Arte, Cultura e Comunicação

sábado, fevereiro 09, 2013

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

O PERDÃO ESCRITO NA AREIA:UM NOVO COMEÇO SOB O OLHAR DE JESUS.

 

 O PERDÃO ESCRITO NA AREIA:UM NOVO COMEÇO SOB O OLHAR DE JESUS.

 
 
 Bem-vindo(a) a este espaço de reflexão e paz. O poema a seguir é um convite terno a olhar para o passado não com o peso da condenação, mas com a leveza da redenção. Ele nos transporta para aquele momento sagrado onde, talvez em silêncio, o Mestre escreveu na areia palavras que nossos olhos humanos não conseguiram decifrar, mas que nossa alma sentiu profundamente: o perdão incondicional.

É uma poesia sobre a libertação do fardo, a troca da cruz pela luz e a certeza de que, sob o olhar meigo de Jesus, somos envolvidos por um amor que nos dá um novo valor. Que esta leitura possa acalmar o seu coração e lembrá-lo(a) de que, sim, você foi perdoado(a) e está livre para seguir em frente.

 

Escrito na areia



Um dia ele escreveu na areia
o que eu não pude discernir
só sei que me perdoou
antes de me ver partir;
ah! Isso eu pude sentir
como sangue  em minha veia
porque o que eu não podia discernir
estava ali,escrito na areia...
E ele com seu meigo olhar
pôde então me acompanhar
vendo-me ir embora
para nunca mais pecar;
ah! então deixei para trás
o meu fardo e a minha cruz
e resolvi seguir em frente
sob o olhar de meu Jesus!
Era Jesus!Era Jesus!Sim!Era Jesus!
Que me inundou com a sua luz
a qual brotava daquele olhar...
E o seu jeito de me perdoar
foi escrevendo naquela areia
o seu perdão e o meu valor
pois escreveu
e me envolveu
com o seu amor...

Tony Caroll 

 
 

 

Compreender a fraqueza do outro é um dos mais nobres gestos de propagar o amor;e isso é algo peculiar daqueles que antes de tudo aplicam o coração a refletir os tantos porquês de atos que parecem merecer apenas uma condenação.

 

domingo, janeiro 27, 2013

A ESCOLA DO CORAÇÃO: QUANDO EMILIA ENSINA O ANJO A VIVER.

A ESCOLA DO CORAÇÃO

 

Talvez o melhor momento para ensinar a alguém que amamos muito seja aquele em que a vida deixa alguma cicatriz. Afinal, é diante de certas feridas que temos a grande oportunidade de mostrar o caminho certo a quem, por qualquer fatalidade, tenha perdido o seu destino. 

A boa palavra e as lições mais profundas exigem o instante exato em que você se veste de professor e, sobretudo, de amigo, para desenhar um novo horizonte repleto de vida e de valores. 

E é nessa linda fábula inspirada no universo de Monteiro Lobato que Emília estabelece a sua escola particular: com o seu jeito único e inocente, ela ensina ao anjo as coisas do nosso mundo, temperadas com doses de pura sabedoria e muito amor.



O Anjinho de Asa Quebrada

 

Ninguém descreve o rebuliço que houve na casa. A vida parou. Os pintos ficaram sem quirera. A vaca mocha ficou sem palha. O feijão queimou na panela. Ninguém queria saber — e havia razão para isso, porque jamais descera ao mundo uma criatura tão mimosa. É até difícil dar ideia da grandeza daquela florzinha das alturas. Cabelos muito louros e cacheados, olhos azuis, asas mais brancas que as do cisne. Como era lindo!

Infelizmente, uma das asas se partira no ossinho do encontro, o que o impedia de voar. Infelizmente para ele; para nós, foi uma felicidade. Se não fosse o quebramento da asa, Emília não o pegaria e nós não teríamos o gosto de conhecer em pessoa aquele mimo dos céus.

Uma criatura do céu não podia saber nada das coisas da Terra, de modo que o anjinho se mostrou de uma ignorância absoluta de tudo quanto aqui por baixo a gente sabe até de cor. Teve de ir aprendendo com Emília, a professora.

— Árvore, sabe o que é? — perguntava ela.

