Arte, Cultura e Comunicação

quarta-feira, setembro 26, 2012

Extase Três.

As vezes é preciso fechar os olhos,rasgar o peito e despir a alma para enxergar quem realmente somos além dos muitos atalhos os quais nos agarramos e nos fazem parecer uma bela fotografia diante dos olhos do mundo.



 Extase três


Eu sou como o vaga-lume
que vaga na escuridão
e que a vida resume
em silêncio e solidão
que gosta da noite escura
e vive a procurar
sonhos,amor,fantasia
um outro alguém para amar
e que morre todos os dias
depois de muito brilhar!

Tony Caroll.

Sonho noturno

 Boa é a imaginação quando impregnada de poesia,pois é a poesia que exprime os verdadeiros sentimentos da alma e incendeia o corpo de desejos febris.



Sonho Noturno

Brota no seio da lua
Uma rosa cálida e toda nua
E a lua se mostra tão serena
Ao se despir para Helena
Helena e a lua
Seriam duas mulheres?
Belos talheres...
Que se tocam ao som de dó
Eclipse feminino
Enquanto o viril menino
A copular tão só...

Tony Caroll.

Música sublime,vida ao coração.

Em tempos de primavera as flores só cantavam a esperança.E era essa esperança tão sublime que ardia no peito daquele grupo de jovens que um dia desafiando todas as dificuldades a maior delas a falta de experiência na música, resolveram se reunir para inventar uma nova forma de canção.Umas canções tão bonitas e tão simplórias que alardeavam a vida e a história de Jesus nos mais variados templos e nas praças públicas onde levar a esperança para os cativos era como mover uma enorme locomotiva em busca de corações que quisessem cantar seus sentimentos ao som de instrumentos que os faziam vibrar de tamanha felicidade.Mas na verdade os instrumentos eram eles mesmos que mesmo quando lhes faltava fôlego para mover  essa locomotiva,se revestiam do prazer de empurra-la e alcançar a velocidade necessária para chegar ao seu destino que era o interior de cada um onde os seus integrantes almejavam mais um milagre.

 Cimara Farias

 E era a esperança um tanto tímida que ardia no peito daquele grupo de jovens que,mesmo sem muita experiência na música, surgia no auge do ano de dois mil e um apresentando ao público evangélico uma nova forma de canção.E cantando aquilo que estava na alma, superando muitos obstáculos, em tão pouco tempo ganhou espaço entre alguns grupos que surgiam com o nome de “banda Esdras”. Uma banda que tinha em seu núcleo como vocalistas os cantores:Jorge de Jesus e Cimara Farias, ambos também compositores em uma nova época.A época de se dividir entre várias caravanas para cantar a esperança em diversos templos; tornando-se referência para muitos jovens que então ao som da música tão sublime daqueles outros jovens,se sentiam impulsionados a louvar a Deus.E foi aquela seiva de esperança, a forma tão sublime de cantar aquilo que estava na alma; responsável pela realização de um sonho.Um sonho que contagiou a todos nós que, impregnados por aquela música tão diferente, vimos chegar em nossas mãos o CD“Me falaram de Jesus!”Cuja intérprete era nada mais, nada menos que Cimara Farias.



Uma voz ainda tão tímida porém sublime e tão cheia de ternura que mesmo com o passar do tempo ainda nos dá prazer em ouvir.E aquela que tanto propagou a esperança com a sutileza da voz,  até pode ter dado uma pausa em sua carreira,mas os grandes momentos vividos por muitos, tendo sua música como reflexos de amor e esperança,certamente ficaram gravados na memória daqueles que ainda ouvindo suas composições nas quais ela é a maior intérprete,ainda perguntam:Por onde anda Cimara?

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segunda-feira, setembro 24, 2012

De repente:Um moço e um violão dentro de um vagão de trem.

