quarta-feira, fevereiro 05, 2014
quarta-feira, janeiro 15, 2014
O RETRATO DE UMA ALMA EM CONSTRUÇÃO.
Hoje talvez eu seja apenas aquele instante costurado pelas lembranças que me fazem ver quem realmente fui e o que sobrou.Talvez eu seja apenas um viajante rumo ao infinito, alguém que na sua bagagem carrega somente recordações. Momentos escritos em páginas descoloridas que certamente contarão a minha história para alguém a minha espera em outra dimensão. Hoje sou apenas o retrato do que fui e ele ficará pendurado por aí nas paredes de alguns corações.
Este poema é um convite íntimo para adentrar o universo de alguém que se recusa a ser definido por uma única forma. Ele celebra a beleza da imperfeição, a força que reside na vulnerabilidade e a coragem de viver intensamente, mesmo quando o caminho parece incerto.
É um mosaico de memórias e sentimentos, onde o "rascunho inacabado" se encontra com a "tinta colorida", e a "saudade da partida" caminha lado a lado com a esperança de encontrar o amor e o carinho. Em cada verso, há uma dualidade pulsante: entre o descompensado e o sensível, o viajante desorientado e o artista que busca a sua própria essência.
É, acima de tudo, um hino à jornada humana — uma travessia marcada por erros, aprendizados e a certeza de que a vida é uma passagem única, um diário que se escreve e se reescreve a cada dia.
Sou rascunho inacabado,
O papel amassado,
Sou tinta colorida;
Sou a boneca guardada
,A fita rebobinada,
Sou a saudade da partida;
Sou alguém que cresceu, amou e chorou,
Mas nunca desanimou
Com os obstáculos do caminho;
Sou alguém que viveu, amou, errou
E sempre procurou
Alguém que lhe desse carinho;
Sou extremo descompensado,
O viajante desorientado,
Sou artista que não se pinta;
Sou o diário remendado,
O beijo roubado,
Sou passagem só de ida...
Bianca Crepaldi Mendes
V CLIPP Concurso literário de Presidente Prudente.
domingo, dezembro 29, 2013
O MUNDO É UM MOINHO OU UM CORAÇÃO QUE PULSA DENTRO DA GENTE?
Às vezes precisamos olhar através do nosso espelho interior para que possamos compreender o quanto é difícil enxergarmos a nós mesmos e o mais importante:aceitarmos que a imagem que vemos no lado de dentro nem sempre é aquela que esperamos ter refletida do lado de fora de cada um de nós.
Somos sempre dominados pela teimosia de que aquele defeito que nos assusta de imediato não faz parte de nós, mesmo quando ele está entranhado ofuscando os nossos sentimentos. A verdade é que: muitas das vezes as pessoas são apenas o reflexo daquilo que somos. Mas será que são mesmo?
O interessante em tudo isso é que percebemos de imediato os defeitos dos outros, mas nunca os aceitamos como nossos defeitos. Um dos grandes erros que cometemos no nosso dia a dia é que estamos sempre em busca de nossas muitas qualidades e nunca hesitamos para então consertarmos aquela coisinha que parece tão errada dentro de cada um de nós.
Mas se é verdade que as pessoas são o reflexo daquilo que somos então também refletimos qualidades e, em nome de nossa vaidade novamente cometemos erros graves pois, na balança enganosa do nosso próprio coração sempre achamos que as qualidades pesam tanto e os defeitos quase nada.
Mas se houvesse conserto para tantas coisas como ficariam os nossos olhos se antes de tudo não consertássemos dentro de nós aquilo que parece não ter importância nenhuma? Certamente eles se perderiam num emaranhado de coisas, mostrariam ao mundo sua frustração ou ficariam calados e tristes em compreender que tantos erros que estão no nosso interior poderiam estar também ofuscando o exterior e contagiando tudo a nossa volta.
Quando assumimos o papel de verdadeiros heróis na humanidade esquecemos também as nossas fragilidades e nos tornamos inchados de tantas razões que apenas contribuem para que os nossos defeitos sejam arquivados no coração.
Refletindo bem sobre a força e a fragilidade das coisas o que seria mais fácil para cada um de nós, mover um moinho ou lapidar um coração? Um moinho pode ser visto por todos e pode ser admirado pelas suas funções, mas e o coração? O coração da gente é algo tão particular e só pode ser tocado por cada um de nós.
