quarta-feira, setembro 26, 2012
Leonel Brizola uma estrela que ainda ilumina as páginas de nossa história!
E assim se passaram oito anos de ausência, uma ausência de brilho,de sonhos e ideais,pois,o que distingue uma estrela das demais numa grande constelação é o seu brilho raro que a torna tão evidente.
O que faz um sonho se tornar gigante, é quando este sonho se abriga dentro do peito de um homem que nunca se intimida em assumir que é um verdadeiro sonhador. E o que faz um ideal ter asas, é quando este ideal tem vida dentro do coração daquele que realmente é um idealista.
Assim se um idealista é feito de sonhos e se são esses sonhos que iluminam um caminho que deveria se chamar “ordem e progresso”, é claro que durante esses oito anos de ausência, faltou o brilho de Leonel Brizola para iluminar esse caminho, pois Brizola não foi um político comum, se é que em algum momento podemos
chamá-los assim porque, se nas grandes passarelas coloridas de verde,
amarela, azul e branca existem tantos homens com as mesmas ideias,
nestas mesmas passarelas existia um homem que se diferenciava não por
ideias, mas ideais.
Leonel Brizola e os seus ideais
E um dos seus maiores ideais era ser não só mais um governante, mas também um mestre na arte de governar que tinha como objetivo se dividir em muitos para cuidar de gente, dando a essa gente, a dignidade que precisava ter. É claro que uma das coisas mais difíceis é compreender os ideais de um intelectual; não um intelectual que use um diploma qualquer apenas para ocupar um cargo em alguma escala do poder ou se tornar um vulto na história, mas um intelectual que preferia deixar o diploma de lado para cuidar de uma nação.
Uma nação feita de branco, negros, pobres, velhos, índios, mestiços, analfabetos... Onde sua maior preocupação eram as crianças em um todo. Crianças que precisavam de terra fértil para plantar o futuro; crianças que no presente precisavam de médicos, dentistas, professores, pais, coordenadores, alimento, atenção e tudo aquilo que pudesse transformar os pesadelos do passado em sonhos.
E tudo isso certamente só o coração sonhador de um grande idealista podia abrigar. E assim nasceram os CIEPs, verdadeiras fábricas de sonhos, repletas de terra fértil, onde o melhor adubo era o amor... Um amor que não deveria ficar só nas palavras porque, a excelência de Brizola não ficava só nas palavras, mas sim, tornava qualquer palavra em verdade, uma verdade tão altissonante capaz de esmagar qualquer mentira nos seus mais diversos aspectos; onde o homem sonhador se tornava o grande desafiador quando o seu ideal era apenas a semente de uma grande conquista; uma semente que ele, ao longo de seus discursos fazia brotar, germinar e crescer nos corações de muitos.
Os grandes palanques se tornavam minúsculos diante da grandeza do grande estadista que sabia falar e prender a atenção e a respiração daqueles que ficavam horas a ouvi-lo aspirando sonhos sem querer se desprender deles.
Infelizmente os grandes comícios se tornaram showmícios onde, os que buscam apenas o poder preferem mostrar ao público os seus artistas preferidos, em meio a shows cada vez mais orquestrados, talvez por não terem ,sonhos, ideais, propostas ou quem sabe, condições de cumpri-las mas tarde. As grandes passarelas verdes, amarelas, azuis, e brancas parece que se desbotaram e perderam as cores do patriotismo.
Os ideais se tornaram apenas ideias que logo são esquecidas.
Leonel Brizola foi o presidente que o Brasil não teve o privilégio de conhecer, mas tudo bem, se faltou ao Brasil um presidente tão apaixonado por gente, tão sonhador e tão idealista como Brizola, as páginas de nossa história sempre estarão iluminadas pelo brilho dessa estrela que nunca se apagou em seus parágrafos mais importantes.
Os grandes idealistas no auge de seu maior espetáculo, sempre se põem de pé sobre o palco e, sozinhos aplaudem a sua grande plateia!
Homenagem a
uma das maiores figuras políticas de nosso tempo. Leonel Brizola
22/01/1922 - 21/06/2004.
Tony Caroll.
Tony Caroll.
Doce e sublime canção.