Quase Tudo em nossa vida acontece de repente, de surpresa e, quando acontece,você está lá, vivendo mais um personagem que nunca imaginou viver na vida real. Sem nunca ter ensaiado, de repente você se torna o alvo das atenções; pela forma como está vestido (a) falando, caminhando e, etc. Ou quem sabe torna-se o motivo de risos ou aplausos de uma grande plateia, dentro de uma condução lotada ou, ainda exprime com muita sinceridade o seu sentimento pela perda de alguém em algum velório onde você nunca tenha imaginado estar e, muito menos sem nunca ter ensaiado nada debulha-se em rios de lágrimas impressionando a muita gente.

Assim atuamos todos os dias, nos mais diversos lugares... Às vezes como espectador, outras vezes como protagonista.A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios... 

De repente: um moço e um violão dentro de um vagão de trem.

De repente estávamos todos em silêncio e aquele rapaz cercado de tantos olhares de admiração e ele ali, tão concentrado em sua música, agarrado ao seu violão, sem fazer nenhum alvoroço, sabia dizer tantas coisas e parecia ouvir o coração de todos, pois, a cada nova melodia que entoava,fazia alguém dentro daquele vagão esboçar algum tipo de reação que no rosto de alguns se mostrava através de uma lágrima.

Um moço que deixou saudades.

De súbito,o trem parou em determinada estação e aquele rapaz de forma surpreendente saltou,carregando seu amigo violão com ele sob o olhar de saudade em que todos nós tentamos disfarçar... Mas, como a vida nunca pára, aquele trem seguiu o seu destino levando pessoas tão impregnadas de um sonho que brotara ali e que se exalou através da música apresentada por um grande intérprete que mesmo tão desconhecido tornara-se o protagonista ou quem sabe um mero coadjuvante na história de alguém ou alguns que não tiveram tempo de aplaudir o seu grande espetáculo!

Tony Caroll

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Um ônibus criativo cheio de aplausos e risos 

Sorria Maria! Um Improviso repleto de circo , saltos e gargalhadas.

Com este título escolhido pelos próprios alunos,a oficina de atores encerrou mais um de seus cursos de teatro onde a aula sobre monólogos obteve mais um de seus bons resultados,quando todos empenhados em mostrar os frutos de um bom aprendizado,entregaram-se a arte da boa interpretação e fizeram disso mais um página importante na história de suas vidas.Aqui se mostrou a arte do improviso onde atores e atrizes se esforçaram o máximo para apresentar ao público seus personagens que eram apenas algumas Marias e Carlitos.


 Sorria Maria !

Encenada pelo  intrépido grupo de atores formado pelos alunos da turma de teatro iniciante,o seu grande e inesquecível espetáculo que num deboche a tristeza e ao baixo astral, convidou ,incentivou e satirizou as diversas formas do riso,na pele de seus respectivos personagens Marias e Carlitos que na verdade eram bonecos de trapos que, vieram ao palco com o firme propósito de celebrar a alegria e, contagiados pela euforia de seus personagens e da liberdade do improviso,neste dia os atores (da esquerda para a direita)Luana Keiose,Isa Rangel,Diego Souza,Clayton Paz Fernanda Bittencourt e Rose Silva abrilhantaram com muita garra e talento o espaço vitavision sob a direção do instrutor e diretor Tony Caroll e o comando de Mateus Barros e Roberto Carelli por trás das cameras.

Tony Caroll.

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Uma lágrima por um cálice de vinho e... 

Minha infância em uma biblioteca de barro.

Antonio Carolino Bezerra Nasceu na cidade de Nilópolis RJ.Ainda na infância começou a escrever pequenos versos onde o sonho de ser escritor aflorou desde então.


infancia


O jeito muito tímido e a forma destacada das brincadeiras de menino sempre o levaram a ser um aluno comportado em sala de aula e muito observado pelos professores que ao final de cada ano letivo lhe presenteavam com livros e enciclopédias em razão de seu apego a leitura. Sempre admirado pelos colegas e amigo de todos, era considerado muito inteligente e isso às vezes o incomodava.




