O mundo é um moinho ou apenas um coração que pulsa dentro de cada um de nós?
Às vezes precisamos olhar através do nosso espelho interior para que possamos compreender o quanto é difícil enxergarmos a nós mesmos e o mais importante:aceitarmos que a imagem que vemos no lado de dentro nem sempre é aquela que esperamos ter refletida do lado de fora de cada um de nós.
Somos sempre dominados pela teimosia de que
aquele defeito que nos assusta de imediato não faz parte de nós, mesmo quando
ele está entranhado ofuscando os nossos sentimentos. A verdade é que: muitas das
vezes as pessoas são apenas o reflexo daquilo que somos. Mas será que são
mesmo?
O interessante em tudo isso é que percebemos de
imediato os defeitos dos outros, mas nunca os aceitamos como nossos defeitos. Um
dos grandes erros que cometemos no nosso dia a dia é que estamos sempre em
busca de nossas muitas qualidades e nunca hesitamos para então consertarmos aquela
coisinha que parece tão errada dentro de cada um de nós.
Mas se é verdade que as pessoas são o reflexo daquilo que somos
então também refletimos qualidades e, em nome de nossa vaidade novamente
cometemos erros graves pois, na balança enganosa do nosso próprio coração sempre
achamos que as qualidades pesam tanto e os defeitos quase nada.
Qual de nós nunca pensou em consertar o mundo?
Mas se houvesse conserto para tantas coisas como
ficariam os nossos olhos se antes de tudo não consertássemos dentro de nós
aquilo que parece não ter importância nenhuma? Certamente eles se perderiam num
emaranhado de coisas, mostrariam ao mundo sua frustração ou ficariam calados e
tristes em compreender que tantos erros que estão no nosso interior poderiam
estar também ofuscando o exterior e contagiando tudo a nossa volta.
Quando assumimos o papel de verdadeiros heróis na
humanidade esquecemos também as nossas fragilidades e nos tornamos inchados de
tantas razões que apenas contribuem para que os nossos defeitos sejam
arquivados no coração.
Refletindo bem sobre a força e a fragilidade das
coisas o que seria mais fácil para cada um de nós, mover um moinho ou lapidar
um coração? Um moinho pode ser visto por todos e pode ser admirado pelas suas
funções, mas e o coração? O coração da gente é algo tão particular e só pode ser
tocado por cada um de nós.
E a ideia de transformar o mundo deveria ser
motivo de muita reflexão porque nem sempre teremos o material perfeito para
ilustrar qualquer cenário o qual julgamos defeituoso. Compreender certas coisas
quando se trata de beleza, qualidades, feiura e defeitos devem ser algo de sumo
importância em nossa pauta de vida, pois se a beleza atrai os olhos, também
pode ser enganosa e a feiura é apenas invenção dos homens.
O que existiam realmente no formato das nuvens onde os meus olhos tão inocentes viviam a admirar?
Um dia percebi que as nuvens se mexiam,desenhavam imagens que logo se desmanchavam como em um passe de mágica deixando-me encantado.Acho que essa foi a primeira decepção que eu tive na vida e infelizmente ela vinha lá do céu. Mas hoje, tenho quase certeza que esse foi o meu melhor aprendizado pois, apesar das nuvens me decepcionarem, no outro dia eu estava novamente lá imaginando coisas e criando novas imagens que na realidade estavam apenas em meu pensamento tolo e no coração de menino que nunca tivera um brinquedo.
Hoje encontrei em um livroda V CLIPP/Concurso literário de Presidente Prudente essa linda poesia que não é de minha autoria mas que me fez mergulhar no passado e reencontrar aquele menino tão cheio de imaginações que desenhava apenas com os olhos a felicidade e o desejo de passear no céu entre as nuvens.
