UM CANTO PARA LUZIA "A POESIA DE UM ABRIGO E A ALMA DE UMA AMIZADE VERDADEIRA"
Luzia era alguém que não tinha onde morar, que durante tanto tempo vivera pela casa dos outros, sendo escravizada em troca de um prato de comida. Não sabia o que era ter um salário, pois vivera tanto tempo de migalhas; e quando chegou indo morar lá nos fundos do quintal numa casinha que até então não tivera dono e, tendo conquistado um benefício mensal do governo, se apaixonou pela vida e talvez como forma de gratidão, passou a dedicar-se a natureza e também aos animais; gastando parte deste beneficio com eles.
Um dia Luzia foi embora, mas deixou a essência para a composição deste poema que recebeu menção honrosa do concurso intervalo em 2003 e faz parte do livro “amor minha última palavra”.
Um canto para Luzia
Um dia, Luzia me pediu um canto,
Um aconchego para esconder o medo
E sufocar o pranto...
Veio com os olhos inebriados,
Coração angustiado
E o medo de ser feliz...
Logo, tão de repente, pensei:
Luzia faz parte da gente,
Não era minha parente,
Mas mesmo assim abriguei.
E Luzia ganhou casa, comida e roupa lavada;
Terra fértil para plantar e alguém para conversar...
E foi então se acostumando ao meu lado viver bem,
Longe da grande cidade, do tumulto do vai e vem;
Perto da natureza e de quem lhe tinha amor...
Passou aqui alguns natais, poucos carnavais,
Participou da minha dor...
E comigo dialogava nas noites tristes de solidão.
E, quando eu não tinha palavras,
Ouvia meu coração.
Buscava compreender-me nas horas de agonia,
Às vezes virava uma fera,
Libertando-me do que me prendia.
Enfrentava a chuva e o vento
E soprava longe a garoa,
E eu, em meu pensamento,
Refletia e repetia: como Luzia era boa...
Mas um dia a tempestade,
Que é insana e apavora, caiu no nosso telhado,
E Luzia foi embora.
Tony Caroll.





