Arte, Cultura e Comunicação

sexta-feira, julho 17, 2015

Teatro imaginado como um filme de ação.

Será que dá para imaginar o teatro como um bom filme de ação? Isso é exatamente o que espera o espectador.Pois cada cena por mais insignificante que possa ser sempre será uma cena de passagem deixando um gancho para a próxima cena onde a ênfase será o entusiasmo do ator que sai deixando esse mesmo entusiasmo ao que entra,E é nesse ciclo de emoções que deve estar impregnado todo elenco de uma mesma produção.


 O trabalho do bom ator de teatro nunca será apenas lançar mão de um texto qualquer, decorá-lo e se colocar diante do seu público. O trabalho do bom ator é imaginar-se como tal personagem e buscar senti-lo como ele é. Porque o seu público espera ação e reação, conflito e respostas. 

No entanto o trabalho do ator de teatro deve incluir a pesquisa a sua volta como fonte inspiradora para o seu personagem. Que tal construir um sentimento ou uma emoção com base naquilo que você ouviu ou presenciou?E quem sabe a resposta para determinada ação não esteja em você saber temperar um texto com a sua emoção?Uma boa pesquisa resulta em resposta imediata e uma resposta bem lapidada em um trabalho excelente. 

Você nunca deve dizer não em buscar aquilo que quer saber, pois a sua inquietação pode ser também a inquietação daqueles que vão assistir aquilo que você representa. Isso nos remete a refletir sobre a questão interpretar ou representar. 

Qual é o certo?Interpretar é representar alguém ou alguma coisa apresentando uma discussão dentro de um conflito que requer uma resposta. Assim concluímos que muitos por falta de esforço interpretam a si mesmo enquanto outros dedicados além de representar os anseios de muitos oferecem ao seu público uma bela interpretação. Lembre-se: Você sempre será um ator dentro de um filme de ação.


Ator,Espectador,cumplicidade e seus significados.

Assim como o  espectador está para o ator também o ator deve estar estar para o espectador na busca de certa cumplicidade.O egoísmo do ator muitas da vezes cria uma distancia entre personagem e plateia em certos momentos fazendo-a tão ausente como se estivesse vazia ou não houvesse algum espetáculo em cena.

O espectador não é algo invisível ou mera criatividade do ator mas pode se tornar um personagem magnifico e contracenar ou não com ele.Quando o bom ator compreende isto,está a um passo dessa cumplicidade que certamente vai lhe render muito em sua atuação.

  

O que é essa cumplicidade?

Nada mais do que compreender que o espectador não está ali por um acaso mas alguma coisa o atraiu para assistir aquele espetáculo e a ideia de completar-se em cena é maravilhosa para o ator que não quer interpretar para o nada mas sim para alguém tão importante o quanto ele.Entendendo que o espectador tem lá os seus anseios,busca suas respostas,vibra,rir ,aplaude e chora é também desanimador para o ator quando algum espectador sai de cena pois o que está diante dele não atende as suas expectativas.

Então o que fazer para manter um bom espectador na plateia?

A principio também compreender que o melhor espectador é aquele que se sente ou se identifica com algum personagem e na sua viagem do momento faz parte da história que lhe está sendo apresentada.O ator que sabe compartilhar uma cena não precisa de muito esforço ,um exibicionismo exacerbado para ganhar um público pois a sua forma inteligente de trata-lo traz em evidência essa cumplicidade que gera empatia entre ator e espectador e por fim admiração mútua

Bons amadores,péssimos atores.

Sabemos que existem muitos bons atores que vendem muitos espetáculos sem saírem do lugar e isso é fruto de certa confiança que muitos fãs depositam naqueles que admiram.Por esse motivo sempre existe a ideia de introduzir alguém famoso em espetáculos de amadores.Isso nem sempre funciona porque existem famosos que também não tem essa cumplicidade com o público como também muitos não famosos que valorizam tanto a sua plateia que o seu nome em um cartaz é o suficiente para esgotar uma bilheteria.


