Arte, Cultura e Comunicação

sábado, novembro 17, 2012

Nem todo improviso contribui para a realização de um bom trabalho.

Para o ator, a ideia de completar-se em cena é muito rica e proveitosa, pois isso o estimula a criar cada vez mais e também a destacar-se em um trabalho qualquer como um grande ou até mesmo “o melhor ator”.Porém, ao ator é preciso humildade para desempenhar o seu papel por mais expressivo que possa ser; mas para isso é necessário que ele estabeleça certos limites para si próprio. Isso mostrará ao espectador um ator disciplinado.
Liberdade de expressão.
A nossa imaginação será sempre fértil para o subjetivo, porém esse subjetivo em cena não deve ser exagerado ao ponto de aniquilar o objetivo; e o objetivo do ator deve respeitar a cumplicidade com o outro ator com o qual ele está em cena porque, se ele se descontrola leva o outro a certa ansiedade tornando a sua espera em tédio terrível e isso é percebido pelo espectador também. Portanto nem todo improviso contribui para o a realização de um bom trabalho por que: Sempre partiremos de uma ideia central que deverá ter seu começo, meio e fim e isso deve ser sempre levado em consideração.Resumo: Quando o ator tem a oportunidade de um improviso deve compreender que a sua liberdade de subjetivar deve ter seu limite.Subjetivar é a oportunidade que o ator tem em cena de criar alguma coisa em cima de uma ideia central, tendo o cuidado para não sair dela pois,O seu objetivo é contracenar com alguém e expor alguma coisa para o espectador.
Tony Caroll.

sexta-feira, novembro 16, 2012

Sofro e choro.

Confessar uma desilusão nem sempre é sinônimo de fraqueza e chorar por um grande amor que se perdeu nunca será motivo para se desmerecer a masculinidade de um homem.Digo isso porque ao longo de minha existência muitas das vezes fui proibido de chorar diante de uma frase feita daqueles que a tomavam como discurso contínuo."Homem que é homem não chora."Porém hoje me orgulho por todas as vezes em que chorei e tenho certeza de que nunca fui um fraco pois mesmo chorando para me libertar de minhas desilusões,fui rebelde e corajoso quando precisei quebrar todas as regras.Ainda sou um homem que chora.



Sofro e choro

Como o ontem que foi hoje e depois se perdeu
hoje choro por um amor que já foi meu.
Como a flor que já foi broto e agora morreu
hoje sofro por alguém que já foi meu.
Como o sol que já brilhou e depois desvaneceu
sofro e choro por você que me esqueceu.

Tony Caroll.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Quantos espectadores estão sobre o palco?

Teatro é aceitação. É relação sem preconceitos, sem pudores, sem discriminações. Por isso,quando propomos algo como quebra de repressão,ritual e mecanismos estamos apenas sugerindo que o ator se esvazie completamente de tudo aquilo que o impede de relacionar-se dentro e fora de cena, pois, são os nossos medos, as nossas tradições, a nossa maneira muitas das vezes erradas de entender certas coisas é que nos impede de dar passos importantes rumo à cumplicidade, a harmonia, a sintonia com outro ator e isso nos faz permanecer sempre no lugar de espectador que apenas sonha atuar.
Vinicius Melich em cena. 
A falta de aceitação muitas das vezes manifesta-se por causa de certos preconceitos e pudores e acaba gerando certa discriminação entre os próprios atores que estão em cena, isso por falta de um trabalho intenso dentro dos grupos, que muitas das vezes estão no decorrer de um trabalho sem conseguir entrar em sintonia com os demais que contracenam.Diversos atores apesar de estar sobre o palco como personagem de uma história, mesmo sem perceberem deixam de ser ator e passam a ser apenas um espectador do colega que está em cena com ele, isso porque na dificuldade em relacionar-se com o outro, se retrai e então mesmo participando de todo desenrolar de algumas cenas ou atos, passa a assistir o colega e não atuar junto a ele.

quarta-feira, novembro 14, 2012

Um adeus a você.

Muitas das vezes é preciso rasgar o peito e mesmo sem querer,apagar as marcas de um grande amor pois,amor que se dá e nada recebe nunca deixará de existir enquanto estiver sendo cultivado mas nunca alimentado pelo desejo que sente.E um amor enclausurado dentro do peito,só deixa o coração sem possibilidades de amar novamente.




