Dulcelina.Um Anjo Bom Numa Casa Velha
mostrada em seu original e de forma muito natural.
Em referência ao texto “Casa Velha”.
As nossas tardes de domingo
E se as nossas tardes de domingo eram tão prazerosas e cheias de encanto, além de ensinar teatro eu fazia questão de também compartilhar com todos tudo o que produzia.Afinal eram eles que me davam incentivo e faziam o meu coração criar asas para voar no universo da imaginação.
E em uma daquelas tardes quando todos nós estávamos assentados ali no chão em círculo para mais uma aula, me enchi de satisfação para apresentar ao grupo um novo texto que havia acabado de escrever e que tinha como fundo um amor proibido entre duas pessoas do mesmo sexo e de classes sociais tão diferentes;um amor bem verdadeiro porém tão perseguido e violentado pela paixão perversa de uma mulher preconceituosa muito prepotente,fria e calculista e sem limites quando o assunto era ela mesma e o seu prazer era alimentar o próprio egoísmo.
E essa mulher inspirada em Dulcelina em meu folhetim chamava-se Dulcelina Faquiere.
Todos em silêncio e aterrorizados mas ao mesmo tempo ansiosos pelo desenrolar daquela trama tão mirabolante e cheia de surpresas enquanto eu, com tanto entusiasmo ia lendo e enfatizando cada detalhe das ações e reações daqueles três personagens que então se resumiam naquele monólogo fresquinho intitulado “Amor de Pecado”.
Na verdade ler e apresentar Dulcelina para o grupo me dava um prazer imenso pois desta vez talvez imbuído pela coragem de dizer que Dulcelina não era tão somente como aquela abelha muito dócil e dedicada ao esposo e aos amigos da floresta, eu não havia feito nenhuma cerimônia em transformá-la naquele anjo mal.Afinal Dulcelina tería que ter um lado mais agressivo e arrogante.Ela tinha que ser alguém não tão submissa e tão frágil e isso ficou muito claro em suas atitudes e sobretudo no desfecho de toda trama quando ela alucinada e possuida por uma coragem tão surpreendente , no soar de uma última frase desfechou sobre o protagonista o seu golpe fatal destruindo a sua vaidade masculina e arrancando-lhe todas as chances de viver ao lado do seu grande amor.
Dulcelina Faquiere foi a personagem mais cruel que consegui escrever até hoje inspirado na verdadeira Dulcelina. Esse talvez tenha sido um dos meus maiores desafios:criar e escrever uma personagem tão má inspirando-me em uma criatura tão meiga e tão dócil mas, concluindo:essa era mais uma personagem que nascia de minha busca persistente e infinita pelo desconhecido.
Tony Caroll
Em referência ao monólogo Amor de Pecado.
Muitas vezes, somos forçados a vestir a máscara da perfeição, a ser o "Girassol Angelical" que segue a luz e exala beleza. Mas o que acontece quando a noite cai e os demônios internos despertam?
O poema de hoje é uma jornada visceral e sem censura pelas profundezas da alma. É um convite para explorar o lado sombrio da autoaceitação, onde a euforia se mistura com a dor, e a busca por conexão se transforma em uma dança perigosa entre a santidade e a perdição.
Prepare-se para mergulhar em um universo de desgosto, sangue e areia, onde a máscara finalmente se desfaz.
Sentimentos que se confundem dentro de nós quando nos perdemos nos nossos delírios de amor e juntos formam desejos que vão e vem e deixam guardados no peito da gente tantas recordações.E quantas são!
Umas que assumimos com tanta vaidade e outras que fazemos questão de deixar escondidas dentro de nós com o medo de revelar quem realmente somos diante do mundo.
Mas mesmo assim,diante do medo de assumirmos quem realmente somos com os nossos desejos e segredos tudo isso merece "Um brinde" ao amor que cultivamos dentro do peito e que as vezes nos faz sonhar enchendo-nos de tantas fantasias que os outros dizem ser apenas delírios.
Não sei porque não me aceito
E de vez em quando rasgo o meu peito
Ao andar na minha própria orgia
Quando desvairado me entrego
E sem pudores não nego
De meu corpo a euforia
E danço com seres esquisitos
Rompendo todos os meus conflitos
Rasgando minha utopia
E no meio da noite com encanto sobrenatural
Recebo diversos açoites do meu bem e do meu mal
E na minha dança libidinosa
Deixo de ser a rosa “Girassol Angelical”
E me deixo levar por qualquer um
Sem mesmo descobrir o rosto ou examinar a veia
Acho que não sou comum
Sou apenas mais um
Feito de desgosto,sangue e areia.
Tony Caroll.
Há um tempo suspenso entre o agora e o nunca, onde o coração se debate entre a ânsia de se entregar e o medo de se ferir. O poema nos convida a uma urgência suave: a de escolher o amor como único refúgio possível diante da sombra iminente da amargura. É um alerta contra a inércia do rancor, que paralisa a alma e a condena ao choro. Ouvir este apelo é entender que o amor não é apenas um sentimento, mas um perfume balsâmico que, ao tocar o peito, dissipa a dor e nos salva, milagrosamente, antes que seja tarde demais.
O que dizer ao coração quando ele se sente tão impossibilitado para amar?Quando ele ferido se deixa invadir por tantos outros sentimentos que só lhe trazem desilusões?As vezes,o coração da gente também precisa aprender certas lições e porque não ensiná-lo a amar novamente mesmo quando ele tenta ignorar a sua capacidade de viver um outro grande amor?
É melhor aprender a amar
Antes que seja tarde
Pois esta força que nos invade
Querendo do coração se apossar
É o inesperado rancor
Que vem a agonia trazer.
Mas o que fazer nesse conflito de dor?
É melhor encher o coração de amor
Enquanto a alma não chora
Porque amor tem perfume de flor
E faz o rancor ir embora.
Tony Caroll.
BONECA DE PANO! MEMÓRIAS DE UM TEMPO CHEIO DE INSPIRAÇÃO. Uma das coisas mais bonitas que pode acontecer no decorrer de nossa existência é o...