E como o anjinho arregalasse os olhos azuis esperando a explicação, Emília vinha logo com uma das suas:

— Árvore é uma pessoa que não fala; vive sempre de pé no mesmo ponto; que, em vez de braços, tem galhos; que, em vez de unhas, tem folhas; e que, em vez de andar falando da vida alheia e se implicando com a gente (com os tais astrônomos), dá flores e frutas. Umas dão pitangas vermelhas; outras dão laranjas doces ou azedas — e é destas que Tia Nastácia faz doces; outras, como aquela enorme ali (as lições eram sempre no pomar), dão umas bolinhas pretas chamadas jabuticabas. Vamos, repita: ja-bu-ti-ca-ba...

O anjinho atrapalhava-se e repetia errado:

Jatibucaba... — fazendo Emília rolar de rir.

As perguntas do anjinho eram sempre de uma infinita ingenuidade.

— Mas por que essas tais árvores nunca saem do mesmo lugar?

— Porque têm raízes — explicava Emília. — Raiz é o nome das pernas tortas que elas enfiam pela terra adentro. Bem que querem andar, as pobres árvores, mas não conseguem. Só saem do lugarzinho em que nascem quando surge o machado.

— Que animal é esse?

— Machado é o mudador das árvores; muda a forma delas, fazendo com que o tronco e os galhos fiquem curtinhos. Muda-lhes até o nome. Árvore machadada deixa de ser árvore. Passa a ser lenha. Le-nha. Repita.

— É algum deus esse machado tão poderoso assim?

Emília ria-se, ria-se...

— Deus, nada, burrinho! É antes um diabo malvadíssimo, mas diabo sem chifres, sem cauda, sem pés de cabra, sem cabeça, sem braços, sem nada. Só tem corte e cabo...

— Que é cabo?

— Cabo é uma perna só por onde a gente segura. Faca tem cabo. Garfo tem cabo. Bule tem cabo (e bico também). Até os países têm cabo, como aquele famoso Cabo da Boa Esperança que Vasco da Gama dobrou; ou aquele Cabo Roque, da Guerra de Canudos, um que morreu e viveu de novo. Os exércitos também têm cabos. Tudo tem cabo, até os telegramas. Para mandar um telegrama daqui à Europa, os homens usam o cabo submarino.

O anjinho ficava de boca aberta, sem entender coisa nenhuma.

— Então o "submar" também tem cabo?

— Como não? E compridíssimos, que vão de um continente a outro!

— E é por esses cabos que a gente pega no mar?

Emília ria-se, ria-se.

— Oh! — disse ela. — Você não imagina como é interessante a língua que falamos aqui! As palavras da nossa língua servem para indicar várias coisas diferentes, de modo que saem os maiores embrulhos.

— Se é assim, por que eles não cortam a língua?

Emília ria-se, ria-se.


Monteiro Lobato.

Por Tony Caroll.


terça-feira, janeiro 22, 2013

O teatro e a melhor idade recebem muitos aplausos?

 A terceira idade dentro do teatro evangélico vai fazer a diferença?


Sim,eles ainda estão como espectadores mas loucos para entrar em cena e nos surpreender com todo talento que possuem.Afinal eles possuem a experiência de vida que os jovens ainda não tem e uma bagagem de coisas para contar.Porém muitos deles ainda permanecem calados por falta de incentivo e um convite certamente fará toda a diferença.Pois se ainda se sentem tolhidos pelo medo ou a timidez de se misturarem aos jovens e adolescentes,isso fará com que desabrochem e deem vida ao cenário que compõe o universo teatral dentro dos templos.


 



Imagem da peça "A beira do abismo me cresceram asas".



Uma razão para esse convite

É importante dizer aqui que não existe idade para se começar a fazer teatro; a exemplo disso tive como componente dentro do grupo arte e vida pessoas bem maduras que se entregavam completamente a arte de aprender e exercitar todas as nuances do teatro criativo.Uma delas uma senhora de quase setenta anos que ao longo de nossas aulas se destacava de maneira esplendorosa.Essa senhora em dado momento me surpreendeu quando vestida de uma personagem já experimentada por outros atores,fora a única entre os demais a conseguir intimidar o protagonista com apenas uma fala.Ele,o protagonista um grande ator,nunca fora vencido por qualquer outro personagem,pois acostumado a roubar todas as cenas,diante desta senhora ficou emudecido e emocionado e isso gerou admiração e muitos aplausos por parte dos que os assistiam.

Porquê ignorar tantos talentos se cada um de nós somos protagonistas de alguma história?