 Um adeus a você

Adeus ao beijo que eu quis, e ao meu sonho de ser feliz.
Adeus ao anseio de minha boca, e a essa paixão quase louca.
Adeus ao nosso primeiro momento; que transformou-se em lamento.
Adeus ao desejo que eu tive, e a sede que não contive.
Adeus ao meu querer de um abraço; que ensaiou o embaraço.
Adeus a esse tom de saudade, que sufocou minha felicidade.
Adeus aos anseios de meu peito, a esse caso meio sem jeito.
Adeus a essa anônima pessoa, que nas asas de meu sonho voa.
Adeus a minha Campainha interior que toca e com barulho só me sufoca.
Adeus à pessoa que amei, ao sonho que desejei e nunca experimentei.
Adeus a esse sonho de rosto tão bonito, que se perdeu no infinito.
Adeus a esses dia passados, e aos momentos idealizados.
Adeus aos instantes vividos, nunca publicados, de um amor proibido.

Tony Caroll.

terça-feira, novembro 13, 2012

Interpretar ou apenas representar alguma coisa?

A diferença entre interpretação e representação está em dar ou não dar forma aquilo que então a pessoa se propõe a mostrar em determinadas cenas dentro de uma mesma história. Assim compreendemos que:

Arte e vida.
A arte de representar pertence a qualquer pessoa e,A arte de interpretar pertence ao bom ator que então se esforça para oferecer uma arte viva e esplendorosa ao seu espectador.Posso representar alguém numa ocasião apenas como substituto de uma pessoa que por qualquer motivo não possa se fazer presente em determinado acontecimento ou lugar, mas, para representar alguém diante de todo espectador que vai ao teatro em busca de alguma coisa, preciso fazê-lo com total fidelidade e, a fidelidade em interpretar um personagem está em buscar todas as nuances desta pessoa que represento para o espectador; dando a este personagem novas formas teatrais. Assim, o trabalho do ator nunca será apenas cumprir um protocolo, mas sim, reproduzir com arte e maestria a sua fonte de inspiração.Se a sua fonte de inspiração for um anjo,esse anjo deverá ser então a matéria prima do ator e a sua beleza tanto física como interior será fruto do esforço do bom ator que com dedicação saberá lapidar aquilo que então se propõe representar “Uma figura celestial”.Aqui,usamos uma foto de um grupo que no último dia 28/10/2012,apareceu caracterizado numa determinada seção eleitoral para votar.A idéia desse grupo em protestar contra a cobrança abusiva de impostos ou algo parecido por parte de alguns governantes repercutiu talvez de uma forma inseperada,mas talvez mesmo que essa não tenha sido a intenção,este grupo caracterizado de vampiros representou muito bem os anseios daqueles que vivem sendo explorados pelo sitema e nunca tem voz para reclamar.Assim se representa uma classe quando não se tem um personagem concreto,porém a interpretação deve ser específica do ator que sente e chora as lágrimas de um personagem.
Tony Caroll.

domingo, novembro 11, 2012

A fiel interpretação quando o ator se propõe a representar alguma coisa.

Para todo ator iniciante que então se entrega a arte da interpretação é necessário entender o quanto é importante que quando está interpretando está também representando algo, alguém, uma classe social e até mesmo uma sociedade.Ninguém há de interpretar algo que tenha vida sem impregnar esse algo de sentimentos.Ninguém há de interpretar alguém sem ao menos esboçar alguns traços desse alguém. Ninguém há de interpretar uma referida classe social sem ao menos apresentar um pouco o que há de mais relevante dentro dessa mesma classe e,Ninguém há de interpretar uma sociedade sem exaltar aquilo que é mais importante em sua formação e trajetória.
A fiel interpretação do ator.
Devemos ter a compreensão de que:Uma árvore que se apresenta dizendo:─ Ah, eu sou uma pobre árvore!Tem seus sentimentos e suas razões para dizer que é uma pobre árvore.Alguém que se apresenta de alguma forma, está apresentando alguma coisa como:─Eu sou um homem que chora por causa do fracasso.Esse homem apesar dos fracassos não deixa de ser um homem e, isso requer os traços de um homem ainda que em cena ele esteja vestido de um objeto qualquer como uma cadeira. Se ele em cena é uma cadeira, mas revela que é um homem cheio de fracassos, é preciso então que tenha a forma de cadeira, mas os traços de um homem.Uma classe social se unifica por apresentar questões que sobressaem e permanece em evidência todo o tempo. Por exemplo: A classe dos defensores dos animais sempre será reconhecida pelo amor, o cuidado e a luta pela preservação das espécies e,uma sociedade se apresenta de forma contundente revelando por meio de seus hábitos coisas que se fazem notórias.Assim, a ideia de toda interpretação deve estar acompanhada da fiel representação que se faz daquilo que se propõe a fazer.
Tony Caroll.