Desenhos
Cresci demais E não enxergo mais desenhos nas nuvens Nem tenho mais os olhos curiosos Cresci demais E agora enxergo o amarelo dos sorrisos, Tenho olhos tristes, Mas ainda carinhosos com aquilo que me afaga Cresci e sei que não existem monstros debaixo da cama Mas ás vezes me escondo lá Ás vezes jogo lá meus problemas Abria os braços a um abraço de afeto cego e intenso Agora abro meu peito E grito ao mundo a dor muda que me corrói Danço com lobos Na busca faminta de continuar vivendo E são leões todos os dias Tinha o rosto seco Tenho agora uma chuva particular Antes sonhava em viajar no tempo Agora projeto voltar a ser aquele Mas nem é pela dor, Pela tristeza ou amargura Crescer é necessário! Só queria enxergar desenhos nas nuvens.
Davi T. de Aquino Raimundo
O Preço da Maturidade
Este poema é um mergulho profundo e agridoce no processo inevitável do amadurecimento. Com uma honestidade brutal, o eu-lírico não lamenta apenas a perda da inocência, mas a transformação radical da própria lente com que vê o mundo.
A obra constrói um contraste poderoso entre o "antes" — um tempo de imaginação livre, onde nuvens ganhavam formas fantásticas e o afeto era cego e absoluto — e o "agora", marcado pela complexidade das relações, pela dor silenciosa e pela luta diária pela sobrevivência ("dançar com lobos").
Há uma resignação dolorosa na certeza de que "crescer é necessário", mas também uma vulnerabilidade palpável no desejo final: não voltar a ser criança, mas recuperar a capacidade simples de maravilhar-se. É um lamento lírico por aquela parte de nós que se perde quando aprendemos demais sobre a realidade.
Expressão de Resignação e Melancolia
Ao publicar essa imagem, procurei traduzir visualmente o sentimento de "cresci demais" e a perda da capacidade de ver "desenhos nas nuvens".
Acho que a cena de um homem adulto sentado em um parapeito, olhando para uma cidade cinzenta e chuvosa ilustra muito bem o poema em questão.
Observe que o ambiente interno está empoeirado e cheio de livros, simbolizando o peso do conhecimento e da maturidade.
O detalhe central é o vidro da janela: ele está embaçado pela respiração e, com o dedo, o nosso personagem desenhou o contorno simples de uma nuvem e uma estrela, um gesto que remete diretamente à infância e que contrasta fortemente com a realidade fria e adulta do lado de fora.
A expressão dele é de resignação e melancolia, capturando perfeitamente o tom do poema "Desenhos."
Em um tempo onde o silêncio era a arma mais vil de uma ditadura, a Praça de Maio, em Buenos Aires, tornou-se o epicentro de um terremoto silencioso. O poema abaixo, com sua métrica tocante, descreve com precisão o que aconteceu: mulheres, inicialmente vistas como frágeis ou "loucas", transformaram sua dor pessoal em uma resistência política monumental.
Elas não precisaram gritar para serem ouvidas; o peso de seus lenços brancos e a imagem dos rostos desaparecidos — filhos, netos, maridos roubados — ecoaram um "grito amplificado" para o mundo. Enfrentando o desprezo e a violência do poder, elas "resistiram agarradas à esperança", marchando em círculos, semana após semana, contra o esquecimento.
As mães da praça de maio
As mães da Praça de Maio Geraram protestos viris Em calados gritos amplificados Filhos, netos, irmãos e maridos roubados: Sem qualquer explicação Por vezes, chamadas de loucas! Mal abriam suas bocas Mas não pouparam manifestação As mães da "Plaza" de Maio Resistiram agarradas à esperança Quantos maios e junhos passaram... Notícias não chegaram Em meio à tristeza restaram os viços A força de demonstrar suas indignações O desprezo às maquinações À injustiça, a tantos sumiços! As mães da Praça de Maio Mulheres de coração dilacerado Levantaram retratos, indignadas! Não, não eram almas penadas E sim, a nobreza; a seiva feminina Do governo, exigiram decência O fim de tanta violência Quando se foi tão triste, a Argentina.
Eder Quirino Cavalcante
Extraído do livro V CLIPP/Concurso literário de Presidente Prudente
O que adormece a alma é a desilusão porém o que a desperta é a esperança que lhe impulsiona a acreditar que um novo horizonte vai surgir diante dos seus olhos e assim impregnar novamente de sonhos os seus corações.