O que faz o sonho virar vida e a vida impregnar-se de sonhos é o que salta dentro da gente quando encontramos alguém para amar; e fazemos desse amor uma linda história ,onde cada nuance de desejo a pulsar dentro de nós são detalhes que queremos eternizar como se fossem as mais sublimes notas musicais.
Doce e sublime canção
Nasce no meu coração
A mais doce e sublime canção
Nasce o amor,
E a vida então vira flor
Pois tudo o que era botão
Abriu-se nas mais belas rosas
Porque a mulher mais preciosa
Trouxe de volta a minha inspiração
Os lábios vermelhos,o rosto cor de rosa
Os olhos da cor do mar
A pele macia,suave e doce magia
Agora me faz sonhar
Abre o meu peito para o abraço
Esmiúça o meu cansaço
E faz a vida em mim despertar
E é você meu sonho em flor
Meu poema,meu verso e prosa
Que me faz viver novamente
Pois é esse rosto sublime e diferente
De tudo que em outras mulheres já vi
Que me incendeia de fogo e paixão
E de novo me faz feliz.
Tony Caroll.
Extase Três.
As vezes é preciso fechar os olhos,rasgar o peito e despir a alma para enxergar quem realmente somos além dos muitos atalhos os quais nos agarramos e nos fazem parecer uma bela fotografia diante dos olhos do mundo.
Extase três
Eu sou como o vaga-lume
que vaga na escuridão
e que a vida resume
em silêncio e solidão
que gosta da noite escura
e vive a procurar
sonhos,amor,fantasia
um outro alguém para amar
e que morre todos os dias
depois de muito brilhar!
Tony Caroll.
Sonho noturno
Boa é a imaginação quando impregnada de poesia,pois é a poesia que exprime os verdadeiros sentimentos da alma e incendeia o corpo de desejos febris.
Sonho Noturno
Brota no seio da lua
Uma rosa cálida e toda nua
E a lua se mostra tão serena
Ao se despir para Helena
Helena e a lua
Seriam duas mulheres?
Belos talheres...
Que se tocam ao som de dó
Eclipse feminino
Enquanto o viril menino
A copular tão só...
Tony Caroll.
Música sublime,vida ao coração.
Em tempos de primavera as flores só cantavam a esperança.E era essa esperança tão sublime que ardia no peito daquele grupo de jovens que um dia desafiando todas as dificuldades a maior delas a falta de experiência na música, resolveram se reunir para inventar uma nova forma de canção.Umas canções tão bonitas e tão simplórias que alardeavam a vida e a história de Jesus nos mais variados templos e nas praças públicas onde levar a esperança para os cativos era como mover uma enorme locomotiva em busca de corações que quisessem cantar seus sentimentos ao som de instrumentos que os faziam vibrar de tamanha felicidade.Mas na verdade os instrumentos eram eles mesmos que mesmo quando lhes faltava fôlego para mover essa locomotiva,se revestiam do prazer de empurra-la e alcançar a velocidade necessária para chegar ao seu destino que era o interior de cada um onde os seus integrantes almejavam mais um milagre.
Cimara Farias
E era a esperança um tanto tímida que ardia no peito daquele grupo de jovens que,mesmo sem muita experiência na música, surgia no auge do ano de dois mil e um apresentando ao público evangélico uma nova forma de canção.E cantando aquilo que estava na alma, superando muitos obstáculos, em tão pouco tempo ganhou espaço entre alguns grupos que surgiam com o nome de “banda Esdras”. Uma banda que tinha em seu núcleo como vocalistas os cantores:Jorge de Jesus e Cimara Farias, ambos também compositores em uma nova época.A época de se dividir entre várias caravanas para cantar a esperança em diversos templos; tornando-se referência para muitos jovens que então ao som da música tão sublime daqueles outros jovens,se sentiam impulsionados a louvar a Deus.E foi aquela seiva de esperança, a forma tão sublime de cantar aquilo que estava na alma; responsável pela realização de um sonho.Um sonho que contagiou a todos nós que, impregnados por aquela música tão diferente, vimos chegar em nossas mãos o CD“Me falaram de Jesus!”Cuja intérprete era nada mais, nada menos que Cimara Farias.