sexta-feira, novembro 09, 2012

O elo entre o ator e seu personagem.

Interpretar um personagem é o mesmo que revelar o estado de alma de um ator e revelar o estado de alma de um personagem é um desafio que requer o trabalho de qualquer ator. Assim sendo, todo aquele que se dispõe a fazer teatro, deve entender que teatro é um trabalho constante que não deve admitir certas tréguas, pois, se o corpo e a mente se entregam ao cansaço dos exercícios, o ator volta ao seu estado comum e se entrega apenas ao sonho do fazer, tornando-se algum espectador.
O elo entre ator e personagem.
Diante disso enfatizamos aqui que, que o ator ou quaisquer grupos devem estar naquela busca constante do aprendizado entregando o seu corpo físico as diversas transformações. Assim sempre será necessária a prática, pois é a prática que o levará a assumir as responsabilidades com os seus respectivos personagens.
                                           

                                                      A alma de cada personagem


Todo personagem tem uma alma, mesmo aquele que foi criado para não tê-la e se a alma do ator deseja manifestar-se de alguma forma expondo toda a sua beleza de sentimentos, o ator deve entender também que a alma de cada personagem precisa ser revelada de alguma forma. Isso pode parecer complicado a principio, mas se o ator procurar compreender que os anseios de cada personagem são como os seus anseios, então irá assegurar para si mesmo que existe um elo entre ator e personagem e, é esse elo que os faz cúmplices em toda trama. Quando um ator entende que o seu corpo precisa quebrar rituais e mecanismos, sentir emoções, ter harmonia com o elenco e etc. Ele também entende que o seu personagem necessita de tais coisas e,quando ele não se mostrar mais tão egoísta em relação a isso,nutrirá também dentro de si certo amor pelo seu personagem e então passará a integrar-se com ele, dando-lhe tudo aquilo que ele anseia ter.É como se o seu personagem fosse um espelho dentro dele mesmo, onde ele deve alimentar esse espelho com toda fé. A fé cênica se constitui em acreditar fielmente naquilo que ele, o ator está interpretando e se essa fé cênica for compreendida em relação a cada personagem, então o ator passará a interagir melhor com ele e isso o incentivará a compreender a alma de seu personagem. Sendo assim, o ator será sempre um corpo que se empresta ao seu personagem, uma alma que o compreende e luta para lapidá-lo a todo instante enquanto o personagem sempre será uma alma que busca um corpo para revelar a sua grandeza!
Tony Caroll.

quarta-feira, novembro 07, 2012

Como e porque publicar-se?Novos exercícios.

Uma forma de obter um bom desempenho do ator e ao mesmo tempo fazê-lo tomar gosto pelo teatro além de sentir um prazer imenso é encadear vários exercícios em um só. Pela nossa experiência pude me sentir gratificado muitas vezes quando vários dos meus alunos compararam as minhas aulas a uma academia de ginástica, devido aos exercícios em movimento constante que não os deixavam parar por muito tempo durante o processo de aprendizagem.
Aqui está uma excelente dica: Podemos trabalhar vários tópicos com alguns exercícios dentro do mesmo ciclo sem a necessidade de parar para algum descanso.Isso gera no grupo de atores uma energia positiva,deixando-os impulsionados a produzir muito mais.Assim podemos trabalhar dentro de um mesmo exercício:

⇒As partes adormecidas de cada um,

⇒A quebra de rituais,

⇒Um pouco de fé cênica e alguma introdução 

⇒A quebra de repressão.