E a ideia de transformar o mundo deveria ser motivo de muita reflexão porque nem sempre teremos o material perfeito para ilustrar qualquer cenário o qual julgamos defeituoso. Compreender certas coisas quando se trata de beleza, qualidades, feiura e defeitos devem ser algo de sumo importância em nossa pauta de vida, pois se a beleza atrai os olhos, também pode ser enganosa e a feiura é apenas invenção dos homens.
domingo, novembro 03, 2013
DESENHOS PARA COLORIR A INFÂNCIA;ONDE ESTÃO ELES AGORA?
O que existiam realmente no formato das nuvens onde os meus olhos tão inocentes viviam a admirar?
Um dia percebi que as nuvens se mexiam,desenhavam imagens que logo se desmanchavam como em um passe de mágica deixando-me encantado.Acho que essa foi a primeira decepção que eu tive na vida e infelizmente ela vinha lá do céu. Mas hoje, tenho quase certeza que esse foi o meu melhor aprendizado pois, apesar das nuvens me decepcionarem, no outro dia eu estava novamente lá imaginando coisas e criando novas imagens que na realidade estavam apenas em meu pensamento tolo e no coração de menino que nunca tivera um brinquedo.
Hoje encontrei em um livro da V CLIPP/Concurso literário de Presidente Prudente essa linda poesia que não é de minha autoria mas que me fez mergulhar no passado e reencontrar aquele menino tão cheio de imaginações que desenhava apenas com os olhos a felicidade e o desejo de passear no céu entre as nuvens.
Cresci demais
E não enxergo mais desenhos nas nuvens
Nem tenho mais os olhos curiosos
Cresci demais
E agora enxergo o amarelo dos sorrisos,
Tenho olhos tristes,
Mas ainda carinhosos com aquilo que me afaga
Cresci e sei que não existem monstros debaixo da cama
Mas ás vezes me escondo lá
Ás vezes jogo lá meus problemas
Abria os braços a um abraço de afeto cego e intenso
Agora abro meu peito
E grito ao mundo a dor muda que me corrói
Danço com lobos
Na busca faminta de continuar vivendo
E são leões todos os dias
Tinha o rosto seco
Tenho agora uma chuva particular
Antes sonhava em viajar no tempo
Agora projeto voltar a ser aquele
Mas nem é pela dor,
Pela tristeza ou amargura
Crescer é necessário!
Só queria enxergar desenhos nas nuvens.
Davi T. de Aquino Raimundo
Este poema é um mergulho profundo e agridoce no processo inevitável do amadurecimento. Com uma honestidade brutal, o eu-lírico não lamenta apenas a perda da inocência, mas a transformação radical da própria lente com que vê o mundo.
A obra constrói um contraste poderoso entre o "antes" — um tempo de imaginação livre, onde nuvens ganhavam formas fantásticas e o afeto era cego e absoluto — e o "agora", marcado pela complexidade das relações, pela dor silenciosa e pela luta diária pela sobrevivência ("dançar com lobos").
Há uma resignação dolorosa na certeza de que "crescer é necessário", mas também uma vulnerabilidade palpável no desejo final: não voltar a ser criança, mas recuperar a capacidade simples de maravilhar-se. É um lamento lírico por aquela parte de nós que se perde quando aprendemos demais sobre a realidade. Expressão de Resignação e Melancolia Ao publicar essa imagem, procurei traduzir visualmente o sentimento de "cresci demais" e a perda da capacidade de ver "desenhos nas nuvens".
Acho que a cena de um homem adulto sentado em um parapeito, olhando para uma cidade cinzenta e chuvosa ilustra muito bem o poema em questão. Observe que o ambiente interno está empoeirado e cheio de livros, simbolizando o peso do conhecimento e da maturidade. O detalhe central é o vidro da janela: ele está embaçado pela respiração e, com o dedo, o nosso personagem desenhou o contorno simples de uma nuvem e uma estrela, um gesto que remete diretamente à infância e que contrasta fortemente com a realidade fria e adulta do lado de fora. A expressão dele é de resignação e melancolia, capturando perfeitamente o tom do poema "Desenhos."
sábado, outubro 19, 2013
A ROLDA DA MEMÓRIA E AS MÃES DA PRAÇA DE MAIO.
Elas não precisaram gritar para serem ouvidas; o peso de seus lenços brancos e a imagem dos rostos desaparecidos — filhos, netos, maridos roubados — ecoaram um "grito amplificado" para o mundo. Enfrentando o desprezo e a violência do poder, elas "resistiram agarradas à esperança", marchando em círculos, semana após semana, contra o esquecimento.