E impulsionadas pela força que ilumina o peito lá estão elas novamente clamando por justiça e desenhando em seus próprios corações as imagens de um reencontro.
O que dizer dessas mães que ainda esperam pelos seus filhos e emocionadas chegam a confundir palavras de ordem com o nomes daqueles que um dia partiram?
A pauta de uma cia de teatro deve estar sempre bem recheada de bons assuntos para serem discutidos e se algum assunto não soa muito bem aos ouvidos de alguns componentes isso nunca deve ser motivo de frustração ou desistência pois,é certo que o ator inteligente sabe sempre criar novos rituais e transformar uma coisa na outra. Se a ideia da cumplicidade entre ator e espectadorpode parecer meio absurda por que não buscar isso entre personagens depois entre os atores e por fim entre ator e espectador?
Isso funciona quando o ator interessado em aprender e disposto a vencer novos desafios abraça o improviso criando para ele personagens despidos de certos preconceitos e se entrega a ilusão da troca de ideias entre os outros personagens ou quando ele vai além disso buscar essa cumplicidade sendo ele mesmo entre as pessoas do seu convívio. Estar na pele de alguns personagens improvisados sempre será um passo para depois criar essa cumplicidade dentro do próprio elenco e depois vestir o personagem que lhe está designado e por fim criar essa sintonia com o seu público.
Um ônibus feito plateia
Certa vez eu estava dentro de um ônibus quando entrou um ator desconhecido,inventou a sua plateia,contracenou com ela e cativou a todos.Ali era ele o único ator que na sua forma bem descontraída de atuar improvisou o seu texto para anunciar uma campanha em favor de certa entidade da qual fazia parte. O mais interessante de tudo foi a cumplicidade que ele conseguiu criar entre os passageiros.Até aquele momento todos eram apenas pessoas desconhecidas e caladas no seu trajeto,mas o bom ator começou a dar nomes as pessoas relacionando a fisionomia de cada um com alguma personalidade bem conhecida.Um fora apelidado deFernando Henrique Cardoso ,o outro Geraldo Alkimim,o outro Sergio Cabral,Cesar Maia,Fernanda Montenegro,Regina Duarte,Ziraldo,Marcelo Rossie assim sucessivamente. O jeito tão sério mas tão hilário de apresentar os seus personagens era realmente algo digno de aplausos.Aquele jovem ator parecia mágico na sua forma de interpretar e conduzia a sua fala de forma tão gentil e simpática que prendia a atenção de seus espectadores que de tão envolvidos pareciam não mais querer chegar aos seus destinos. Naquela tarde dentro do ônibus 422 fui apresentado a todos como José Serra atual prefeito de São Paulo e por um momento me senti muito orgulhoso,pela forma tão glamourosa e o jeito tão especial do cumprimento daquele jovem ator. Afinal havíamos sido premiados com o talento e a belíssima atuação daquele moço que por uma causa nobre conseguira transformar o espaço daquele veículo numa grande plateia que ia se desfazendo e se renovando a cada nova parada do ônibus.
Um grande espetáculo de Neils Petersen encenado por diversos grupos teatrais e apresentado inúmeras vezes nos mais variados espaços e que tem se consumado ao longo do tempo sem nunca envelhecer. De vez em quando alguma cia lança mão do texto e cria um novoespetáculo cheio de novas nuances.Mas o que teria noite das mal dormidas para chamar tanta atenção de alguns elencos e diretores?
O que sei é que há um segredo no texto que dá ao ator a oportunidade de gerar essa cumplicidade entre ele e o seu público.É como se os personagens mandassem recados a plateia e ela respondesse de imediato,como se o teor do espetáculo fosse uma troca de idéias onde tanto ator quanto o espectador se sentissem na responsabilidade de um fazer graça para o outro rir e aplaudir. Não sei se isso acontece hoje em dia pois cada espetáculo tem o dedo e a alma do seu diretor mas na década de noventa os atores não permaneciam em seus camarins a espera do seu público e sim surgiam caracterizados na entrada do teatro para recebê-lo. Acho que o espetáculo começava ali mesmo quando de forma bem descontraída os atores realizavam o trabalho de entreter as pessoas com um improviso bem inteligente fazendo com que cada espectador que chegasse se sentisse mais um personagem do espetáculo que seria apresentado. Era tudo meio mágico pois atores e espectadores se portavam como velhos conhecidos e se havia um ou outro meio tolhido por certa timidez logo se sentia tão a vontade e envolvido por aquele clima propositalmente descontraído.
