Arte, Cultura e Comunicação

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Metrô Rio de Janeiro Baixada Fluminense Lindberg Faria?

Aleluia! Até que enfim deu para respirar fundo retomar o folego abrir os olhos e me certificar de que eu não estava sonhando pois vi e ouvi alguém tocar nesse assunto metrô Rio de janeiro baixada fluminense numa propaganda política.Metrô Rio de janeiro baixada fluminense...

Algo que parece não ter muita importância e é melhor ser esquecido do que discutido como se baixada fluminense fosse um outro país muito distante do Rio de janeiro e entre os dois houvesse uma grande barreira impossível de ser removida.

Mas o contraste disso é que o Metrô Rio está logo ali na Pavuna ao lado de Nilópolis mas pelo visto parece que não há nenhum interesse em estendê-lo para o benefício de parte da população que reside na baixada fluminense e trabalha no Rio de janeiro.


O mais interessante é que isso foi veiculado na propaganda do PT que quer eleger Lindberg Farias ao governo do Estado.Confesso que não tenho simpatia pelo PT que vejo apenas como um vendedor de ilusões e nem morro de amores por Lindberg Farias mas pelo menos vi o acender de uma luz  nesse túnel onde o assunto Metrô parece ser privilégio de outros mundos e não dos fluminenses que ficam apenas de seus camarotes lotados na supervia a assistir tantas discussões ilustradas de ideias e com água na boca.

É metrô na zona Sul,em Niterói,passando sobre o mar,chegando aqui e acolá e só faltam dizer que existe um projeto para levá-lo até a lua a uma constelação de estrelas ou quem sabe a um passeio em torno do sol.


Entre o sim e o não pelo menos alguém trouxe esse assunto a baila pois o que até hoje dizem sobre isso é que a extensão do metrô Rio até a baixada fluminense prejudicaria a supervia que é mostrada como se fosse a primeira maravilha do mundo por quem não depende dela para exercer o seu direito de ir e vir pois só quem viaja todos os dias é quem sabe e infelizmente não tem os meios de comunicação para poder debulhar as suas lágrimas.

A extensão Metrô Rio até a baixada fluminense seria uma alternativa quase um sonho para aqueles que perdem tantas oportunidades de emprego em lugares que dependem de mais uma condução.Seria apenas utopia imaginar que com a chegada do metrô até a baixada fluminense pudesse haver aquela preciosa integração como se faz na zona sul?

O importante é que esse assunto agora ficou de pé e sendo ou não mais uma estratégia para ganhar votos como os famigerados bolsa família e upas da vida deve receber toda a atenção daqueles que dependem do transporte público e estão saturados dos gigantescos engarrafamentos na avenida Brasil e das panes na supervia.A gente não quer só comida,diversão e arte mas também dignidade.


domingo, fevereiro 09, 2014

UM JARDIM DE INVERNO CRIADO POR ZÉLIA GATTAI

 


 Para quem conheceu a obra de Zélia Gattai apenas por meio da TV  quando fez a adaptação de "Anarquistas graças a Deus" e gostou...

 Jardim de inverno  é uma boa opção para quem gosta da boa leitura e tem curiosidades em saber um pouco mais sobre a vida e a obra de Jorge Amado.

Este livro conta cinco anos de uma história magnífica vivida no exílio e escrita com total maestria por alguém que sabia cativar ao escrever.

Estou me referindo a ela,a própria Zélia,que não fora simplesmente a esposa de Jorge Amado,mas também uma grande escritora brasileira.Uma mulher cheia de glamour que sabia escrever com humildade,de forma sublime e tão cheia de graça onde também era sempre personagem. 






Nesta obra de Zélia nota-se o zelo em cada detalhe,onde os pormenores são tratados de forma tão grandiosa,e saltam cheios de encanto diante dos nossos olhos,tornando a leitura de jardim de inverno muito prazerosa.

 

A riqueza desta obra completa-se pelos seus personagens,os quais não foram criados pela brilhante escritora,mas sim conviveram com ela o dia a dia,onde Zélia com muita propriedade conseguiu absorver e traduzir as nuances de cada um de forma muito louvável.

 

O elegante em Zélia Gattai é que além de contar tantas coisas,ela nos faz também conhecer parte da história do Brasil e do mundo através de uma auto biografia tão bem escrita e tão cheia de fascínio.

