personagens era realmente algo digno de aplausos.Aquele jovem ator parecia mágico na sua forma de interpretar e conduzia a sua fala de forma tão gentil e simpática que prendia a atenção de seus espectadores que de tão envolvidos pareciam não mais querer chegar aos seus destinos.

Naquela tarde dentro do ônibus 422 fui apresentado a todos como José Serra atual prefeito de São Paulo e por um momento me senti muito orgulhoso,pela forma tão glamourosa e o jeito tão especial do cumprimento daquele jovem ator.

Afinal havíamos sido premiados com o talento e a belíssima atuação daquele moço que por uma causa nobre conseguira transformar o espaço daquele veículo numa grande plateia que ia se desfazendo e se renovando a cada nova parada do ônibus.


 Este é mais um projeto que vale a pena conferir:


sexta-feira, agosto 09, 2013

Afinal O que foi a noite das mal dormidas?

Um grande espetáculo de Neils Petersen encenado por diversos   grupos teatrais e apresentado inúmeras vezes nos mais variados espaços  e que tem se consumado ao longo do tempo sem nunca envelhecer.

De vez em quando alguma cia lança mão do texto e cria um novo espetáculo cheio de novas nuances.Mas o que teria  noite das mal dormidas para chamar tanta atenção de alguns elencos e diretores?


 O que sei é que há um segredo no texto que dá ao ator a oportunidade de gerar essa cumplicidade entre ele e o seu público.É como se os personagens mandassem recados  a plateia e ela respondesse de imediato,como se o teor do espetáculo fosse uma troca de idéias onde tanto ator quanto  o espectador se sentissem na responsabilidade de um fazer graça para o outro rir e aplaudir.

Não sei se isso acontece hoje em dia pois cada espetáculo tem o dedo e a alma do seu diretor mas na década de noventa os atores não permaneciam em seus camarins a espera do seu público e sim surgiam caracterizados na entrada do teatro para recebê-lo.

Acho que o espetáculo começava ali mesmo quando de forma bem descontraída os atores realizavam o trabalho de entreter as pessoas com um improviso bem inteligente fazendo com que cada espectador que chegasse se sentisse mais um personagem do espetáculo que seria apresentado.

Era tudo meio mágico pois atores e espectadores se portavam como velhos conhecidos e se havia um ou outro meio tolhido por certa timidez logo se sentia tão a vontade e envolvido por aquele  clima propositalmente descontraído.


Talvez essa seja uma boa receita para alguns atores ou certos grupos que ainda não pensaram em destruir o terrível ritual de todos os dias que é o antagonismo que gera desinteresse no espectador e frustração entre os atores.

Isso muitas das vezes é o motivo do fim de alguns grupos e de atores que se depreciam sem inspiração por falta de bons exercícios que possam gerar essa cumplicidade.

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sábado, agosto 03, 2013

Ator,espectador e cumplicidade.

Assim como o  espectador está para o ator também o ator deve estar estar para o espectador na busca de certa cumplicidade.O egoísmo do ator muitas da vezes cria uma distancia entre personagem e plateia em certos momentos fazendo-a tão ausente como se estivesse vazia ou não houvesse algum espetáculo em cena.

O espectador não é algo invisível ou mera criatividade do ator mas pode se tornar um personagem magnifico e contracenar ou não com ele.Quando o bom ator compreende isto,está a um passo dessa cumplicidade que certamente vai lhe render muito em sua atuação.



 Imagem " Como vencer na vida sem fazer força".


O que é essa cumplicidade?

Nada mais do que compreender que o espectador não está ali por um acaso mas alguma coisa o atraiu para assistir aquele espetáculo e a ideia de completar-se em cena é maravilhosa para o ator que não quer interpretar para o nada mas sim para alguém tão importante o quanto ele.

Entendendo que o espectador tem lá os seus anseios,busca suas respostas,vibra,rir ,aplaude e chora é também desanimador para o ator quando algum espectador sai de cena pois o que está diante dele não atende as suas expectativas.

Então o que fazer para manter um bom espectador na plateia?

A princípio também compreender que o melhor espectador é aquele que se sente ou se identifica com algum personagem e na sua viagem do momento faz parte da história que lhe está sendo apresentada.

O ator que sabe compartilhar uma cena não precisa de muito esforço ,um exibicionismo exacerbado para ganhar um público pois a sua forma inteligente de trata-lo traz em evidência essa cumplicidade que gera empatia entre ator e espectador e por fim admiração mútua

Bons amadores,péssimos atores.

Sabemos que existem muitos bons atores que vendem muitos espetáculos sem saírem do lugar e isso é fruto de certa confiança que muitos fãs depositam naqueles que admiram.Por esse motivo sempre existe a ideia de introduzir alguém famoso em espetáculos de amadores.

Isso nem sempre funciona porque existem famosos que também não tem essa cumplicidade com o público como também muitos não famosos que valorizam tanto a sua plateia que o seu nome em um cartaz é o suficiente para esgotar uma bilheteria.

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