Arte, Cultura e Comunicação

sexta-feira, dezembro 02, 2022

Casa Vazia

 




Casa vazia

 

De repente, tão de repente a casa ficou vazia

Parece que a morte entrou por ela

e fechou a porta e a janela

para guardar só as lembranças

Casa vazia, sem esperanças

Sem a voz da campainha e o sorriso da criança

que chegou surpreendente fazendo-me sentir gente

naquele mês de outubro

Casa que hoje descubro e vejo um vácuo imenso

Que ainda guarda os natais, vividos nos vendavais

entre abraços e beijos, e um carinho intenso

e recorda aniversários repletos de emoções e amor

e ouve a canção do amigo sorrindo e chorando consigo

para não sentir a dor

E na parede o calendário que marca datas importantes

que fizeram de um instante um eterno e doce folguedo

Casa que era um brinquedo para o menino rapaz

que vinha todos os dias e a enchia de alegria

também de sonhos e de paz

Casa triste de saudade

Onde nasceu a amizade cultivada como uma flor

Que ainda tem o espelho com aquela moldura parda

onde o jovem sonhador, orgulhoso decepou

os primeiros fios da barba

Casa triste e abandonada

que guarda fotografias, o choro e a gargalhada

do menino homem que um dia aqui viveu

e que sonha acordada

não achando graça em nada

porque tudo se perdeu

Casa vazia que hoje acordou tão cedo

tão cheia de medo e de solidão

trancada por fora, por alguém que foi embora

Casa vazia... Meu coração.

 

 

Encontre "Casa Vazia" em Amor Minha Última Palavra





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