O corpo do ator e a alma do personagem.

Interpretar um personagem é o mesmo que revelar o estado de alma de um ator e revelar o estado de alma de um personagem é um desafio que requer o trabalho de qualquer ator. 

Assim sendo, todo aquele que se dispõe a fazer teatro, deve entender que teatro é um trabalho constante que não deve admitir certas tréguas, pois, se o corpo e a mente se entregam ao cansaço dos exercícios, o ator volta ao seu estado comum e se entrega apenas ao sonho do fazer, tornando-se algum espectador.

Diante disso enfatizamos aqui que, que o ator ou quaisquer grupos devem estar naquela busca constante do aprendizado entregando o seu corpo físico as diversas transformações. Assim sempre será necessária a prática, pois é a prática que o levará a assumir as responsabilidades com os seus respectivos personagens. 



Todo personagem tem uma alma, mesmo aquele que foi criado para não tê-la e se a alma do ator deseja manifestar-se de alguma forma expondo toda a sua beleza de sentimentos, o ator deve entender também que a alma de cada personagem precisa ser revelada de alguma forma. 

Isso pode parecer complicado a principio, mas se o ator procurar compreender que os anseios de cada personagem são como os seus anseios, então irá assegurar para si mesmo que existe um elo entre ator e personagem e, é esse elo que os faz cúmplices em toda trama. Quando um ator entende que o seu corpo precisa quebrar rituais e mecanismos, sentir emoções, ter harmonia com o elenco e etc. 

Ele também entende que o seu personagem necessita de tais coisas e,quando ele não se mostrar mais tão egoísta em relação a isso,nutrirá também dentro de si certo amor pelo seu personagem e então passará a integrar-se com ele, dando-lhe tudo aquilo que ele anseia ter.É como se o seu personagem fosse um espelho dentro dele mesmo, onde ele deve alimentar esse espelho com toda fé. 

A fé cênica se constitui em acreditar fielmente naquilo que ele, o ator está interpretando e se essa fé cênica for compreendida em relação a cada personagem, então o ator passará a interagir melhor com ele e isso o incentivará a compreender a alma de seu personagem. 

Sendo assim, o ator será sempre um corpo que se empresta ao seu personagem, uma alma que o compreende e luta para lapidá-lo a todo instante enquanto o personagem sempre será uma alma que busca um corpo para revelar a sua grandeza!


O teatro do ator e sua arte secreta.

O muito improviso continuado sem a imposição de certo limite traz o esquecimento e faz com que o ator se distancie da ideia original fazendo com que ele crie diversos personagens em uma única cena. Porém o improviso torna-se algo esplendoroso quando existe o respeito mútuo entre os atores; uma relação boa e familiar dentro do elenco.


Porém o improviso torna-se algo esplendoroso quando existe o respeito mútuo entre os atores; uma relação boa e familiar dentro do elenco. Nesse caso é boa a ideia dos atores experimentarem os personagens uns dos outros.

Partindo da ideia de que teatro é aceitação, cumplicidade, troca, admiração e inspiração mútua, compreendemos que tanto em cena como fora de cena, o rico deve aceitar o pobre, o bonito ter afinidades com o feio, o milionário sentir o gosto do lugar onde está o mendigo e enfim, um admirar o outro buscando essa inspiração tanto na pura essência do ser como vivendo esses personagens tão diferentes com o intuito de completar-se a si mesmo.

Quando falamos da necessidade do respeito mutuo e da boa relação familiar entre os atores não fugimos do improviso criando certa ditadura para os mesmos, mas, asseguramos o cuidado de um para com o outro no que se refere à chamada deixa.

O improviso exagerado é um passo para o exibicionismo e o exibicionismo algo que pode aniquilar uma deixa.Existem determinados atores que tem a sua deixa como algo muito valioso para entregar ao companheiro, esses atores são vibrantes porque, tem em mente tamanha admiração pelo colega de trabalho e com imenso prazer fazem questão de trabalhar a sua deixa para ver o colega entrar em cena com muito triunfo. 