Tentando dar asas a sua imaginação, um dia com a ajuda do irmão que mais tarde se tornou pedreiro profissional, construiu uma casinha de pedras e barro molhado e dentro dela acomodou todos os seus livros e gibis; e assiduamente todos os dias a visitava onde ficava horas a fio lendo e relendo histórias naquele lugar que chamava de sua biblioteca.

Entre os seus livros preferidos estava a cartilha “pompom meu gatinho” de Thereza Neves da Fonseca. Livro esse que lhe fez apaixonar-se pela leitura e imaginar-se personagem de algumas histórias. 

E entre suas histórias preferidas estava uma em que uma senhora de nome Rita, apavorada subia numa cadeira com medo de uma barata. E os personagens que marcaram a sua infância não podiam deixar de ser, Olavo, Moema e Diva os quais apresentavam toda cartilha.

Tony Caroll.

A que tribunal de justiça pertence esse caso?


 Afinal a quem pertencem as rosas?As borboletas ou aos beija-flores?E de quem são as crianças?Daqueles que as abandonam, dos pais que adotam ou dos submundos que as auto - flagelam? Isso me pergunto até hoje, desde que me contaram a triste história de Aninha, abandonada pela mãe, adotada pela madrinha, sequestrada, estuprada e morta aos treze anos de idade, por Wallace; o belo rapaz de classe média  que defendeu-se perante o tribunal de justiça dizendo ter sido o seu ato, “um lindo gesto de amor!"