Talvez essa seja uma boa receita para alguns atores ou certos grupos que ainda não pensaram em destruir o terrível ritual de todos os dias que é o antagonismo que gera desinteresse no espectador e frustração entre os atores. Isso muitas das vezes é o motivo do fim de alguns grupos e de atores que se depreciam sem inspiração por falta de bons exercícios que possam gerar essa cumplicidade. CONFIRA: Técnicas Lúdicas e atividades Interessantes que farão você pensar mais rápido e se divertir com sua família e amigos. Ebook muito especial com 15 Jogos Teatrais Muito divertidos e com um alto poder de desenvolvimento Para Jovens Artistas.
Assim como o espectador está para o ator também o ator deve estar estar para o espectador na busca de certa cumplicidade.O egoísmo do ator muitas da vezes cria uma distancia entre personagem e plateiaem certos momentos fazendo-a tão ausente como se estivesse vazia ou não houvesse algum espetáculo em cena. O espectador não é algo invisível ou mera criatividade do ator mas pode se tornar um personagem magnifico e contracenar ou não com ele.Quando o bom ator compreende isto,está a um passo dessa cumplicidade que certamente vai lhe render muito em sua atuação.
Imagem " Como vencer na vida sem fazer força".
O que é essa cumplicidade?
Nada mais do que compreender que o espectador não está ali por um acaso mas alguma coisa o atraiu para assistir aquele espetáculo e a ideia de completar-se em cena é maravilhosa para o ator que não quer interpretar para o nada mas sim para alguém tão importante o quanto ele. Entendendo que o espectador tem lá os seus anseios,busca suas respostas,vibra,rir ,aplaude e chora é também desanimador para o ator quando algum espectador sai de cena pois o que está diante dele não atende as suas expectativas.
Então o que fazer para manter um bom espectador na plateia?
A princípio também compreender que o melhor espectador é aquele que se sente ou se identifica com algum personagem e na sua viagem do momento faz parte da história que lhe está sendo apresentada. O ator que sabe compartilhar uma cena não precisa de muito esforço ,um exibicionismo exacerbado para ganhar um público pois a sua forma inteligente de trata-lo traz em evidência essa cumplicidade que gera empatia entre ator e espectador e por fim admiração mútua
Bons amadores,péssimos atores.
Sabemos que existem muitos bons atores que vendem muitos espetáculos sem saírem do lugar e isso é fruto de certa confiança que muitos fãs depositam naqueles que admiram.Por esse motivo sempre existe a ideia de introduzir alguém famoso em espetáculos de amadores. Isso nem sempre funciona porque existem famosos que também não tem essa cumplicidade com o público como também muitos não famosos que valorizam tanto a sua plateia que o seu nome em um cartaz é o suficiente para esgotar uma bilheteria. Conheça Técnicas Lúdicas e atividades Interessantes que farão você pensar mais rápido e se divertir com sua família e amigos. Ebook muito especial com 15 Jogos Teatrais Muito divertidos e com um alto poder de desenvolvimento Para Jovens Artistas.
