Arte, Cultura e Comunicação

domingo, novembro 03, 2013

DESENHOS PARA COLORIR A INFÂNCIA;ONDE ESTÃO ELES AGORA?

 
 O que existiam realmente no formato das nuvens onde os meus olhos tão inocentes viviam a admirar?

 

Um dia percebi que as nuvens se mexiam,desenhavam imagens que logo se desmanchavam como em um passe de mágica deixando-me encantado.Acho que essa foi a primeira decepção que eu tive na vida e infelizmente ela vinha lá do céu. Mas hoje, tenho quase certeza que esse foi o meu melhor aprendizado pois, apesar das nuvens me decepcionarem, no outro dia eu estava novamente lá imaginando coisas e criando novas imagens que na realidade estavam apenas em meu pensamento tolo e no coração de menino que nunca tivera um brinquedo.


Hoje encontrei em um livro da V CLIPP/Concurso literário de Presidente Prudente essa linda poesia que não é de minha autoria mas que me fez mergulhar no passado e reencontrar aquele menino tão cheio de imaginações que desenhava apenas com os olhos a felicidade e o desejo de passear no céu entre as nuvens.

Desenhos



Cresci demais
E não enxergo mais desenhos nas nuvens
Nem tenho mais os olhos curiosos

Cresci demais
E agora enxergo o amarelo dos sorrisos,
Tenho olhos tristes,
Mas ainda carinhosos com aquilo que me afaga

Cresci e sei que não existem monstros debaixo da cama
Mas ás vezes me escondo lá
Ás vezes jogo lá meus problemas

Abria os braços a um abraço de afeto cego e intenso
Agora abro meu peito
E grito ao mundo a dor muda que me corrói

Danço com lobos
Na busca faminta de continuar vivendo
E são leões todos os dias

Tinha o rosto seco
Tenho agora uma chuva particular

Antes sonhava em viajar no tempo
Agora projeto voltar a ser aquele

Mas nem é pela dor,
Pela tristeza ou amargura
Crescer é necessário!
Só queria enxergar desenhos nas nuvens.

Davi T. de Aquino Raimundo


O Preço da Maturidade

Este poema é um mergulho profundo e agridoce no processo inevitável do amadurecimento. Com uma honestidade brutal, o eu-lírico não lamenta apenas a perda da inocência, mas a transformação radical da própria lente com que vê o mundo.

A obra constrói um contraste poderoso entre o "antes" — um tempo de imaginação livre, onde nuvens ganhavam formas fantásticas e o afeto era cego e absoluto — e o "agora", marcado pela complexidade das relações, pela dor silenciosa e pela luta diária pela sobrevivência ("dançar com lobos").

Há uma resignação dolorosa na certeza de que "crescer é necessário", mas também uma vulnerabilidade palpável no desejo final: não voltar a ser criança, mas recuperar a capacidade simples de maravilhar-se. É um lamento lírico por aquela parte de nós que se perde quando aprendemos demais sobre a realidade. 
 Expressão de Resignação e Melancolia
 
Ao publicar essa imagem, procurei traduzir visualmente o sentimento de "cresci demais" e a perda da capacidade de ver "desenhos nas nuvens".
 
Acho que  a cena de um homem adulto sentado em um parapeito, olhando para uma cidade cinzenta e chuvosa ilustra muito bem o poema em questão. 
 
Observe que o ambiente interno está empoeirado e cheio de livros, simbolizando o peso do conhecimento e da maturidade. 
 
O detalhe central é o vidro da janela: ele está embaçado pela respiração e, com o dedo, o nosso personagem desenhou o contorno simples de uma nuvem e uma estrela, um gesto que remete diretamente à infância e que contrasta fortemente com a realidade fria e adulta do lado de fora. 
 
A expressão dele é de resignação e melancolia, capturando perfeitamente o tom do poema "Desenhos."

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