Uma voz ainda tão tímida porém sublime e tão cheia de ternura que mesmo com o passar do tempo ainda nos dá prazer em ouvir.E aquela que tanto propagou a esperança com a sutileza da voz, até pode ter dado uma pausa em sua carreira,mas os grandes momentos vividos por muitos, tendo sua música como reflexos de amor e esperança,certamente ficaram gravados na memória daqueles que ainda ouvindo suas composições nas quais ela é a maior intérprete,ainda perguntam:Por onde anda Cimara?
Veja também:
segunda-feira, setembro 24, 2012
De repente:Um moço e um violão dentro de um vagão de trem.
Quase Tudo em nossa vida acontece de repente, de surpresa e, quando acontece,você está lá, vivendo mais um personagem que nunca imaginou viver na vida real. Sem nunca ter ensaiado, de repente você se torna o alvo das atenções; pela forma como está vestido (a) falando, caminhando e, etc. Ou quem sabe torna-se o motivo de risos ou aplausos de uma grande plateia, dentro de uma condução lotada ou, ainda exprime com muita sinceridade o seu sentimento pela perda de alguém em algum velório onde você nunca tenha imaginado estar e, muito menos sem nunca ter ensaiado nada debulha-se em rios de lágrimas impressionando a muita gente.
Assim atuamos todos os dias, nos mais diversos lugares... Às vezes como espectador, outras vezes como protagonista.A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios...
Assim atuamos todos os dias, nos mais diversos lugares... Às vezes como espectador, outras vezes como protagonista.A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios...
De repente: um moço e um violão dentro de um vagão de trem.
De repente estávamos todos em silêncio e aquele rapaz cercado de tantos olhares de admiração e ele ali, tão concentrado em sua música, agarrado ao seu violão, sem fazer nenhum alvoroço, sabia dizer tantas coisas e parecia ouvir o coração de todos, pois, a cada nova melodia que entoava,fazia alguém dentro daquele vagão esboçar algum tipo de reação que no rosto de alguns se mostrava através de uma lágrima.
Um moço que deixou saudades.
De súbito,o trem parou em determinada estação e aquele rapaz de forma surpreendente saltou,carregando seu amigo violão com ele sob o olhar de saudade em que todos nós tentamos disfarçar... Mas, como a vida nunca pára, aquele trem seguiu o seu destino levando pessoas tão impregnadas de um sonho que brotara ali e que se exalou através da música apresentada por um grande intérprete que mesmo tão desconhecido tornara-se o protagonista ou quem sabe um mero coadjuvante na história de alguém ou alguns que não tiveram tempo de aplaudir o seu grande espetáculo!
Tony Caroll
Veja também:
Um ônibus criativo cheio de aplausos e risos
Sorria Maria! Um Improviso repleto de circo , saltos e gargalhadas.
Com este título escolhido pelos próprios alunos,a oficina de atores encerrou mais um de seus cursos de teatro onde a aula sobre monólogos obteve mais um de seus bons resultados,quando todos empenhados em mostrar os frutos de um bom aprendizado,entregaram-se a arte da boa interpretação e fizeram disso mais um página importante na história de suas vidas.Aqui se mostrou a arte do improviso onde atores e atrizes se esforçaram o máximo para apresentar ao público seus personagens que eram apenas algumas Marias e Carlitos.
Sorria Maria !
Encenada pelo intrépido grupo de atores formado pelos alunos da turma de teatro iniciante,o seu grande e inesquecível espetáculo que num deboche a tristeza e ao baixo astral, convidou ,incentivou e satirizou as diversas formas do riso,na pele de seus respectivos personagens Marias e Carlitos que na verdade eram bonecos de trapos que, vieram ao palco com o firme propósito de celebrar a alegria e, contagiados pela euforia de seus personagens e da liberdade do improviso,neste dia os atores (da esquerda para a direita)Luana Keiose,Isa Rangel,Diego Souza,Clayton Paz Fernanda Bittencourt e Rose Silva abrilhantaram com muita garra e talento o espaço vitavision sob a direção do instrutor e diretor Tony Caroll e o comando de Mateus Barros e Roberto Carelli por trás das cameras.
Tony Caroll.
Veja também:
Uma lágrima por um cálice de vinho e...
Minha infância em uma biblioteca de barro.
Antonio Carolino Bezerra Nasceu na cidade de Nilópolis RJ.Ainda na infância começou a escrever pequenos versos onde o sonho de ser escritor aflorou desde então.