Um dia desses me surpreendi com uma mensagem que dizia mais ou menos assim: Tony preciso fazer um trabalho na escola e escolhi você.Esse trabalho se resume numa entrevista será que você pode me ajudar?A seguir umas perguntas e o coração de Daniel que ficou ansioso pela minha resposta.Soube depois que ele vibrou quando eu lhe disse sim com o meu coração repleto de gratidão.Mas afinal quem era Daniel Silveira?Um menino de doze anos que na sua ansiedade de elaborar um bom trabalho escolar saiu garimpando na internet alguma coisa que pudesse satisfazer a sua curiosidade sobre a vida de um escritor.Nossa!Ele podia ter escolhido alguém de renome como Paulo Coelho,mas fora uma postagem sobre a minha infância que o deixara impregnado de alguma coisa que ele queria entender e talvez desvendar.Carinhosamente respondi as suas perguntas e ele após organizar o seu trabalho fez questão de me enviar uma cópia.Agradeci a tão sutil homenagem de Daniel e depois emudeci mergulhado nas minhas emoções e envolvido com outra pergunta que o presente não pode me responder.Será que estou diante de um grande jornalista?Desses ícones que de forma sábia , sublime e surpreendente constroem grandes histórias?Não sei,o que sei é que Daniel Silveira inundou o meu coração de um sentimento bonito colorido de esperança e me fez ter certeza de uma coisa: O futuro de crianças tão dóceis como ele depende nós.
Uma biblioteca feita de pedra e barro molhado
Antonio Carolino Bezerra Nasceu na cidade de Nilópolis RJ. Na infância começou a escrever pequenos versos onde o sonho de ser escritor começou.Era muito tímido e sempre um aluno comportado em sala de aula e muito observado pelos professores que ao final de cada ano lhe presenteavam com livros e enciclopédias , por isso até passou a gostar da leitura. Sempre admirado pelos colegas e amigo de todos, era considerado muito inteligente e isso às vezes o incomodava. Tentando dar asas a sua imaginação, um dia com a ajuda do irmão que mais tarde se tornou pedreiro profissional, construiu uma casinha de pedras e barro molhado e dentro dela acomodou todos os seus livros e gibis; e todos os dias a visitava onde ficava horas lendo histórias naquele lugar que chamava de sua biblioteca. Entre os seus livros preferidos estava a cartilha “pompom meu gatinho” de Thereza Neves da Fonseca. Livro esse que lhe fez apaixonar-se pela leitura e imaginar-se personagem de algumas histórias. E entre suas histórias preferidas estava uma em que uma senhora de nome Rita, apavorada subia numa cadeira com medo de uma barata. E os personagens que marcaram a sua infância não podiam deixar de ser, Olavo, Moema e Diva os quais apresentavam toda cartilha.
Daniel —
Qual o seu nome completo?
Tony
Caroll — Antonio Carolino Bezerra
Daniel
— O seu nome Artístico?
Tony Caroll—Tony Caroll - Esse não é bem um nome artístico e sim um
pseudônimo. Acho que nome artístico se dá mais para artistas de tv e eu não me
considero assim pois escrevo apenas para o teatro.
Daniel
— Como surgiu esse pseudônimo?
Tony Caroll— Esse nome surgiu de súbito lá pelo fim da década de
noventa quando o líder de uma cooperativa de arte em que eu fazia parte me
perguntou como seria meu pseudônimo e eu então meio atrapalhado e tendo que dar
a resposta de imediato, cortei o meu nome e sobrenome pelo meio e então ficou
assim: Tony de Antonio e Carol de Carolino.Mais tarde um amigo meu e editor(Roberto Carelli) acrescentou mais um
L e ficou:Tony Caroll.
Daniel
— O que te estimulou a fazer essas obras?
Tony Caroll — O que me estimulou e estimula é sempre o ser humano. Sou
apaixonado por seres humanos, pois acho que essa foi a maior obra que Deus criou.
É claro que o diabo tenta estragá-la colocando dentro desses humanos
sentimentos muito ruins. Mas na sua essência o ser humano é lindo. Também gosto
muito de flores e borboletas e, com isso procuro enfeitar o nosso universo.
Daniel
— Em que você se inspira?
Tony Caroll— Tudo me traz inspiração; Um pardal se protegendo do frio
embaixo do beiral de um telhado, uma lágrima de alguém, uma palavra qualquer e
etc. Mas a minha maior inspiração vem mesmo de pessoas que observo, transformo
em personagem e crio um universo e uma história para ela. Costumo dizer que
meus personagens existem e quando não os conheço um dia os encontro pela rua e
digo para mim mesmo: Esse é aquele personagem que um dia escrevi.