 

Duas de suas obras já foram adaptadas para o teatro em Viçosa Mg e isso é uma ideia para os grupos de teatro que buscam boas histórias para encenar.E a adaptação de jardim de inverno nos  palcos nunca será prejuízo para os diretores mais ousados que não hesitam em arriscar coisas novas.


sábado, fevereiro 08, 2014

VIVENDO,AMANDO E APRENDENDO COM O ESCRITOR LÉO BUSCÁGLIA.


Um belo convite para fazer uma bela viagem

 

Vivendo e aprendendo é um belo convite a uma viagem que nos levará a algum lugar mágico e cheio de vida e porque não dizer ao paraíso? 

Pois se nos falta algum  motivo para transformar as nossas trevas em luz  é porque ainda não conhecemos o algo mais importante que temos dentro de nós e vivendo e aprendendo nos apresenta a formula para a felicidade de um jeito tão simplório onde a receita é a compreensão do que realmente somos.

Vamos vivendo e nunca aprendendo que existe um algo mais dentro de nós capaz de nos transportar a uma vida plena e feliz.

Porque talvez o nosso erro maior é que estamos sempre vivendo porém nunca amando e aprendendo.




“Estou sentindo um prazer imenso de ser apresentado por alguém que sabe pronunciar o meu nome”.

Muitas das vezes nos deixamos levar pelo entusiasmo das grandes paixões;sofremos , choramos e nos entregamos a diversas formas de amar porém nunca questionamos se o que estamos vivendo realmente é amor e é sempre por isso que na maioria das vezes enveredamos por tramas tão perigosas que são verdadeiras ciladas que nos levam a criar na alma,feridas que jamais cicatrizam.

Temos o privilégio de carregar dentro de nós uma pérola que é o coração mas nem sempre sabemos cultivar dentro dele o que carregamos de mais precioso.

Nos comportamos como leigos pois mesmo tendo a ferramenta principal para criar e viver em um universo de sonhos nunca sabemos como usar essa ferramenta e nos atiramos por conta própria em tantos precipícios.

Vivendo Amando e Aprendendo é um conjunto de experiências que pode resultar em grandes milagres pois a força das palavras nos leva a uma grande reflexão do que realmente é o amor. 

Um livro que nos leva a compreender a sua essência em toda a sua plenitude  tratando esse sentimento tão rico e tão eficaz com muita leveza  em seus diversos aspectos tornando o amor uma lição diária para todos nós que buscamos um balsamo para a vida.

O mais enriquecedor em vivendo,amando e aprendendo é que o seu autor não prega uma religião ou caminhos alternativos para se encontrar a felicidade e sim nos leva a conhecer o dom que temos em nós para alcançar isso.

Nesse livro,Léo Buscaglia nos ensina tantas coisas como também  nos inspira a plantar sementes preciosas em nossos corações e no dos outros e a cuidar dessas sementes com aquilo que de melhor temos.

O adubo mais importante para que essas sementes possam germinar dentro de nós é simplesmente a fertilidade do coração diante de cada parágrafo que em seus ricos detalhes,nos mostra a sabedoria plena que podemos compartilhar uns com os outros.

É quase impossível,ler esse livro e não se sentir impulsionado a falar , viver , compartilhar e esboçar esse amor ou hesitar todas as vezes em que um outro sentimento adverso tentar absorver e assaltar aquilo que de melhor temos.


Este livro é algo  que convida a todo leitor a não olhar apenas o exterior e sim,  enxergar a vida com os olhos perfeitos que toda alma tem.

 

 

 

 

E se Vivendo Amando e Aprendendo encerra-se nos convidando a assumir nossas responsabilidades como seres humanos, começa de uma forma muito sublime quando nos impulsiona a amar realmente aquilo que somos e a gostar daqueles que ao menos, sabem pronunciar o nosso nome.

Isso é magnífico.O autor acredita fervorosamente que somos muito mais do que imaginamos ser, e que o amor é a maior experiência da vida. Seus livros são temperados com calor, energia e assombro, diante da maravilha que é viver. 

Um coração generoso, que parecia ufanar-se de sua humanidade e das fraquezas, imperfeições e comédias que significam ser humano. 