 Impedir alguém mais maduro de aprender e exercitar teatro é um absurdo, pois toda forma de interpretar vem do talento e todo talento desenvolve-se por meio da vontade e, o que falta a todo aspirante é apenas desenvolver as suas potencialidades para: Exercer a função do teatro que é modificar o espectador dando a ele a consciência do mundo em que vive.Para toda ação existe uma reação. Entretanto, toda ação modifica a sociedade, motivando-a a buscar alguma coisa. Por isso, não podemos negar que a arte é uma ação humana que está sempre pronta a modificar a sociedade e a natureza.Um exemplo disso é que a ciência pode nos apresentar algo e a arte detalhar esse algo nos apresentando inúmeras criações;levando o espectador a refletir sobre determinada coisa que o ator interpreta desvendando fenômenos de forma imaginária.



Tony Caroll.

Fenecer


Muitas das vezes ignoramos nossas fragilidades e com isso esquecemos o quanto precisamos uns dos outros.Esquecemos também o quanto somos falíveis e em determinados momentos vamos precisar de uma força superior.Através deste poema quero lhes apresentar um amigo.Alguém que no seu mais profundo instante de solidão,certamente estará com você.



 Fenecer


 Jesus!
Quando eu não puder mais sorrir
Quero a tua presença sentir
Quando me perder em meus embaraços
Vou querer estar em teus braços.
Pois se perdido eu estiver
Com o meu sorriso enrijecido
Vou querer recostar em teu peito
E ter o meu coração aquecido.
E deixarei que me abrace
E deixarei que me alcance
E deixarei que me aqueça
Com esse olhar incessante.
Pois tu Jesus és o único que me ama
Quando ninguém  mais me reconhece
Tu me aceitas e de nada reclama
Quando então minha vida fenece.


Tony Caroll.

Um teatro cheio de ideias.

Covertendo ideias e transformando uma coisa na outra

Converter ideias não significa aceitar as coisas como elas são ou se nos apresentam e sim, ignorar certas coisas que estão sobre essas ideias e que só ofuscam o brilho daquilo que ainda não conseguimos enxergar. É como se uma grande nuvem cobrisse e escondesse de todos nós um lindo arco Iris. Mas se houver interesse em tocar nesta nuvem com a ponta dos dedos e aos poucos dissipá-la, logo o arco Iris estará diante de nós com todas as suas cores e plenitude.



 Imagem da peça " Frozem a rainha do gelo".

O que é,o que é?

Um bom exercício que praticamos com iniciantes e que gera bons resultados.Um grupo de atores deve assentar-se em círculo, e então um ator designado pelo encenador vai até ao centro, imagina um objeto e manipula esse objeto imaginário, primeiro acreditando que está mesmo de posse desse objeto. Depois faz uma boa demonstração de todas as suas utilidades. Em seguida, entrega esse objeto imaginado para outro ator que então o transforma em um segundo objeto e assim sucessivamente...

Conclusão.

Ao final do exercício, é sempre importante discutir sobre os muitos objetos apresentados e a demonstração de cada ator. Isso desperta a imaginação e amadurece o ator na capacidade de encarar certas coisas de formas diferentes, ensinando-o a transformarem as coisas inúteis em coisas úteis.

Tony Caroll.

domingo, janeiro 13, 2013

E entre os sonhos do menino estavam os vaga-lumes


 E entre os sonhos do  menino estavam simplesmente os vaga-lumes a povoar a mente e encher o coração de fantasias.Coisa que hoje em dia as crianças não tem mais pois lhe furtam a inocência com tantas invenções como eletrônicos,jogos violentos e tudo o que geram raízes e criam homens prematuros que nunca tiveram o doce sabor de compreender o que é a infância.O sexo está na janela quando o controle remoto nos faz assistir crianças sendo obrigadas a se comportarem como adultos dentro de um cenário capitalista onde parece que muitos pais querem vender os filhos para um sistema que  possa lhe render fundos ou em nome de uma frustração se realizarem através dos inocentes que já não tem mais o direito de viver sua infância entre fábulas.Oferecem aos pequeninos tantas opções para se sentirem adultos,presenteiam-lhes com tantas coisas vãs como se quisessem comprá-los e depois choram copiosamente quando os veem se tornarem adultos com saudades da infância.