 Flor de Novembro


Já presenciei muitas coisas que me causara espanto, mas primavera agonizando foi à primeira vez. Era novembro, fim de estação, últimos segundos, e sob o olhar da lua nova, ela de cócoras deu a luz a tantas vidas às margens de um córrego tão propício a um imenso jardim... Depois chorou copiosamente como se desejasse molhar os frutos com as próprias lágrimas da despedida, após o aborto voluntário, para libertar-se um pouco do remorso que sentia. Deixou a última semente tão franzina em meio às outras que nem teve tempo de beijá-la antes de ir... Comparo a primavera a qualquer ser humano que quer dar mais do que pode; pois quantas primaveras já deixaram por aí, algum cravo, uma rosa ou quem sabe trigêmeos girassóis abandonados no berçário de um hospital, numa lata de lixo, na porta de algum ricaço ou até mesmo em mãos alheias em troca de dinheiro; esta deixou as margens de um córrego. Percebi que estava meio alucinada, com sentimento de culpa, talvez por achar que não houvesse enfeitado suficientemente a vida, saíra por estradas e ruelas sem nenhum tipo de pudor, porque antes de ir embora quisera simplesmente florir. Sempre tive a mania de comparar mulheres com flores, transformar uma na outra, afinal ambas tem destinos tão iguais e as diferenças entre elas tão somente é que: Mulheres parem crianças enquanto as rosas abortam outras rosas e depois vão embora não sei pra onde... E quem haverá de querer uma flor de novembro?Tão esquisita, franzina, ainda molhada de placenta, com saudade do útero, entregue ao abandono. Vi uma borboleta aproximar-se, beijá-la e despedir-se meio saudosa; depois um beija-flor que lhe sugou um pingo de néctar, talvez resquício de placenta e foi-se embora batendo asas no compasso do coração tão enamorado; por último a sombra que as demais flores faziam a escondeu e, ela agonizou, debateu-se entre os espinhos que despontavam das outras, revolveu o coração do jardim florescido e, reclamou... Fenômeno que ninguém ousou descrever, mas eu descrevi porque tenho alma de borboleta e desconfio dos beija-flores que gostam de nutrir-se de beleza e impregnarem-se de raro perfume. Engraçado... As borboletas e os beija-flores sempre voltam ao primeiro amor com segundas intenções e, tal de Georgina curiosa que bem não havia realizado a sua metamorfose, saíra do casulo naquela manhã e com as asas tão enfraquecidas foi buscar a flor de novembro ainda tão pequenina lá ás margens do córrego onde estava germinando e, cansada do voo prematuro voltou ofegante ao casulo de porta muito estreita e, por horas tentou adentrá-lo com a florzinha minúscula, porém exausta deixou-a do lado de fora e foi descansar a frustração. Enquanto isso tal de Wallace beija-flor tão desorientado sobrevoava ás margens do córrego procurando flor de novembro que deixara apenas a terra revolvida ao ser arrancada por Georgina Curiosa. Aquela manhã fora um retrato de profundo esplendor ás margens de um córrego repleto de variadas flores que se assanhavam para aquele beija-flor impregnando de perfumes diferenciados certo vilarejo que ia nascendo com cheiro de poesia, pois, vida de beija-flor é um mistério que ninguém consegue desvendar... Porque apesar de viver beijando rosas, um dia consegue se apaixonar por alguma delas e, então despreza as demais. E Wallace beija-flor, já tão exausto de percorrer o vilarejo a procura de alguém que julgava ser seu grande amor, pousando aqui e acolá, resolveu descansar um pouco embaixo do beiral de um telhado que abrigava um casulo de aspecto velho e abandonado onde Georgina Curiosa dormia talvez impregnada pelo perfume de flor de novembro que, apesar de tão desfalecida ainda exalava vida. E então a vida se fez tão majestosa em torno daquele pequeno casulo onde dormia Georgina, pois com o peito estufado de virilidade, Wallace ficou a cortejar flor de novembro durante alguns minutos naquela manhã e, enfeitiçado pela essência da flor, pegou-a no bico, colocou-a sobre o peito, abraçou-a com as duas asas e voou com elas fechadas mundo afora; aliás, quem nunca observou um beija-flor não vai me compreender, pois, eles são enigmáticos e guardam segredos, e quando estão rasgando o espaço com as asas fechadas, escondem alguma coisa consigo, e o que Wallace escondia era uma flor roubada e prematura, com quem pretendia copular... Mas Georgina curiosa acordou sobressaltada, não viu flor de novembro, chorou copiosamente e, resolveu procurá-la.Assim são outras pobres mulheres que passam as vidas mergulhadas em cruel agonia, a procurar seus rebentos que um dia lhe foram tirados de forma tão impiedosa; expondo cartazes pela cidade, com os corações cheios de esperanças vãs.Borboleta triste, nostálgica, vazia...Que um dia beijou flor de novembro como formal compromisso e a adotou sem imaginar que certas flores não têm dono, só servem mesmo para enfeitar e embriagar de perfume à vida da gente.E Wallace beija-flor que encontrara flor de novembro tão abandonada sobre um casulo parece que, de tão enamorado tomou o veneno dos sonhos, transformou flor de novembro em mulher, tornou-se ingênuo, deu-lhe um nome devasso, vestiu-lhe a caráter, levou-a para um canto qualquer, despiu-a excitado, colocou-a sobre a cama e, depois entrou no banheiro, olhou o espelho e, tão vaidoso lavou o rosto reluzente do azul da barba e, voltou seminu...  Cheiro de seiva fresca no corpo, pronto a copular. Estremeceu... Visível deslumbramento, cheio de glamour e lágrimas-desenho de uma flor vermelha, ainda com tinta fresca sobre o lençol branco. “Sangue” com aroma de perfume; Beija–flor desconcertado a sobrevoar o quarto vazio sobre sombras; enquanto por aí afora uma borboleta qualquer chora a ausência de uma flor... Afinal a quem pertencem as rosas?As borboletas ou aos beija-flores?E de quem são as crianças?Daqueles que as abandonam, dos pais que adotam ou dos submundos que as auto - flagelam?Isso me pergunto até hoje, desde que me contaram a triste história de Aninha, abandonada pela mãe, adotada pela madrinha, sequestrada, estuprada e morta aos treze anos de idade, por Wallace; o belo rapaz de classe média  que defendeu-se perante o tribunal dizendo ter sido o seu ato, “um lindo gesto de amor!"


Tony Caroll.
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