Prepare-se para embarcar numa linda aventura e aprenda como desfrutar diariamente esse banquete que é a vida.



quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Um rei leão que me carregou no colo

Hoje quero agradecer a Deus por não ser um milionário pois se o fosse talvez não tivesse cultivado dentro de mim o dom da gratidão o qual procuro regar todos os dias e cultivar em terra fértil para que ele nunca venha morrer.Se eu fosse um milionário talvez também nunca dependesse dos outros e sim seria um escravo do dinheiro pronto a comprar pessoas e pagar por todos os seus serviços.Mas graças a Deus "eu não sou milionário"mas tenho plantado dentro de mim o que nenhum dinheiro  do mundo pode pagar pois o seu preço é o amor.E é isso que não me deixa ser um pobre milionário arrogante que despreza os mais nobres gestos de carinho e faz da amizade apenas um jogo de interesses.Hoje estou milionário não pelo dinheiro que não tenho e sim pelos amigos que possuo a maior riqueza uma dádiva de Deus!


bre

Mas o que tem o leão com tudo isso?O leão que me carregou no colo carrega também dentro de si um precioso ser humano,um amigo que amo e uma alma que está sempre a serviço de Deus.Este é André Almeida Aquele que um dia me escolheu para fazer parte de um grêmio estudantil.Aquele que um dia acreditou no meu sonho e junto comigo seguiu estrada afora garimpando aplausos,comendo pão com mortadela e subindo nos palcos para apresentar seu personagem.Mas qual era mesmo o seu personagem?Um rei leão criado por mim  e inventado da forma mais inusitada que existe.Um rei leão que sorria,chorava,compreendia,gritava,gostava de festas,adorava se alimentar de mel,era casado com uma simples abelha e sobretudo amava...A  minha ideia principal ao criar esse rei leão era simplesmente mostrar o quanto era difícil conviver com as diferenças mas também apontar para uma fresta na porta do coração onde estava o segredo de que isso seria possível.E o que mais me surpreendeu nessa história foi a brilhante interpretação de André que esqueceu o corpo para mostrar a alma que residia dentro do rei leão.Naquele momento eu vi e aplaudi o rei da floresta a exibir  traços tão humanos.

teatro meu

Passaram-se tantos anos e o rei da floresta não envelheceu pois sentimentos de amor nunca envelhecem quando a alma olha por aquela fresta do coração e se dispõe a estender a mão a um amigo.Ah se eu fosse um milionário!Talvez não tivesse me deixado envolver tanto pela gratidão e o gesto de carinho que me envolveu naquela manhã do dia dois de janeiro de dois mil e treze quando eu estava lá no hospital do Andaraí.Eu havia passado por uma cirurgia no joelho resultado de uma queda que me quebrou a patela.Há algumas horas havia recebido alta e precisava de alguém que me levasse para casa.Fiquei meio atônito quando vi um companheiro de quarto tão desiludido,sem poder ir embora sozinho e sem ter ninguém que viesse lhe buscar.Mas eis que em meio a toda aquela aflição e ansiedade olhei para a porta da enfermaria e novamente avistei o rei leão que mais uma vez em minha vida entrava em cena para brilhar!Naquele momento eu não podia dirigir as próximas cenas e nem o aplaudir,apenas me colocar a disposição dele e deixar que cuidasse de mim.E naquele momento como em tantos outros em minha vida André Almeida foi um mestre na arte de interpretar a verdadeira amizade quando me conduziu naquela cadeira de rodas até a rua,foi buscar o carro e sem quebrar a cena em nenhum instante me conduziu até a minha casa em Nova Iguaçu.


A minha casa estava diante de mim e eu diante dela sentindo um misto de alegria e dor.A alegria de estar novamente de volta após aqueles cinco dias de agonia e saudade e a dor insistente que não me permitia entrar no meu universo.Foi então nesse momento que a alma valente do rei da floresta se agigantou dentro dele para a grande cena que daria o desfecho a mais uma história e arrancar milhares de aplausos do meu coração.Um rei leão me carregou no colo e me colocou assentado no sofá.Depois fechou os olhos e orou a Deus enquanto eu por um instante esqueci a dor, me despi de mim mesmo e deixei que as lágrimas inundassem o meu rosto.Eram lágrimas de gratidão por não ser um milionário mas possuir amigos "A minha maior riqueza."

Tony Caroll.

quarta-feira, janeiro 15, 2014

O RETRATO DE UMA ALMA EM CONSTRUÇÃO.