Daniel
— Com quantos anos você começou a escrever?
Tony Caroll —
Eu tinha uns sete anos quando fiz uma música cheia de rimas para uma menina que
eu amava muito. Algo sem pé nem cabeça. Um dia essa menina foi embora e então
que cheio de tristeza, comecei a escrever versos para ela e construir histórias
para não morrer de saudade.
Daniel —A sua família o ajudou a chegar até aqui?
Tony Caroll —Sim, de uma forma ou de outra a família sempre ajuda.
Daniel — Até
hoje qual foi a obra que você mais gostou?
Tony Caroll —
Essa é uma pergunta difícil de responder, pois todas são muito importantes; mas
a que considero a mais bem escrita é a peça"De corpo, alma e coração"que relata todo
flagelo do ser humano. No entanto a que mais gosto é"Casa Velha” a segunda peça que
escrevi, não sei o porquê, mas talvez porque naquele momento nutria um
sentimento de amor muito verdadeiro por alguém e acho que coloquei tudo isso no
papel.
Daniel — Você
tem algum livro publicado? Se tiver fale o nome.
Tony Caroll — Sim, "Amor
Minha Última palavra" Um livro de poesias publicado pela editora
radar que esgotou logo. Depois a editora passou a trabalhar apenas com
espetáculos teatrais e não seguiu com publicações. Ao longo do tempo escrevi
muito para teatro e textos teatrais são apresentados ao público através de
atores e não muito publicados. Mas vêm novidades por aí.
Daniel — E
qual é o estilo da sua obra?
Tony Caroll —
Escrevo romances, teatros evangélicos ou não, poesia, contos, um pouco de cada
coisa.
Daniel —A quem você dedicaria a sua obra?
Tony Caroll —
Sempre que escrevo algo novo, dedico a alguém que tenha me inspirado criar
algum novo personagem. Mas também se existe alguém que merece tamanha dedicação
são aquelas pessoas que um dia fizeram parte de um momento importante em nossa
vida e eu ainda me recordo muito Adriana
Pimentel a minha primeira leitora que tanto me incentivou no início
quando vibrava e discutia comigo tudo aquilo que eu escrevia. Essa não merece
só uma obra dedicada, mas também um troféu.
Daniel —
Você quer deixar aqui algum recado?
Tony Caroll —
Daniel que prazer enorme ter sido escolhido por você para essa entrevista. Fico
muito feliz em que tenha interesse na minha biografia e lhe agradeço muito por
isso.
Para Daniel Silveira a minha gratidão em forma de música.
Defesa
Você em odeia por te amar Me repugna por te querer Fica ao avesso Enquanto só eu pago o preço Que é ter que te esperar Esperar que você ao menos dê um grito Que espante esse teu medo de amar Pois enquanto te amo,me odeias Enquanto me odeias,te amo E possuído por este amor que guardo no peito Reclamo: Ah como eu quería que tu me amasses Porque antes que tu chegasses Já te quería embora estivesse mudo E já te pedia: Me ame apesar de tudo.
Sempre existe algo dentro do coração que não dá para esquecer e quando esse algo se refere ao amor que dedicamos a alguém fica guardada dentro de nós as lembranças que cultivamos a cada instante quando alguma coisa nos leva a recordar os momentos tão felizes em que vivemos ao lado de um grande amor.
E a música é sem dúvida um pouco ou quase tudo daquilo que se eterniza dentro de nós como se fosse um retrato de uma história que sempre fazemos questão de recordar.
Falar de saudade,tentar um reencontro,procurar razões que justifiquem algum sentimento,tudo isso são ofícios da boa música que representa o coração que ama,sofre, quer e faz do desejo um sonho.
Porém se o coração é mestre em saber lapidar sentimentos, a música bem interpretada sempre será a voz perfeita daquilo que o coração quer dizer.