Esses são atores ricos em cumplicidade, pois fazem questão de passar com grande satisfação para o colega a sua oportunidade de brilhar e por isso, fazem questão de explodirem em cena antes da entrada do outro para que a sintonia do enredo não seja quebrada por um simples intervalo. 

Mas se esse ator é pobre na sua forma de enxergar a cumplicidade, ele não se preocupa com o outro que vai entrar em cena logo após ele e então, relaxadamente se exibe. Esse exibicionismo é resultado do egoísmo que o faz se entregar ao improviso continuado e sem razão; sem a mínima preocupação de como o outro vai lhe suceder, e sem se importar com a quebra da sintonia dentro de uma mesma cena.



Ator,palco e espectador...Onde estão eles?

Teatro é aceitação. É relação sem preconceitos, sem pudores, sem discriminações. Por isso,quando propomos algo como quebra de repressão,ritual e mecanismos estamos apenas sugerindo que o ator se esvazie completamente de tudo aquilo que o impede de relacionar-se dentro e fora de cena, pois, são os nossos medos, as nossas tradições, a nossa maneira muitas das vezes erradas de entender certas coisas é que nos impede de dar passos importantes rumo à cumplicidade, a harmonia, a sintonia com outro ator e isso nos faz permanecer sempre no lugar de espectador que apenas sonha atuar.


A falta de aceitação muitas das vezes manifesta-se por causa de certos preconceitos e pudores e acaba gerando certa discriminação entre os próprios atores que estão em cena, isso por falta de um trabalho intenso dentro dos grupos, que muitas das vezes estão no decorrer de um trabalho sem conseguir entrar em sintonia com os demais que contracenam.

Diversos atores apesar de estar sobre o palco como personagem de uma história, mesmo sem perceberem deixam de ser ator e passam a ser apenas um espectador do colega que está em cena com ele, isso porque na dificuldade em relacionar-se com o outro, se retrai e então mesmo participando de todo desenrolar de algumas cenas ou atos, passa a assistir o colega e não atuar junto a ele.


Cena hum...Termo de referência.

Antes de entrar em cena reveja os seus muitos conceitos pois, nem todos os nossos preceitos estão de acordo com os cenários em que vamos interpretar;impondo os gestos,aguçando a voz,tremendo a fala, correndo de um lado para o outro a fim de conquistar os espectadores que na verdade, não são tão iguais a nós.

Devemos lembrar sempre que muitas das vezes queremos apenas impor novas formas ,novas maneiras novas modas, como se quiséssemos apenas unificar o mundo tão desigual em que vivemos. Lembre-se que em certos pontos a desigualdade é algo fundamental para compor o universo onde fomos convidados um dia a representar o nosso papel. 

Arvores são diferentes umas das outras;dão os seus frutos com conteúdos e formas diferentes;águas são diferentes;umas salobras,outras muito doces,umas claras e outras transparentes;animais são diferentes,nações são diferentes,costumes são diferentes;mas os sentimentos são iguais,amor é amor em qualquer canto ou lugar,fé é fé em toda sua plenitude e em qualquer coração;gratidão é um sentimento nobre que nos faz amar e retribuir a quem nos fez algo de bom e sonhos são verdadeiros e dependem de asas para voar. 

 Os bons sentimentos  devem ser respeitados.Então quando estiveres em cena dance, rode ,pule ,cale-se ,sorria ,geme ,grite , peça um minuto de silêncio para aplaudir ao seu público e faça de tudo para enlouquecer a sua plateia; mas ao sair de cena,não esqueça de ser você mesmo e que o seu personagem por mais notável e aplaudido que tenha sido durante o seu espetáculo, deve ficar atrás das cortinas e só explodir na boca de cena quando uma nova plateia chegar.  