Tudo isso desta maneira:

1-Ao som de uma música suave e um pouco enfadonha, os atores devem caminhar livremente pelo espaço, sob a narração precisa do encenador.

2-O encenador observando a concentração dos atores e percebendo a falta de concentração de alguns, vai informando a todos o peso real do corpo de cada um. Ele começa fazendo com que acreditem que cada parte do corpo pesa bastante e vai atribuindo mais peso até chegar toneladas. 

Quando os olhos já pesam o suficiente para que os atores não consigam mais segurá-los, ele passa a narrar o peso de uma outra parte do corpo e assim sucessivamente.O resultado será todos sem forças nenhuma caídos ao chão sem a possibilidade de moverem-se

.3-O encenador então faz o caminho de volta, informando aos atores a libertação do peso de cada parte do corpo dos atores, que acreditando em tudo o que lhe é informado, aos poucos vão ganhando leveza e a sensação de liberdade.

4-Quando todos já estão livres de todo peso real do corpo e caminhando naturalmente sobre o espaço;o encenador então começa a contar histórias vibrantes em que todos são personagens dela e, bruscamente muda a música enfadonha por uma outra bem movimentada dando a todos a sugestão para se entregarem a uma algazarra.

O resultado sempre será sempre uma grande algazarra onde todos cheios de alegria dançam, sorriem se abraçam e se confraternizam de forma muito esplendorosa.Ao final da aula é sempre bom discutir tudo como as sensações do ator, o prazer sentido e, etc. Além do encenador informar a todos o que foi trabalhado.

terça-feira, novembro 06, 2012

Algazarra para Elizabeth.

 
 
Um dia quem sabe ainda conto um pouco da história de Elizabeth,uma de minhas irmãs em que muito me inspirei para compor alguns versos e com eles formar algumas poesias.Mas aqui quero relatar apenas um pouco da história que esse poema traduz.
 
Éramos oito filhos quando minha mãe ainda jovem nos deixou.Com isso fomos separados indo cada um para um lugar diferente e Elizabeth foi parar nas mãos de uma senhora  muito velha que vivia em Barra do Piraí no interior do RJ.Um dia então eu e uma outra irmã reunimos os outros dois menores,e fomos visitá-la.Encontramos Elizabeth vivendo numa casinha de estuque,sem uma boa alimentação porém muito querida de todos.
 
Não tínhamos muito o que fazer a não ser passear um pouco pela cidade.O dia passou depressa e a noitinha quando já estávamos na estação esperando o trem para nos levar embora,vi Elizabeth surgir.Ela vinha correndo me trazer um pente de cerdas largas que eu havia esquecido.Embarcamos e enquanto o trem se afastava senti um aperto no peito e um gosto de lágrimas na alma pois,sabia que no gesto de trazer o pente estava simplesmente a vontade de voltar conosco.
 
Ah!São tantas histórias...Mas essa,por enquanto encerro aqui dizendo que Elizabeth venceu.Hoje vive na Suíça,tem dois filhos enquanto eu perdi o pente de cerdas largas que durante tanto tempo guardei de lembrança.Mas para quê pente se hoje já não tenho mais cabelos? E aquele trem?Ah!Ele não existe mais.


 Algazarra para Elizabeth

Ah! Aquele trem!
Que me levou sem desdém
Para aquele final de mundo
Só para ver Elizabeth.
No peito um algoz profundo
Que comigo pintava o sete
Mas tudo valia a pena
A certeza era plena
Eu ia ver Elizabeth.
 
E o velho e surrado trem
Corria com vaidade
E no incansável vai e vem
Diminuía a saudade
Vencia os trilhos e as campinas
Fazia ventar muito mais
Não lhe importava a neblina
O cheiro dos matagais
Corria com ousadia
De quem um sonho reflete
Queria dar-me a alegria
De encontrar Elizabeth.
 
E eu ia embalado
Vivendo mil emoções
Sonhava aflito acordado
Contando as vis estações
E como criança inocente
Que a mesma coisa repete
Balbuciava insistente
Eu vou ver Elizabeth! Eu vou ver Elizabeth!
 
E de repente o apito
Que me fez soltar um grito
Rompendo o azul celeste
Estávamos no infinito
E lá estava Elizabeth.