  Na estrada do amanhece


Tubi não acreditava que no mundo tivesse um lugar melhor do que o Amanhece. Lá ele nasceu, e se dava por feliz. O Amanhece era bom sem comparação apesar de certos aborrecimentos que bem podia não ter. Um: ninguém acreditava muito nas coisas fora do comum que Tubi estava sempre descobrindo, ou vendo; diziam que não podia ser, era absurdo, ele tinha sonhado, onde já se viu; tanto que ele não estava mais contando nada, a não ser à mãe, assim mesmo só conforme a disposição dela. O que fez tomar essa precaução foi o caso dos vaga-lumes. Ele tinha andado correndo atrás de vaga-lumes no vassoural em frente a casa,lanhou as pernas muito mas conseguiu pegar um prender numa caixa de fósforos.Na cama de noite ele olhava a caixa e via quando o vaga-lume estava de luz ligada.Quando viu que ia dormir ele pôs a caixa no chão para não rolar por cima dela e esbandalhar o vaga-lume,mas perto da mão para poder apanhar mais,agora era fácil,bastava fechar a mão a esmo para pegar uma porção de cada vez,num instantinho ele encheu uma gamela meiãnzinha.Ele ia levar a gamela para dentro de casa com a ideia de arranjar bastante linha e pendurar todos eles nos caibros da varanda,depois acordar a mãe para ela ver a casa iluminada com aquelas lanterninhas,invenção dele;mas caiu na asneira de deixar a gamela do lado de fora enquanto procurava a linha,e quando voltou um bezerro tinha comido todos os vaga-lumes e ainda lambia os beiços,com certeza esperando mais.Tubi procurou uma vara,um ferrão,qualquer coisa para castigar o bezerro,rodou,não achou,e quando olhou de novo quase não acreditou.Com a barriga inchada de vaga-lumes,o bezerro parecia um balão cheio de luzinhas que acendiam e apagavam desencontrado,até se via o sombreado dos ossos das costelas no couro esticado.Tubi tocou a barriga do bezerro para ver se estava quente ou fria,o bezerro não gostou e saiu de perto,levando aquele azulado pelo chão,como se fosse uma sombra clara,saltou o rego,prateando a água na passagem,e sumiu numa moita de cana;mas mesmo escondido o clarão bojudo estava lá nas moitas,denunciando.De manhã Tubi correu ao curral na frente de todo mundo para ver se tinha acontecido alguma coisa ao bezerro,se ele tinha morrido,ou vomitado,ou adoecido.Que nada,o ladrisco já estava encostado na porteira,lambendo a mãe pelo vão de duas tábuas e berrando,doido para chegar a hora de mamar,parecia que não tinha feito travessura nenhuma durante a noite.Mas Tubi ficou preocupado,vigiou muito o bezerro,olhou se ele mamava direito,e quando viu ele se deitar perto da mãe no esterco do curral com os olhos meio fechados,cansados das cabeçadas que dava no úbere para puxar o resto do leite deixado pelo vaqueiro,Tubi achou que podia ser já o sinal do adoecimento,e correu para dizer ao pai na mesa do café que convinha dar um purgante ou qualquer remédio àquele bezerro branquinho filho da Mandinga.—Purgante pro bezerro? Por que agora?—Ele… vai ficar doente. Acho que já ficou. — O pai olhou para ele desconfiado, investigando. —O que foi que o senhor já andou fazendo com o bezerro?—Nada  não, pai. Foi ele mesmo. Comeu uma gamela cheinha de vaga-lume. Os pais se entreolharam e compreenderam que o bezerro não estava em perigo. —Vai fazer mal. Ele já está deitado, de olhos fechados disse Tubi. —Onde foi que ele achou tanto vaga-lume?-Perguntou a mãe. —Tubi baixou os olhos, confessou: — Eu peguei ontem de noite. —Você pegou e deu para ele? – Perguntou a mãe. Tubi explicou o acontecido, deixando claro que não tivera culpa; falou do brilho na barriga do bezerro, do clarão na moita de cana dos ossos das costelas aparecendo com o pisca-pisca dos vaga-lumes – de repente parou: não adiantava continuar, ninguém estava acreditando. Nunca mais ele contaria nada a ninguém. Mas de noite, na hora de lavar os pés para dormir, a mãe puxou o assunto e ele reconsiderou. Estavam sozinhos na cozinha, ela mornando o leite para ele tomar com beiju. —Como foi mesmo a história dos vaga-lumes?—ela perguntou.

José J.Veiga.
Por Tony Caroll.

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