As mães da Praça de Maio
Geraram protestos viris
Em calados gritos amplificados
Filhos, netos, irmãos e maridos roubados:
Sem qualquer explicação
Por vezes, chamadas de loucas!
Mal abriam suas bocas
Mas não pouparam manifestação
As mães da "Plaza" de Maio
Resistiram agarradas à esperança
Quantos maios e junhos passaram...
Notícias não chegaram
Em meio à tristeza restaram os viços
A força de demonstrar suas indignações
O desprezo às maquinações
À injustiça, a tantos sumiços!
As mães da Praça de Maio
Mulheres de coração dilacerado
Levantaram retratos, indignadas!
Não, não eram almas penadas
E sim, a nobreza; a seiva feminina
Do governo, exigiram decência
O fim de tanta violência
Quando se foi tão triste, a Argentina.
Eder Quirino Cavalcante
Extraído do livro V CLIPP/Concurso literário de Presidente Prudente
O que adormece a alma é a desilusão porém o que a desperta é a esperança que lhe impulsiona a acreditar que um novo horizonte vai surgir diante dos seus olhos e assim impregnar novamente de sonhos os seus corações.
E impulsionadas pela força que ilumina o peito lá estão elas novamente clamando por justiça e desenhando em seus próprios corações as imagens de um reencontro.
O que dizer dessas mães que ainda esperam pelos seus filhos e emocionadas chegam a confundir palavras de ordem com o nomes daqueles que um dia partiram?
sábado, agosto 17, 2013
Um ônibus criativo cheio de aplausos e risos...
Se a ideia da cumplicidade entre ator e espectador pode parecer meio absurda por que não buscar isso entre personagens depois entre os atores e por fim entre ator e espectador?
Estar na pele de alguns personagens improvisados sempre será um passo para depois criar essa cumplicidade dentro do próprio elenco e depois vestir o personagem que lhe está designado e por fim criar essa sintonia com o seu público.
O mais interessante de tudo foi a cumplicidade que ele conseguiu criar entre os passageiros.Até aquele momento todos eram apenas pessoas desconhecidas e caladas no seu trajeto,mas o bom ator começou a dar nomes as pessoas relacionando a fisionomia de cada um com alguma personalidade bem conhecida.Um fora apelidado de Fernando Henrique Cardoso ,o outro Geraldo Alkimim,o outro Sergio Cabral,Cesar Maia,Fernanda Montenegro,Regina Duarte,Ziraldo,Marcelo Rossi e assim sucessivamente.
O jeito tão sério mas tão hilário de apresentar os seus personagens era realmente algo digno de aplausos.Aquele jovem ator parecia mágico na sua forma de interpretar e conduzia a sua fala de forma tão gentil e simpática que prendia a atenção de seus espectadores que de tão envolvidos pareciam não mais querer chegar aos seus destinos.
Naquela tarde dentro do ônibus 422 fui apresentado a todos como José Serra atual prefeito de São Paulo e por um momento me senti muito orgulhoso,pela forma tão glamourosa e o jeito tão especial do cumprimento daquele jovem ator.
Afinal havíamos sido premiados com o talento e a belíssima atuação daquele moço que por uma causa nobre conseguira transformar o espaço daquele veículo numa grande plateia que ia se desfazendo e se renovando a cada nova parada do ônibus.
sexta-feira, agosto 09, 2013
Afinal O que foi a noite das mal dormidas?
De vez em quando alguma cia lança mão do texto e cria um novo espetáculo cheio de novas nuances.Mas o que teria noite das mal dormidas para chamar tanta atenção de alguns elencos e diretores?
Não sei se isso acontece hoje em dia pois cada espetáculo tem o dedo e a alma do seu diretor mas na década de noventa os atores não permaneciam em seus camarins a espera do seu público e sim surgiam caracterizados na entrada do teatro para recebê-lo.
Acho que o espetáculo começava ali mesmo quando de forma bem descontraída os atores realizavam o trabalho de entreter as pessoas com um improviso bem inteligente fazendo com que cada espectador que chegasse se sentisse mais um personagem do espetáculo que seria apresentado.
Era tudo meio mágico pois atores e espectadores se portavam como velhos conhecidos e se havia um ou outro meio tolhido por certa timidez logo se sentia tão a vontade e envolvido por aquele clima propositalmente descontraído.
Isso muitas das vezes é o motivo do fim de alguns grupos e de atores que se depreciam sem inspiração por falta de bons exercícios que possam gerar essa cumplicidade.
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