 O retrato de uma alma em construção

 

Hoje talvez eu seja apenas aquele instante costurado pelas lembranças que me fazem ver quem realmente fui e o que sobrou.Talvez eu seja apenas um viajante rumo ao infinito, alguém que na sua bagagem carrega somente recordações. Momentos escritos em páginas descoloridas que certamente contarão a minha história para alguém a minha espera em outra dimensão. Hoje sou apenas o retrato do que fui e ele ficará pendurado por aí nas paredes de alguns corações.

Este poema é um convite íntimo para adentrar o universo de alguém que se recusa a ser definido por uma única forma. Ele celebra a beleza da imperfeição, a força que reside na vulnerabilidade e a coragem de viver intensamente, mesmo quando o caminho parece incerto.

É um mosaico de memórias e sentimentos, onde o "rascunho inacabado" se encontra com a "tinta colorida", e a "saudade da partida" caminha lado a lado com a esperança de encontrar o amor e o carinho. Em cada verso, há uma dualidade pulsante: entre o descompensado e o sensível, o viajante desorientado e o artista que busca a sua própria essência.

É, acima de tudo, um hino à jornada humana — uma travessia marcada por erros, aprendizados e a certeza de que a vida é uma passagem única, um diário que se escreve e se reescreve a cada dia.


 
Sou


Sou rascunho inacabado,
O papel amassado,
Sou tinta colorida;

Sou a boneca guardada
,A fita rebobinada,
Sou a saudade da partida;

Sou alguém que cresceu, amou e chorou,
Mas nunca desanimou
Com os obstáculos do caminho;

Sou alguém que viveu, amou, errou
E sempre procurou
Alguém que lhe desse carinho;

Sou extremo descompensado,
O viajante desorientado,
Sou artista que não se pinta;

Sou o diário remendado,
O beijo roubado,
Sou passagem só de ida... 

 Bianca Crepaldi Mendes


V CLIPP Concurso literário de Presidente Prudente.



domingo, dezembro 29, 2013

O MUNDO É UM MOINHO OU UM CORAÇÃO QUE PULSA DENTRO DA GENTE?

 
O mundo é um moinho ou apenas um coração que pulsa dentro de cada um de nós?
 

Às vezes precisamos olhar através do nosso espelho interior para que possamos compreender o quanto é difícil enxergarmos a nós mesmos e o mais importante:aceitarmos que a imagem que vemos no lado de dentro nem sempre é aquela que esperamos ter refletida do lado de fora de cada um de nós.

Somos sempre dominados pela teimosia de que aquele defeito que nos assusta de imediato não faz parte de nós, mesmo quando ele está entranhado ofuscando os nossos sentimentos. A verdade é que: muitas das vezes as pessoas são apenas o reflexo daquilo que somos. Mas será que são mesmo?

O interessante em tudo isso é que percebemos de imediato os defeitos dos outros, mas nunca os aceitamos como nossos defeitos. Um dos grandes erros que cometemos no nosso dia a dia é que estamos sempre em busca de nossas muitas qualidades e nunca hesitamos para então consertarmos aquela coisinha que parece tão errada dentro de cada um de nós.

Mas se é verdade que as pessoas são o reflexo daquilo que somos então também refletimos qualidades e, em nome de nossa vaidade novamente cometemos erros graves pois, na balança enganosa do nosso próprio coração sempre achamos que as qualidades pesam tanto e os defeitos quase nada. 

 
Qual de nós nunca pensou em consertar o mundo?


Mas se houvesse conserto para tantas coisas como ficariam os nossos olhos se antes de tudo não consertássemos dentro de nós aquilo que parece não ter importância nenhuma? Certamente eles se perderiam num emaranhado de coisas, mostrariam ao mundo sua frustração ou ficariam calados e tristes em compreender que tantos erros que estão no nosso interior poderiam estar também ofuscando o exterior e contagiando tudo a nossa volta.

Quando assumimos o papel de verdadeiros heróis na humanidade esquecemos também as nossas fragilidades e nos tornamos inchados de tantas razões que apenas contribuem para que os nossos defeitos sejam arquivados no coração.

Refletindo bem sobre a força e a fragilidade das coisas o que seria mais fácil para cada um de nós, mover um moinho ou lapidar um coração? Um moinho pode ser visto por todos e pode ser admirado pelas suas funções, mas e o coração? O coração da gente é algo tão particular e só pode ser tocado por cada um de nós.