O jeito muito tímido e a forma destacada das brincadeiras de menino sempre o levaram a ser um aluno comportado em sala de aula e muito observado pelos professores que ao final de cada ano letivo lhe presenteavam com livros e enciclopédias em razão de seu apego a leitura. Sempre admirado pelos colegas e amigo de todos, era considerado muito inteligente e isso às vezes o incomodava.
Tentando dar asas a sua imaginação, um dia com a ajuda do irmão que mais tarde se tornou pedreiro profissional, construiu uma casinha de pedras e barro molhado e dentro dela acomodou todos os seus livros e gibis; e assiduamente todos os dias a visitava onde ficava horas a fio lendo e relendo histórias naquele lugar que chamava de sua biblioteca.
Entre os seus livros preferidos estava a cartilha “pompom meu gatinho” de Thereza Neves da Fonseca. Livro esse que lhe fez apaixonar-se pela leitura e imaginar-se personagem de algumas histórias.
E entre suas histórias preferidas estava uma em que uma senhora de nome Rita, apavorada subia numa cadeira com medo de uma barata. E os personagens que marcaram a sua infância não podiam deixar de ser, Olavo, Moema e Diva os quais apresentavam toda cartilha.
Tony Caroll.
A que tribunal de justiça pertence esse caso?
Afinal a quem pertencem as rosas?As borboletas ou aos beija-flores?E de quem
são as crianças?Daqueles que as abandonam, dos pais que adotam ou dos submundos
que as auto - flagelam? Isso me pergunto até hoje, desde que me contaram a
triste história de Aninha, abandonada pela mãe, adotada pela madrinha, sequestrada,
estuprada e morta aos treze anos de idade, por Wallace; o belo rapaz de classe
média que defendeu-se perante o tribunal de justiça dizendo ter sido o seu ato, “um
lindo gesto de amor!"
Flor de Novembro
Já presenciei
muitas coisas que me causara espanto, mas primavera agonizando foi à primeira vez.
Era novembro, fim de estação, últimos segundos, e sob o olhar da lua nova, ela
de cócoras deu a luz a tantas vidas às margens de um córrego tão propício a um
imenso jardim... Depois chorou copiosamente como se desejasse molhar os frutos
com as próprias lágrimas da despedida, após o aborto voluntário, para
libertar-se um pouco do remorso que sentia. Deixou a última semente tão
franzina em meio às outras que nem teve tempo de beijá-la antes de ir... Comparo
a primavera a qualquer ser humano que quer dar mais do que pode; pois quantas
primaveras já deixaram por aí, algum cravo, uma rosa ou quem sabe trigêmeos
girassóis abandonados no berçário de um hospital, numa lata de lixo, na porta
de algum ricaço ou até mesmo em mãos alheias em troca de dinheiro; esta deixou
as margens de um córrego. Percebi que estava meio alucinada, com sentimento de
culpa, talvez por achar que não houvesse enfeitado suficientemente a vida,
saíra por estradas e ruelas sem nenhum tipo de pudor, porque antes de ir embora
quisera simplesmente florir. Sempre tive a mania de comparar mulheres com
flores, transformar uma na outra, afinal ambas tem destinos tão iguais e as
diferenças entre elas tão somente é que: Mulheres parem crianças enquanto as
rosas abortam outras rosas e depois vão embora não sei pra onde... E quem
haverá de querer uma flor de novembro?Tão
esquisita, franzina, ainda molhada de placenta, com saudade do útero, entregue
ao abandono. Vi uma borboleta aproximar-se, beijá-la e despedir-se meio
saudosa; depois um beija-flor que lhe sugou um pingo de néctar, talvez
resquício de placenta e foi-se embora batendo asas no compasso do coração tão enamorado;
por último a sombra que as demais flores faziam a escondeu e, ela agonizou,
debateu-se entre os espinhos que despontavam das outras, revolveu o coração do
jardim florescido e, reclamou... Fenômeno que ninguém ousou descrever, mas eu
descrevi porque tenho alma de borboleta e desconfio dos beija-flores que gostam
de nutrir-se de beleza e impregnarem-se de raro perfume. Engraçado... As
borboletas e os beija-flores sempre voltam ao primeiro amor com segundas