 
Os olhos arregalados
Pela lágrima atrevida
O coração solitário
Feito presidiário
Do destino e da vida
E aquela não parecia
Minha meiga Elizabeth
Que um dia fora vendida
Ao preço de uma omelete
Era um vulto de tristeza
Sem mais brilho e beleza
Não mais sabia sorrir
Mas eu estava ali
Corajoso e com garra
E no mais ditoso convite
A enfeitei de requinte
Para vivermos uma algazarra
E fizemos piquenique
Entre as murtas do caminho
Brincamos de corre pique
Cantamos em burburinho
Tiramos folhas das plantas
Atiramos como confete
Nos vestimos de palhaços
Eu e Elizabeth!Eu e Elizabeth!Eu e Elizabeth!
 
E não importava o cansaço
Queríamos ir adiante
Zombar das agruras da vida
Tomar muito refrigerante
Fazer bolas de chiclete
E até apostar corrida
Com as mulas e a charrete
Naquela estrada comprida
Que resumia a vida
Entre eu e Elizabeth!
 
E foi uma tarde feliz
Que deixou-me apaixonado
Ao lado da flor-de-lis
Tornei-me realizado
Mas tudo durou tão pouco
Pois a noite trouxe o sufoco
E consigo aquele trem
Que recebi com desdém
Quando se aproximou
Obrigando-me a entrar
Pois logo me angustiou
Com o estridente apitar
E com a rotina que sempre repete
Deu partida e lá deixou
Minha irmã Elizabeth!


Tony Caroll.

domingo, novembro 04, 2012

Qual o ritual em que você está mais habituado a praticar?

Quando obedecemos ao impulso de começar a fazer teatro temos logo o desejo de interpretar alguns personagens, mas esquecemos que cada um desses personagem devem ter a sua forma particular de ser pois,esse personagem o qual você está vestindo com o seu talento, talvez não fale,não ande,não boceje,não chore e não faça nada como você está habituado a fazer.E quando falamos da quebra de mecanismos e certos rituais é simplesmente porque  queremos ver o ator dar vida ao personagem e não apresentar-se a si mesmo sempre.
Ciclo de rituais.
Há um contraste por parte de alguns encenadores que buscam no ator iniciante aquilo em que ele é mais fraco em mostrar como, por exemplo:Se um ator quase não mostra a sua forma de sorrir, se isso não é o seu ponto forte e se o que o torna evidente não é o sorriso, o encenador então procura explorar isso ao máximo desprezando aquilo que é mais eficaz no ator e o torna o centro das atenções. Isso então o mecaniza muito mais do que já está habituado e esse ator passa então a ser rotulado como aquele ator que faz aquilo muito bem e ele passa então a representar o mesmo papel por toda uma vida.Você já percebeu que certos atores sempre são lembrados para viver um papel específico?Fala-se de um personagem e logo alguém sugere aquele ator que parece ter a cara daquele personagem.Lembramos aqui que o bom ator é aquele que em cena vive grandes papéis quando sabe diferenciar o personagem de si mesmo.Clayton Paz meu ex-aluno, um bom ator por sinal, certa vez reclamou do seu cansaço em ser escolhido apenas para viver papéis infantis e, a falta de oportunidades para interpretar outros papéis muitas das vezes o deixava meio sem animo. Isso se deve a esse contraste; não explorar o lado mais forte do ator com exercícios de quebras de mecanismos e rituais, pois quando resolvemos trabalhar no ator aquilo que nele é mais evidente, damos a ele a oportunidade de descobrir mil facetas dentro daquilo que ele está mais acostumado a fazer. Se o encenador despreza esse lado mais eficaz, certamente ficará muito tempo tentando fazer com que ele mostre algo que o intimida e muitos diante disso desistem. Não quero dizer com isso que não se deva trabalhar o lado mais tímido do ator, mas alcançar esse lado tímido com os resultados que ele obtiver trabalhando aquilo que é mais evidente nele.Concluindo: Se o ator é reconhecido pela forma grandiosa de gesticular, começa-se um trabalho de quebras de rituais por ai, até atingir o ponto que o torna tão apagado que nesse caso pode ser a maneira muito simples de sorrir.
Tony Caroll.

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