E a ideia de transformar o mundo deveria ser motivo de muita reflexão porque nem sempre teremos o material perfeito para ilustrar qualquer cenário o qual julgamos defeituoso. Compreender certas coisas quando se trata de beleza, qualidades, feiura e defeitos devem ser algo de sumo importância em nossa pauta de vida, pois se a beleza atrai os olhos, também pode ser enganosa e a feiura é apenas invenção dos homens. 


Tony Caroll.
 

 

domingo, novembro 03, 2013

DESENHOS PARA COLORIR A INFÂNCIA;ONDE ESTÃO ELES AGORA?

 
 O que existiam realmente no formato das nuvens onde os meus olhos tão inocentes viviam a admirar?

 

Um dia percebi que as nuvens se mexiam,desenhavam imagens que logo se desmanchavam como em um passe de mágica deixando-me encantado.Acho que essa foi a primeira decepção que eu tive na vida e infelizmente ela vinha lá do céu. Mas hoje, tenho quase certeza que esse foi o meu melhor aprendizado pois, apesar das nuvens me decepcionarem, no outro dia eu estava novamente lá imaginando coisas e criando novas imagens que na realidade estavam apenas em meu pensamento tolo e no coração de menino que nunca tivera um brinquedo.


Hoje encontrei em um livro da V CLIPP/Concurso literário de Presidente Prudente essa linda poesia que não é de minha autoria mas que me fez mergulhar no passado e reencontrar aquele menino tão cheio de imaginações que desenhava apenas com os olhos a felicidade e o desejo de passear no céu entre as nuvens.

Desenhos



Cresci demais
E não enxergo mais desenhos nas nuvens
Nem tenho mais os olhos curiosos

Cresci demais
E agora enxergo o amarelo dos sorrisos,
Tenho olhos tristes,
Mas ainda carinhosos com aquilo que me afaga

Cresci e sei que não existem monstros debaixo da cama
Mas ás vezes me escondo lá
Ás vezes jogo lá meus problemas

Abria os braços a um abraço de afeto cego e intenso
Agora abro meu peito
E grito ao mundo a dor muda que me corrói

Danço com lobos
Na busca faminta de continuar vivendo
E são leões todos os dias

Tinha o rosto seco
Tenho agora uma chuva particular

Antes sonhava em viajar no tempo
Agora projeto voltar a ser aquele

Mas nem é pela dor,
Pela tristeza ou amargura
Crescer é necessário!
Só queria enxergar desenhos nas nuvens.

Davi T. de Aquino Raimundo


O Preço da Maturidade

Este poema é um mergulho profundo e agridoce no processo inevitável do amadurecimento. Com uma honestidade brutal, o eu-lírico não lamenta apenas a perda da inocência, mas a transformação radical da própria lente com que vê o mundo.

A obra constrói um contraste poderoso entre o "antes" — um tempo de imaginação livre, onde nuvens ganhavam formas fantásticas e o afeto era cego e absoluto — e o "agora", marcado pela complexidade das relações, pela dor silenciosa e pela luta diária pela sobrevivência ("dançar com lobos").

Há uma resignação dolorosa na certeza de que "crescer é necessário", mas também uma vulnerabilidade palpável no desejo final: não voltar a ser criança, mas recuperar a capacidade simples de maravilhar-se. É um lamento lírico por aquela parte de nós que se perde quando aprendemos demais sobre a realidade. 
 Expressão de Resignação e Melancolia
 
Ao publicar essa imagem, procurei traduzir visualmente o sentimento de "cresci demais" e a perda da capacidade de ver "desenhos nas nuvens".
 
Acho que  a cena de um homem adulto sentado em um parapeito, olhando para uma cidade cinzenta e chuvosa ilustra muito bem o poema em questão. 
 
Observe que o ambiente interno está empoeirado e cheio de livros, simbolizando o peso do conhecimento e da maturidade. 
 
O detalhe central é o vidro da janela: ele está embaçado pela respiração e, com o dedo, o nosso personagem desenhou o contorno simples de uma nuvem e uma estrela, um gesto que remete diretamente à infância e que contrasta fortemente com a realidade fria e adulta do lado de fora. 
 
A expressão dele é de resignação e melancolia, capturando perfeitamente o tom do poema "Desenhos."

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