intenções e, tal de Georgina curiosa que bem não havia realizado a sua
metamorfose, saíra do casulo naquela manhã e com as asas tão enfraquecidas foi
buscar a flor de novembro ainda tão pequenina lá ás margens do córrego onde
estava germinando e, cansada do voo prematuro voltou ofegante ao casulo de
porta muito estreita e, por horas tentou adentrá-lo com a florzinha minúscula,
porém exausta deixou-a do lado de fora e foi descansar a frustração. Enquanto
isso tal de Wallace beija-flor tão desorientado sobrevoava ás margens do
córrego procurando flor de novembro que deixara apenas a terra revolvida ao ser
arrancada por Georgina Curiosa. Aquela manhã fora um retrato de profundo
esplendor ás margens de um córrego repleto de variadas flores que se assanhavam
para aquele beija-flor impregnando de perfumes diferenciados certo vilarejo que
ia nascendo com cheiro de poesia, pois, vida de beija-flor é um mistério que
ninguém consegue desvendar... Porque apesar de viver beijando rosas, um dia
consegue se apaixonar por alguma delas e, então despreza as demais. E Wallace
beija-flor, já tão exausto de percorrer o vilarejo a procura de alguém que
julgava ser seu grande amor, pousando aqui e acolá, resolveu descansar um pouco
embaixo do beiral de um telhado que abrigava um casulo de aspecto velho e
abandonado onde Georgina Curiosa dormia talvez impregnada pelo perfume de flor
de novembro que, apesar de tão desfalecida ainda exalava vida. E então a vida
se fez tão majestosa em torno daquele pequeno casulo onde dormia Georgina, pois
com o peito estufado de virilidade, Wallace ficou a cortejar flor de novembro
durante alguns minutos naquela manhã e, enfeitiçado pela essência da flor,
pegou-a no bico, colocou-a sobre o peito, abraçou-a com as duas asas e voou com
elas fechadas mundo afora; aliás, quem nunca observou um beija-flor não vai me
compreender, pois, eles são enigmáticos e guardam segredos, e quando estão
rasgando o espaço com as asas fechadas, escondem alguma coisa consigo, e o que
Wallace escondia era uma flor roubada e prematura, com quem pretendia copular...
Mas Georgina curiosa acordou sobressaltada, não viu flor de novembro, chorou
copiosamente e, resolveu procurá-la.Assim são outras pobres mulheres que passam
as vidas mergulhadas em cruel agonia, a procurar seus rebentos que um dia lhe
foram tirados de forma tão impiedosa; expondo cartazes pela cidade, com os
corações cheios de esperanças vãs.Borboleta triste, nostálgica, vazia...Que um
dia beijou flor de novembro como formal compromisso e a adotou sem imaginar que
certas flores não têm dono, só servem mesmo para enfeitar e embriagar de
perfume à vida da gente.E Wallace beija-flor que encontrara flor de novembro
tão abandonada sobre um casulo parece que, de tão enamorado tomou o veneno dos
sonhos, transformou flor de novembro em mulher, tornou-se ingênuo, deu-lhe um
nome devasso, vestiu-lhe a caráter, levou-a para um canto qualquer, despiu-a
excitado, colocou-a sobre a cama e, depois entrou no banheiro, olhou o espelho
e, tão vaidoso lavou o rosto reluzente do azul da barba e, voltou
seminu... Cheiro de seiva fresca no corpo, pronto a copular. Estremeceu...
Visível deslumbramento, cheio de glamour e lágrimas-desenho de uma flor
vermelha, ainda com tinta fresca sobre o lençol branco. “Sangue” com aroma de
perfume; Beija–flor desconcertado a sobrevoar o quarto vazio sobre sombras;
enquanto por aí afora uma borboleta qualquer chora a ausência de uma flor...
Afinal a quem pertencem as rosas?As borboletas ou aos beija-flores?E de quem
são as crianças?Daqueles que as abandonam, dos pais que adotam ou dos submundos
que as auto - flagelam?Isso me pergunto até hoje, desde que me contaram a
triste história de Aninha, abandonada pela mãe, adotada pela madrinha, sequestrada,
estuprada e morta aos treze anos de idade, por Wallace; o belo rapaz de classe
média que defendeu-se perante o tribunal dizendo ter sido o seu ato, “um
lindo gesto de amor!"