Ouvindo “esqueça”na voz de Rodrigo Rios tenho a impressão de que ele seja o narrador de uma linda história de amor ou até mesmo o mensageiro certo para dar vida a um coração machucado por não ser correspondido.Como ficou bonito esse conjunto de coisas orquestrado pelo romantismo onde letra,ritmo,voz,sentimentos e interpretação resultam em um momento tão esplendoroso e tão especial de ouvir.
Aliás,é Rodrigo Rios quem está dizendo tantas coisas através desta melodia tão simplória que só faz bem ao coração da gente;e é tão importante dizer o quanto ele faz isso tão bem.
A voz tão sutil,recheando cada frase com uma beleza que chega a ser um bálsamo para os ouvidos é um convite para vivermos uma nova história de amor todas as vezes em que a escutamos nesse tom que só o coração de um romântico apaixonado pode entender.
É tão bom perceber que no meio de toda essa parafernália onde qualquer coisa é considerada música,existe um Rodrigo Rios interpretando de forma tão intensa uma mensagem tão verdadeira que soa como um carinho a qualquer um coração por aí desprezado.
Saber transmitir algo a um
coração é um dom tão bonito que só alguns sabem exercer,seja através de
um gesto,uma palavra,uma atitude pois acalentar é antes de tudo saber
doar-se sem reservas,emprestar-se a um talento para que ele tome
forma,dedicar-se para que o amor venha acontecer, e isso Rodrigo Rios faz muito bem quando nos proporciona mais essa canção tão cheia de sentimentos e poesia.
AS BORBOLETAS,OS LIVROS,O CIRCO E O MEU PRIMEIRO AMOR...
Essas e outras coisas aconteciam enquanto a vida ia correndo em um bairro tão deserto e esquecido em um recanto qualquer do município de Nova Iguaçu RJ.
Comecei a gostar das letras ainda menino;porém foi aos treze anos de idade que talvez na tentativa de explicar não sei o quê;quem sabe a infância pobre dentro de um grande quintal sem muros,cercado pelos matagais e árvores frondosas,numa casinha de um único cômodo onde a janela era simbolicamente fechada por uma cortina improvisada com sacos de estopa e a porta, as costas surradas de um velho guarda-roupas que ia e vinha de um lado para o outro nas noites frientas e no amanhecer de um novo dia,quando os bois carregando as suas crias,se aproximavam soltando aquele bafo quente em meio aos seus mugidos escandalosos como se quisessem apenas me despertar...
Lembro-me ainda da inocência perdida no tempo,onde encontrei os meus primeiros quatro grandes amores,os quais jamais os esqueci:as borboletas que caçava dentro do mato;os livros que me diziam tantas coisas;o circo que me fazia mergulhar na ilusão e desabar em gargalhadas e, a menina loira e linda que me deixou apaixonado só em pegar em suas mãos...
E se tudo isso forem só lembranças,hoje ainda faço questão de eternizá-las dentro de mim porque,tudo subsiste.As borboletas que até hoje sobrevoam o meu quintal e acabam pousando nas páginas de meus livros em forma de poesia,os livros que descansam na estante ou nascem no barulho da máquina de escrever,o circo que foi embora mas não levou o menino moleque que ainda reside dentro de mim e, a menina linda que depois daquele passeio de mãos dadas,mudou-se não sei para onde e nunca mais a vi,mas deixou impregnado em minha mão,o calor febril da sua mão.
O bairro a que me refiro é o "bairro Pioneiro" conhecido popularmente como "Mangueira" localizado no município de Nova Iguaçu dentro do Estado do Rio de Janeiro.
O grande quintal é onde hoje está construída a minha casa onde guardo os meus muitos livros e as minhas lembranças.
Parte do mato onde caçava borboletas é onde está localizada a Assembleia de Deus Ministério Fogo no Altar (admf),o circo do palhaço Encrenquinha situava-se no grande terreno que chamávamos de campinho onde hoje está localizado o Centro de Referência de Assistência Social(cras) e
A rua de paralelepípedos onde pela primeira vez andei de mãos dadas com a menina que amava é a estrada Abílio Augusto Távora conhecida popularmente como Estrada de Madureira.