 Estamos sentados confortavelmente na poltrona. O terceiro sinal indica que as luzes serão apagadas. O silêncio domina a sala. A música cresce. Um breve momento acontece antes de as cortinas se abrirem. Dentro de alguns segundos, um espetáculo terá início. 

Para os espectadores basta aguçar a visão e o ouvido, mas para o pessoal que está no palco, a maratona já começou e o que veremos será o resultado de ensaios, perseverança, tentativas, erros e acertos, de muito suor derramado para que tudo seja realmente um sucesso. 'Teatro para Quem Nunca Fez Teatro' traz um panorama didático e sucinto de quem é quem no teatro, um pouco sobre a história do teatro brasileiro universal, dicas de como montar um texto e a certeza de que, querendo, todos nós podemos fazer teatro.




segunda-feira, maio 04, 2015

LINDA CANÇÃO PARA CULTIVAR AS LEMBRANÇAS DO CORAÇÃO DA GENTE.


Quantas das vezes ao olhar no retrovisor de nossa existência reencontramos o menino ou a menina que um dia fomos. Onde viver era sempre sinônimo de felicidade e tudo se transformava em música a embalar o coração de cada um de nós.

Onde cada sorriso, cada lágrima, cada presente negado ou recebido faziam parte de páginas que íamos escrevendo e sendo levadas pelo vento. Onde tudo se tornava sonhos a inebriar os olhos que viviam apenas procurando explicações de tudo aquilo que ainda não sabíamos.

E o coração que dava saltos dentro de nós quando novidades surgiam, também muitas das vezes se aquietava diante de certas regras e insinuações do mundo. E de tudo isso o que restou dentro de nós foram apenas saudades. 

Saudades do sorriso feliz, da lágrima atrevida, da música que se perdeu, das páginas levadas pelo vento e dos sonhos que hoje talvez não existam mais.Mas e aquele coração que dava tantos saltos dentro do peito? Ainda continua batendo embalando as doces lembranças de nossa infância.

E talvez por essa razão Deus tenha criado também os bons compositores. Aqueles que com maestria sabem dar asas à imaginação quando olham nesse retrovisor da existência e reencontram o menino ou a menina correndo pelos campos contra o vento, embalando as suas bonecas e coelhinhos, empinando pipas, sorrindo e cantando como se tudo fosse apenas um ensaio para a vida.

E se ele o Senhor Deus tenha inventado além da inocência também os bons compositores, em algum momento esqueceria também de criar os melhores cantores? Aqueles que pudessem interpretar tudo isso com tamanha galhardia? Não! E por isso fez questão de ilustrar nosso cenário de vida com aquilo que há de melhor no universo da música evangélica. 

Canta Criança é mais uma linda composição de Josias Menezes brilhantemente interpretada pela voz singular de Josely Scarabelli. Uma bonita canção de amor que homenageia com tamanha sutileza as nossas crianças e também nos faz recordar a infância impulsionando dentro de nós a vontade de revivê-la.

Uma poesia contada e cantada em verso e prosa onde a alma se sente inspirada ao ouvi-la. Parte do CD "Sou filha do Rei" Canta Criança é mais uma relíquia da música evangélica para ser guardada no coração de todos nós que olhamos através do nosso espelho interior e nos encontramos tão pequenos e cada vez mais distantes.



 

Canta Criança/Josely Scarabelli

 

Criança quando eu te vejo sorrindo e cantando

Eu me sinto feliz...

Penso na minha infância embora humilde

Quando tudo eu quis

Vejo em você o passado não muito distante

Que a mente me vem

Vejo teus olhos me olhando, então eu me sinto

Criança também

Canta criança, Canta!

No papai do céu confia e crê

Eu quero a cada instante

Criança querida

Orar por você

Criança quando eu te vejo olhinhos brilhantes

Rostinho a sorrir

Sinto-me logo envolvida e como criança

Passo a me sentir

Volto a pensar nas bonecas ou no coelhinho

Que um dia morreu

Vivo com intensidade porque na verdade

A criança sou eu.










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